Passado Presente Futuro · Saga de Asgard
Episódio 6: O Homem que Sabia de Tudo
Capítulo 1 — A Floresta Amaldiçoada
Havia um lugar em Asgard onde nem os moradores da região entravam.
Chamavam de Floresta Amaldiçoada. As árvores eram mais altas e mais escuras que as das outras florestas, e diziam que quem entrava ali começava a andar em círculos até não conseguir mais sair.
Era exatamente por ali que passava o caminho para o Palácio Valhalla.
E, esperando na entrada, havia um homem.
Ele não era grande como Thor, nem selvagem como Fenrir, nem sombrio como Mime. Era um rapaz elegante, de cabelos ruivos bem penteados, com um sorriso educado no rosto.
— Sejam bem-vindos — disse ele, com uma pequena reverência. — Meu nome é Alberich de Megrez. E eu já esperava vocês há um bom tempo.
Havia alguma coisa naquele sorriso que era pior do que qualquer rugido.
Capítulo 2 — O Cérebro de Asgard
Alberich vinha de uma família nobre e antiga, dedicada a Odin havia gerações.
Ele nunca foi o mais forte. Nem tentou ser.
Desde criança, foi o mais inteligente — tão inteligente que ganhou um apelido em toda Asgard: chamavam-no de “o cérebro mais brilhante da nossa terra”.
E ele usava esse cérebro exatamente como quisesse.
Antes de virar Guerreiro Deus, era soldado no palácio, e Hilda chegou a repreendê-lo uma vez, na frente de todos, por usar uma inteligência daquele tamanho para conseguir vantagens pequenas em vez de ajudar as pessoas.
Alberich sorriu e agradeceu a lição.
E não mudou nada.
Mas o que ninguém sabia — nem os outros seis Guerreiros Deuses, nem a Freya, nem ninguém — era uma coisa que ele guardava havia meses:
Ele estava lá quando o anel apareceu.
Ele viu, com os próprios olhos, o instante em que aquela joia amaldiçoada chegou até Hilda diante do mar. Viu os olhos dela mudarem. Sabia, desde o primeiro dia, que a senhora de Asgard estava enfeitiçada.
E não contou a ninguém.
Porque Alberich tinha um plano melhor.
Capítulo 3 — A Armadilha de Cristal
Quem chegou primeiro à Floresta Amaldiçoada não foi nenhum dos Cavaleiros de Bronze.
Foi Marin.
A Amazona de Águia tinha vindo de longe trazendo uma informação urgente para Seiya — algo importante demais para esperar — e caiu bem no meio do território de Alberich.
Os dois lutaram, e ela lutou bem. Melhor do que ele esperava.
Foi exatamente por isso que Alberich desistiu de vencer no braço.
— Você é boa — ele admitiu, recuando. — Então vamos parar com essa bobagem de luta justa.
Ele ergueu as mãos, e o ar ao redor de Marin começou a brilhar em roxo.
— COURAÇA DE AMETISTA.
Um cristal enorme e translúcido cresceu do chão, envolveu Marin por completo e se fechou como um ovo de pedra preciosa.
Ela ficou ali dentro, presa, sem conseguir se mover — e o cristal começou, devagarinho, a sugar as forças dela.
— Não se preocupe — disse Alberich, batendo de leve na superfície. — Você não vai morrer agora. Você vai morrer aos pouquinhos, enquanto eu resolvo umas coisas.
E foi embora assobiando.
Capítulo 4 — A Chantagem
Quando Seiya chegou e viu a mestra presa dentro daquele cristal, perdeu a cabeça.
— MARIN!
— Não bata — disse Alberich, aparecendo entre as árvores. — Sério. Não bata.
— Solta ela!
— Se você quebrar esse cristal com força, a pessoa que está lá dentro morre junto. — Ele deu de ombros. — É como quebrar uma casca de ovo batendo com um martelo. Só existe um jeito de abrir, e o jeito sou eu.
Seiya ficou com os punhos erguidos e não conseguiu baixar nem atacar.
E foi assim que Alberich venceu o Pégaso: sem dar um único golpe.
Ele prendeu Seiya no mesmo tipo de armadilha, tomou dele a Safira de Odin que os Cavaleiros tinham conquistado com tanto sacrifício, e a guardou no bolso.
