Episódio 1: Memórias do Desaparecimento

Passado Presente Futuro · Saga dos Céus

História adaptada · parte publicada

Episódio 1: Memórias do Desaparecimento

A continuação direta de Next Dimension. Fiel à Fase 1 do mangá.


Capítulo 1 — O Chapéu que o Vento Levou

Você lembra de como terminou a outra história?

Uma mulher subindo sozinha as escadarias quebradas de um Santuário em ruínas. Um buquê de flores deixado na Casa de Sagitário, diante de palavras gravadas na pedra que ela leu sem entender. Um choro que veio do nada, por alguém de quem ela não lembrava.

E o vento.

O vento que subiu pelas colunas partidas e levou o chapéu dela.

Pois é exatamente aí que essa nova história começa.

O chapéu subiu, girou no ar, passou por cima das pedras antigas — e caiu lá embaixo, na estrada de terra que leva ao vilarejo de Rodorio.

E, na estrada, havia um rapaz.


Capítulo 2 — O Rapaz que Não Sabe Quem É

Ele parou de andar quando aquilo pousou aos seus pés.

Um chapéu branco, de aba larga, ainda girando um pouquinho na terra.

O rapaz se abaixou e o pegou.

Era um garoto comum. Cabelo castanho revolto, roupa simples de trabalho, mãos calejadas de carregar pedra. Ele trabalhava na restauração de um templo velho nos arredores da vila para ajudar a irmã com as contas da casa. Levantava cedo, comia o que tinha, voltava sujo à noite.

Uma vida perfeitamente comum.

E, mesmo assim, havia dias — como aquele — em que ele parava no meio da estrada olhando para o alto das ruínas do Santuário sem saber por quê. Como se estivesse esquecendo alguma coisa muito importante e não conseguisse nem lembrar o que era.

O nome dele é Seiya.

Ele não sabe que já foi um Cavaleiro. Não sabe que já atravessou doze casas lutando. Não sabe que uma vez uma espada de deus ficou cravada no peito dele por um ano inteiro.

Não sabe de nada.

Seiya girou o chapéu na mão, olhou para o alto da escadaria de onde ele devia ter vindo, e começou a subir.

— Alguém deve estar procurando por isso.


Capítulo 3 — A Memória que Escorre

E, subindo em sentido contrário, descia ela.

Saori Kido caminhava devagar pelos degraus de pedra, com uma das mãos apoiada na parede, porque as pernas dela estavam bambas.

Alguma coisa muito errada estava acontecendo.

Poucos dias antes, diante daquele muro com as palavras de Aiolos, alguma coisa tinha se acendido dentro dela. Uma voz. Um nome que não era “Saori” nem “menina”, mas outro, muito mais antigo e muito mais pesado. Uma missão inteira tinha voltado de uma vez só, como quem acende a luz de um quarto escuro.

E agora aquilo estava se apagando de novo.

Ela parou no meio da escadaria e apertou as têmporas com força.

— Não… espera. Espera!

Os nomes estavam escorrendo entre os dedos dela.

Havia guerreiros. Ela tinha certeza de que havia guerreiros, muitos deles, e que ela conhecia cada um pelo nome, e que alguns tinham morrido por ela. Ela conseguia sentir o formato do amor que sentia por eles — mas os rostos estavam sumindo. Os nomes estavam sumindo.

— Eu preciso lembrar — ela sussurrou, com a voz falhando. — Por favor. Eu prometi que ia lembrar.

E não lembrou.

Quando ela abriu os olhos de novo, sobrou só uma sensação vaga e horrível: a de estar esquecendo pessoas que ela amava, uma por uma, e não poder fazer nada a respeito.

Saori se sentou num degrau, sozinha no meio das ruínas, e chorou pela segunda vez sem saber exatamente por quem.


Capítulo 4 — O Que Restou do Inferno

Agora precisamos ir para um lugar muito diferente.

Muito abaixo do mundo, num lugar onde a luz nunca chegou, existe o reino de Hades.

Ou existia.

Porque, depois da Guerra Santa, não sobrou quase nada dele.

As prisões estavam desabadas. Os rios tinham secado. As muralhas que aguentaram milênios estavam espalhadas pelo chão em pedaços. E, mais longe ainda, os Campos Elísios — o jardim mais bonito que já existiu em qualquer mundo, onde os deuses descansavam entre flores que nunca murchavam — eram agora um deserto de cinzas.

Não havia ninguém vivo ali para ver aquilo.

Só uma pessoa. E ela estava dormindo.

Ela dormia num canto profundo daquelas ruínas havia muito tempo, desde antes da guerra terminar, tranquila e confiante — porque, quando fechou os olhos, tinha certeza absoluta de que Hades venceria.

E, naquele dia, ela acordou.


Capítulo 5 — Ker

Ela se levantou devagar, ainda meio adormecida, e a primeira coisa que fez foi olhar em volta.

