Passado Presente Futuro · Saga dos Céus
Episódio 18: O Preço da Descida
Capítulo 1 — Quem vai
A discussão durou a manhã inteira na praça quebrada de Rodorio.
— Você não vai — disse Ikki.
— Eu vou — respondeu Shun.
— Shun, você dormiu dezesseis horas e acordou branco feito papel. O deus falou que você ia ficar cansado por um mês.
— Ele falou que eu ia ficar cansado. Não falou que eu ia ficar inútil.
— As suas correntes estão quebradas!
E o Shun, que quase nunca levanta a voz, levantou:
— EU SEI QUE ESTÃO QUEBRADAS, IKKI!
A praça ficou em silêncio.
— Eu sei. — Ele abaixou o tom. — Eu carrego elas no colo todo dia. Eu sei exatamente o tamanho do que eu não consigo fazer.
Ele apertou o metal partido.
— Mas eu abri a porta para ela. Fui eu. Ela entrou porque eu pedi.
— Shun—
— E eu não vou ficar sentado numa praça enquanto vocês descem num buraco por causa de uma coisa que começou comigo.
Ikki abriu a boca para responder.
E o Seiya chegou por trás, pôs a mão no ombro do Shun e disse:
— Ele vai.
E a Atena ficou.
Essa foi a outra briga, e foi mais curta.
— Eu desço com vocês.
— Não desce, não — disse Shiryu.
— Shiryu…
— A senhora é a única pessoa neste mundo que o Zeus vai querer olhar quando chegar. — Ele falou com todo o respeito e nenhuma dúvida. — Se ele descer aqui e não encontrar ninguém de pé, acabou. Alguém precisa estar na praça.
A Atena olhou para os cinco.
E percebeu que eles já tinham combinado aquilo antes, entre eles, sem ela.
— Vocês decidiram isso ontem à noite.
— Decidimos — admitiu Seiya.
— Sem me perguntar.
— A senhora ia dizer não.
Capítulo 2 — O inferno vazio
Eles desceram pela mesma fenda de sempre, e chegaram num lugar que o Shiryu levou um tempo para reconhecer.
Era o Inferno.
E estava vazio.
As muralhas que tinham aguentado milênios estavam espalhadas pelo chão em pedaços. As prisões, desabadas. Os rios, secos — dava para andar no leito deles, pisando em pedra lisa.
Nenhuma alma. Nenhum guarda. Nenhum som.
— Desde a guerra do Hades — disse Hyoga, baixinho. — Ninguém mais tomou conta disso aqui.
— Não parece assustador — disse Seiya.
— Por isso é assustador — respondeu Shiryu.
Eles atravessaram aquele lugar morto durante horas, até o Shun parar de andar.
— Ali.
No meio de uma planície de pedra rachada, tinha um buraco.
Redondo. Largo como uma praça inteira. Preto.
E, em volta dele, numa roda perfeita, havia uma inscrição gravada na pedra em letras que ninguém daquele grupo conseguia ler — mas que todos entenderam mesmo assim, porque tem coisa que não precisa de língua.
Dizia: AQUI NÃO SE DESCE.
Capítulo 3 — Nove dias de queda
Shiryu pegou uma pedra do chão e jogou no buraco.
Eles esperaram o barulho.
Não veio.
Esperaram mais.
Não veio.
— Quanto tempo? — perguntou Seiya, depois de um tempo.
— Um minuto e meio — disse Shiryu, sem tirar os olhos do buraco.
E o Hyoga, que tinha lido as histórias antigas quando era criança na Sibéria, falou a frase que gelou todo mundo:
— Os gregos diziam uma coisa sobre esse lugar.
— O quê?
— Que, se você soltasse uma bigorna de ferro lá do céu, ela levaria nove dias para chegar na Terra.
Ele olhou para o buraco.
— E mais nove dias daqui até o fundo.
Capítulo 4 — Os que já estavam lá
Eles desceram pela parede.
Tinha uma escada. Não de degraus bonitos: era uma espiral grosseira, cavada na pedra, girando em volta do buraco e descendo sem fim.
Depois de muito tempo andando, eles encontraram o primeiro.
Era um homem velho, magérrimo, de pé dentro de um laguinho de água limpa que batia na cintura dele.
Em cima da cabeça dele, pendurado num galho, tinha um cacho de frutas.
O homem se abaixou para beber.
E a água recuou.
Recuou sozinha, escorrendo para longe dos lábios dele, e sobrou só lama no fundo.
O homem se esticou para pegar uma fruta.
E o galho subiu.
— Senhor? — chamou Shun.
O homem virou o rosto devagar.
— Tem gente — ele disse, com uma voz enferrujada de quem não fala há séculos. — Faz tempo que não tem gente.
— O senhor está bem?
E o velho riu, e foi uma risada horrível.
— Meu nome é Tântalo, menino. Eu roubei da mesa dos deuses há muito tempo e fui mandado para cá.
Ele se abaixou de novo. A água fugiu de novo.