— Uma — disse Alberich, olhando a pedra azul contra a luz. — Faltam seis.
Capítulo 5 — O Plano Verdadeiro
Foi Hyoga quem chegou depois.
E, com Hyoga, Alberich teve trabalho de verdade. O Cavaleiro do Cisne era rápido, frio e não caiu em nenhuma das provocações.
— ESPADA DE FOGO!
Uma lâmina de chamas apareceu na mão de Alberich, e ele lutou com ela como quem esgrima há vinte anos.
— UNIDADE DA NATUREZA!
E, aí, a floresta inteira acordou.
Raízes saíram do chão. Galhos se esticaram como braços. A água congelada dos riachos quebrou e subiu em espirais. A terra, as árvores e o gelo passaram a obedecer aos gestos daquele homem como se fossem partes do corpo dele.
Hyoga foi engolido por tudo aquilo de uma vez.
E, no instante em que ele ia ser preso no cristal também, um escudo redondo apareceu no meio do caminho e desviou o golpe.
— Chega — disse Shiryu, com o Escudo do Dragão erguido.
Alberich sorriu — e, dessa vez, o sorriso era de verdade.
— Ah. Finalmente alguém interessante.
— Por que você está fazendo isso? — perguntou Shiryu. — Você é um dos sete. Você deveria estar protegendo a Hilda.
— Eu vou fazer melhor que isso.
Alberich abriu os braços.
— Eu vou substituir a Hilda.
Shiryu ficou paralisado.
— O quê?
— Eu sei do anel, cavaleiro. Sei desde o primeiro dia. Eu vi aquela coisa chegar e vi o que ela fez com ela. — Ele girou a safira entre os dedos. — E não contei a ninguém, porque enquanto todos correm atrás de heroísmo, eu junto as sete safiras. Sete safiras despertam a Espada Balmung. E quem tiver a Balmung na mão manda em Asgard.
— Você ia matar a sua própria senhora.
— Eu ia suceder minha senhora — corrigiu Alberich. — Existe uma diferença técnica, e ela importa muito para mim.
Capítulo 6 — O Homem que Perdeu para o Mestre Ancião
Alberich atacou, e a floresta atacou junto.
Shiryu bloqueou, desviou, contra-atacou — mas era impossível. Não dá para lutar contra um adversário quando o chão, as árvores e o ar estão do lado dele.
— Não adianta — disse Alberich. — Essa técnica é da minha família. Nós a temos há gerações.
Ele parou por um instante, e alguma coisa passou pelo rosto dele.
— Sabe, meu antepassado usou esse mesmo golpe uma vez, muito longe daqui. Numa montanha da China. Contra um velho.
Shiryu ergueu a cabeça de repente.
— O quê?
— E foi a única vez em que um Alberich perdeu. — O sorriso dele ficou torto. — Aquele velho era chamado de Mestre Ancião.
Shiryu sentiu o coração acelerar.
O Mestre venceu isso. Uma vez. Então dá para vencer.
E, naquele instante, do outro lado do mundo, sentado à beira de uma cachoeira nos Cinco Picos de Rozan, um velhinho de barba branca abriu os olhos.
“Shiryu. Escute com atenção, meu discípulo.”
A voz chegou direto dentro da cabeça dele.
“Você não pode lutar contra a natureza. Ninguém pode. Não tente vencer a floresta.”
— Então o que eu faço, Mestre?
“Vire parte dela.”
Capítulo 7 — Um Só com a Natureza
Shiryu fechou os olhos no meio da batalha.
E parou de se defender.
As raízes vinham em direção a ele — e passavam ao lado. Os galhos açoitavam o ar — e não o encontravam. A água subia — e escorria em volta.
Não porque ele estava desviando.
Porque ele tinha parado de ser um alvo.
Ele acalmou a respiração, acalmou o cosmo, e deixou de ser “alguém dentro da floresta” para virar simplesmente mais uma coisa que estava ali, como uma pedra ou um tronco. A natureza não ataca a si mesma.
Alberich arregalou os olhos pela primeira vez naquela noite.
— Isso é impossível. Como você…
— Você tem razão numa coisa — disse Shiryu, abrindo os olhos. — Ninguém vence a natureza.