E não entendeu.

— Onde… — A voz dela ecoou pelas ruínas vazias. — Onde está todo mundo?

Ela caminhou entre os escombros do Inferno, e cada passo tornava a coisa mais impossível de acreditar.

Os Espectros, mortos. As prisões, vazias. Os juízes, sumidos. E, quando ela chegou até onde deveriam estar os Campos Elísios e viu aquele deserto morto no lugar do jardim eterno, ela finalmente entendeu.

— Nós perdemos.

Ela ficou parada ali por um bom tempo, sozinha, no silêncio absoluto de um reino inteiro destruído.

— Isso não é uma derrota — ela disse, por fim. — Isso é uma aniquilação. Levaria mil anos só para reconstruir o que sobrou.

O nome dela é Ker. E ela não é uma Espectro, nem uma serva, nem uma soldada.

Ela é uma deusa.

Uma deusa maligna, antiga, que caminhou pelo mundo muito antes de qualquer Guerra Santa — e que, ao contrário de Hades, nunca precisou de um exército para ser temida.

Ela abaixou-se entre os destroços e puxou alguma coisa de dentro da poeira.

Uma armadura escura. Rachada, suja, abandonada — a Sapuris da Estrela Terrestre do Cão.

Ker sorriu.

E despejou seu cosmo dentro dela.

O metal tremeu. As rachaduras se fecharam. E, do chão de pedra do Inferno destruído, um guerreiro que estava morto havia muito tempo se levantou, engasgando, com os olhos arregalados de quem acabou de voltar de algum lugar de onde não se volta.

— Levante-se, Jean — disse a deusa. — Nós temos trabalho.

Jean de Órthros ficou de joelhos diante dela, tremendo.

— Minha senhora… o Imperador Hades…

— Caiu. Todos caíram. — Ker o interrompeu com um gesto. — Mas escute com atenção, porque eu percebi uma coisa enquanto vocês todos eram destruídos.

Ela ergueu o rosto na direção da superfície, como quem fareja o ar.

— Atena desapareceu.

Jean levantou a cabeça de uma vez.

— O quê?

— Eu não sinto o cosmo dela em lugar nenhum deste mundo. Nem na Terra, nem no céu, nem aqui embaixo. — O sorriso dela cresceu, e não era um sorriso bonito. — A deusa que protege a humanidade sumiu, Jean. E, sem ela… a Terra não tem mais escudo nenhum.

Ela estendeu o braço sobre as ruínas do reino destruído.

— Nós não precisamos de mil anos para reconstruir isso aqui. Nós precisamos de uma coisa só: garantir que Atena nunca mais acorde.

— E se ela acordar, minha senhora?

Ker abaixou-se até ficar na altura dos olhos dele.

— Então nós a matamos antes disso.


Capítulo 6 — Enquanto Isso, na Terra

E, muito longe dali, sob o sol da Grécia, uma coisa muito pequena e muito importante estava acontecendo ao mesmo tempo.

Uma mulher estava sentada num degrau de pedra, chorando por gente de quem não conseguia mais lembrar.

E um rapaz subia a escadaria em direção a ela, segurando um chapéu branco na mão, sem fazer a menor ideia de quem ela era.

Nenhum dos dois sabia que já tinham se conhecido.

Nenhum dos dois sabia que ela tinha atravessado duzentos e quarenta anos de tempo para salvar a vida dele.

Nenhum dos dois sabia que ela tinha desistido de ser uma deusa para que ele pudesse viver.

E nenhum dos dois sabia que, naquele exato instante, muito abaixo do chão que eles pisavam, uma deusa maligna acabava de dar a ordem de caçá-la.

Seiya subiu o último degrau.

E os dois se olharam pela primeira vez.


O Fim do Episódio 1

Repare como essa história começa ao contrário de todas as outras.

Não começa com um golpe. Não começa com uma armadura brilhando nem com um exército marchando. Começa com um chapéu que o vento levou, e com duas pessoas que se amavam e não lembram mais uma da outra.

E, enquanto isso, no fundo do mundo, alguém acordou de um sono muito longo e descobriu que perdeu tudo.

Guarde esses dois pedaços na cabeça, porque eles vão se encontrar em breve: em cima, dois amigos se reencontrando sem saber que são amigos. Embaixo, uma deusa decidindo que a hora de atacar é exatamente agora — enquanto a protetora da Terra ainda não lembra quem ela é.

Fim do Episódio 1. A aventura continua.


Boa noite, pequeno guerreiro. Amanhã a história continua.

14+ · Indicação editorial deste site. Leitura recomendada a partir de 14 anos, com conflitos, violência e morte em contexto ficcional. Não é classificação oficial.

Obra original: Saint Seiya, de Masami Kurumada. Adaptação e continuação narrativa de fã preparadas por Rafael com auxílio de inteligência artificial. Projeto independente, sem vínculo oficial com os titulares da obra.

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