— Água até a cintura e eu nunca bebo. Fruta em cima da cabeça e eu nunca alcanço.
Ele olhou para os cinco.
— É assim que o pai deles castiga. Ele não bate. Ele põe a coisa que você quer bem pertinho e deixa ela ali.
Capítulo 5 — A roda
Mais abaixo, tinha um clarão.
Era uma roda enorme, maior que uma casa, pegando fogo, girando no ar sem parar — e amarrado nela, girando junto, tinha um homem.
Ele passou por eles de cabeça para baixo, depois de lado, depois de pé, depois de cabeça para baixo de novo.
— Boa tarde! — ele gritou, no meio de um giro.
Os cinco pararam.
— Ou bom dia. Eu já perdi isso faz uns quatro mil anos.
— O senhor está pegando fogo — disse Seiya, que não soube o que mais falar.
— Estou! — O homem passou de novo. — Íxion, muito prazer. Eu também fiz uma besteira na mesa dos deuses.
Ele girou mais duas vezes.
— Vocês vão descer até o fundo?
— Vamos.
— Então escutem o que eu vou falar, porque é a única coisa útil que eu tenho.
A roda deu mais uma volta.
— O poço não deixa você descer de graça.
Capítulo 6 — A regra
— Mais embaixo tem portões — disse Íxion, girando. — Nove. Em cada um tem um guarda, e o guarda não luta com vocês.
— Então o que ele faz?
— Ele cobra.
— Cobra o quê? A gente não tem dinheiro, a gente não tem—
— Lembrança.
Os cinco ficaram parados na escada.
— Uma por portão — continuou o homem na roda. — Você escolhe qual. Você entrega. Ela some.
— Some como?
— Some. — A voz dele ficou séria pela primeira vez. — Fica o buraco. Você sabe que tinha alguma coisa ali e não sabe o quê. Para sempre.
Shiryu fechou os olhos.
Porque eles cinco, mais do que qualquer um neste mundo, sabiam exatamente como é esse buraco.
Eles tinham acabado de passar um ano dentro de um.
— E não adianta tentar enganar — disse Íxion, girando. — O guarda sabe o valor. Se você oferecer uma bobagem, ele devolve e pede de novo.
Ele passou de cabeça para baixo mais uma vez.
— Boa sorte, meninos. É bom ver gente.
Capítulo 7 — O primeiro portão
O primeiro portão era um arco de pedra atravessado na escada, com uma figura encapuzada sentada ao lado.
Ela não falou. Só estendeu a mão.
E o Hyoga deu um passo à frente antes de todo mundo.
— Eu vou primeiro.
— Hyoga—
— Eu vou primeiro porque, se eu ficar pensando, eu não faço.
Ele parou na frente da figura e ficou ali um tempo.
E então disse, com a voz bem controlada:
— O navio.
Shiryu levou a mão à boca.
— Hyoga, não.
— É a que vale mais. — Ele continuou olhando para a figura. — Vocês ouviram o cara da roda. Não adianta dar coisa barata.
— Dá outra coisa!
— Qual? — Ele virou o rosto. — Qual outra coisa eu tenho que valha isso?
Ninguém respondeu.
E o Hyoga de Cisne se virou para o guarda e entregou a tarde em que ele abriu um gelo que o mestre dele tinha lacrado, desceu num mar escuro, entrou num navio afundado e disse “mamãe” para uma mulher que dormia há vinte anos.
A figura encostou dois dedos na testa dele.
E o Hyoga piscou.
— …O que a gente estava falando?
— Nada — disse Shiryu, com a voz rouca. — Vamos.
— Eu estava com uma sensação esquisita agora. — Hyoga olhou para trás, para o nada. — Tipo que eu esqueci de alguma coisa importante.
— Vamos, Hyoga.
Capítulo 8 — O portão do Ikki
No terceiro portão foi a vez do Ikki.
Ele chegou na frente do guarda com cara de quem vai resolver rápido.
— A Ilha da Rainha da Morte — ele disse. — Toma. Cinco anos de porrada num vulcão, tudo seu, boa viagem.
A figura encapuzada não se mexeu.
— Toma, eu falei.
Nada.
— TOMA!
E a figura virou a mão, com a palma para cima, e esperou.
Ikki ficou branco.
— Não.
Silêncio.
— Não, essa não. Eu te dou qualquer outra. Eu te dou o treino inteiro, eu te dou dez anos andando pelo mundo, eu te dou—
A mão continuou aberta.
E o Shun, dois degraus acima, entendeu antes do irmão, porque ele sempre entende antes.
— Ikki.
— Não fala nada.
— Ikki, qual é a que ele quer?
E o Ikki de Fênix, com a voz presa, respondeu:
— O degrau.
— Que degrau? — perguntou Seiya.
Ninguém respondeu.
Porque o Shun já estava chorando, e o Ikki estava olhando para o chão, e os dois sabiam exatamente qual.
A noite antes de ele ir embora. Os dois sentados no degrau do orfanato. Um menino de seis anos agarrado na manga da camisa do irmão de dez, chorando sem fazer barulho.