Ele avançou.
Alberich, em pânico, fez a última coisa que sabia fazer: prendeu Shiryu na Couraça de Ametista.
— Peguei! — ele riu, e a risada saiu nervosa. — Acabou! Ninguém quebra isso de dentro! É impossível quebrar de dentro!
Dentro do cristal, Shiryu tirou a armadura.
Ele precisava de cada gota de cosmo, e a armadura pesava.
— Mestre — ele sussurrou, encostando os punhos um no outro. — Obrigado.
E, do centro exato daquela prisão de ametista, disparou.
— CÓLERA DO DRAGÃO!
O dragão de luz explodiu de dentro para fora.
O cristal se despedaçou em mil pedaços brilhantes, que subiram no ar como uma chuva de estrelas roxas caindo ao contrário.
E o golpe continuou, atravessou a clareira e acertou Alberich em cheio.
Capítulo 8 — Sem Ninguém
Alberich caiu de costas na neve, no meio dos cacos de ametista.
Ele tentou se levantar e não conseguiu.
Shiryu se aproximou devagar, cambaleando, sem armadura, coberto de arranhões.
— Acabou.
— Que injustiça — murmurou Alberich, olhando para o céu escuro. — Eu era o mais inteligente de todos. Eu sabia da verdade quando ninguém sabia. Eu podia ter salvado Asgard antes de tudo isso começar.
— Podia.
— E preferi o trono.
Ele riu, e a risada virou tosse.
Shiryu ficou olhando para aquele homem por um tempo.
— Se você tivesse contado a verdade lá no começo — ele disse —, o Thor estaria vivo. O Fenrir estaria vivo. O Hagen e o Mime também. Todos eles morreram lutando por uma mentira que você conhecia.
Alberich não respondeu.
Porque não havia resposta possível para aquilo.
Ele fechou os olhos com o rosto virado para o lado, e, no meio da neve, o homem mais inteligente de Asgard morreu sozinho — sem um amigo por perto, sem ninguém para chorar por ele, sem nem um lobo.
Foi o único dos sete que morreu assim.
Capítulo 9 — Duas Safiras de Uma Vez
O cristal que prendia Marin se desfez. O que prendia Seiya também.
— Marin! — Seiya correu até a mestra e a segurou antes de cair.
— Estou bem — ela disse, com a voz fraca. — Estou bem, Seiya.
Shiryu recolheu do chão, entre os cacos roxos, duas pedras azuis: a Safira que Alberich tinha roubado deles, e a Safira dele mesmo.
Cinco.
Faltavam duas.
Lá no alto da montanha, o Palácio Valhalla estava tão perto que já dava para ver as tochas acesas nas janelas.
— Estamos quase lá — disse Hyoga.
— É — respondeu Seiya, olhando para cima. — E os dois que faltam são os mais fortes.
O Fim do Episódio 6
O Alberich é diferente de todos os outros dessa história, e é bom entender por quê.
O Thor lutou por gratidão. O Fenrir, por mágoa. O Hagen, por ciúme. O Mime, por uma tristeza velha demais.
Todos eles estavam errados, mas todos eles se importavam com alguma coisa.
O Alberich não.
Ele era o mais inteligente de Asgard, e usou essa inteligência para uma coisa só: ele mesmo. Sabia que a Hilda estava enfeitiçada e ficou calado, porque a confusão era útil para ele. Deixou os companheiros morrerem um por um. Prendeu uma mulher num cristal para ganhar tempo.
E morreu sozinho na neve, sem ninguém do lado.
Ser inteligente é ótimo. Mas inteligência é como uma ferramenta muito afiada: o que decide se ela é boa ou ruim não é o tamanho dela — é para onde a pessoa aponta.
Fim do Episódio 6. No próximo episódio, dois irmãos gêmeos que nunca deveriam ter se separado.
Boa noite, pequeno guerreiro. Amanhã a história continua.
Adaptação do arco de Alberich de Megrez.
Obra original: Saint Seiya, de Masami Kurumada. Saga de Asgard do anime Os Cavaleiros do Zodíaco, da Toei Animation. Adaptação narrativa de fã preparada por Rafael com auxílio de inteligência artificial. Projeto independente, sem vínculo oficial com os titulares da obra.