“Para de chorar, Shun. Eu volto. Eu sempre volto.”
“Promete?”
“Promete nada. Eu só volto.”
Era a lembrança mais valiosa que o Ikki tinha no mundo inteiro.
Era, aliás, a única coisa que tinha trazido ele de volta, três semanas antes, numa estufa quebrada.
— Dá outra — disse Shun, correndo degrau abaixo. — Ikki, dá outra.
— Não tem outra.
— Então eu dou! Eu dou duas! Eu dou a minha e—
— Não funciona assim, Shun.
— IKKI!
E o Ikki virou e segurou o rosto do irmão com as duas mãos, igualzinho àquela noite na estufa.
— Olha para mim.
— Não…
— Olha.
Shun olhou.
— Eu vou esquecer aquela noite — disse Ikki. — Mas eu não vou esquecer você. Entendeu? O guarda só leva a noite. Você continua aí.
— Você vai esquecer por que você foi para a ilha.
— Vou.
— Você vai esquecer que você fez aquilo por mim!
E o Ikki respondeu:
— E daí?
Ele soltou o rosto do irmão.
— Eu não fiz aquilo para lembrar depois, Shun. Eu fiz porque era para fazer.
Ele se virou para o guarda e estendeu a mão.
— Toma.
Capítulo 9 — O portão do Shun
Mais abaixo, foi a vez dele.
E o Shun já sabia o que o guarda ia querer antes de chegar perto, porque ele também só tinha uma coisa que valia tudo.
Ele parou na frente da figura.
— Você quer o Hades, né?
A mão se abriu.
— Você quer a única vez na vida em que eu fui forte.
A mão continuou aberta.
E o Shun pensou uma coisa que ele não falou em voz alta, e que foi a coisa mais corajosa daquele dia inteiro.
Ele pensou: se eu entregar isso, não sobra prova nenhuma.
Porque era aquilo que o irmão tinha gritado na estufa. Era aquilo que a Atena tinha gritado na praça. Era a única coisa que o Shun podia segurar quando a voz da cabeça dele dizia que ele era uma porta destrancada.
Você é a única criatura viva que botou um deus para fora de dentro de si mesma.
Era a resposta inteira dele.
E ele ia descer o resto daquele poço sem ela.
— Tudo bem — disse Shun.
E entregou.
Capítulo 10 — O último portão
Eles chegaram no nono portão sem saber direito quantas horas, quantos dias ou quantos anos tinham passado.
Estavam todos mais leves e mais vazios.
O Hyoga não sabia mais por que ele gostava tanto de gelo.
O Shiryu tinha um buraco no lugar de uma cachoeira.
O Ikki não sabia por que ele sentia uma coisa esquisita toda vez que olhava para o irmão caçula sentado num degrau.
O Shun não sabia mais a resposta.
E o Seiya tinha entregado uma estação de trem no Japão, e uma menina acenando nela, e nem lembrava mais que tinha entregado.
O nono portão era diferente dos outros.
Não tinha guarda.
Tinha só um arco de pedra, e uma frase escrita nele — e dessa vez, estranhamente, em letras que eles conseguiam ler:
PARA PASSAR AQUI, DEIXE O MOTIVO.
Shiryu leu duas vezes.
E sentou no chão.
— Ah — ele disse. — Ah, isso é muito inteligente.
— O que é? — perguntou Seiya.
— É o último portão, Seiya. — Shiryu riu, sem graça nenhuma. — Ele não quer uma lembrança qualquer. Ele quer a razão pela qual a gente veio.
Silêncio.
— A gente atravessa esse arco — continuou Shiryu — e chega no fundo do poço mais fundo do mundo sem fazer a menor ideia do que a gente foi fazer lá.
— E aí?
— E aí a gente fica lá. Parado. Olhando em volta. Até desistir e voltar.
Ele olhou para cima, para os nove dias de escada acima deles.
— Esse buraco nunca foi uma prisão para quem está dentro. Ele é uma prisão para quem vem buscar.
Capítulo 11 — O escudo
Ficaram um tempo parados ali.
E foi o Shun — o Shun esgotado, de correntes quebradas, que tinha acabado de entregar a única prova que tinha de si mesmo — quem falou:
— A gente escreve.
Todo mundo olhou para ele.
— Como assim?
— A gente não vai poder lembrar. — Ele apontou para o arco. — Mas ninguém disse que a gente não pode escrever.
Seiya arregalou os olhos.
— Papel não tem.
— Escudo tem.
E o Shiryu de Dragão olhou para o próprio braço esquerdo.
Para o escudo redondo com a cara de dragão esculpida, que nenhum golpe no mundo atravessa, que tinha aguentado uma Ave Fênix à queima-roupa e uma Explosão Galáctica inteira.
— Nada risca isso — disse ele, baixinho.
— Então risca você — disse Ikki, estendendo uma lasca de pedra afiada. — Deus nenhum vai conseguir apagar.
E, sentados no chão, no nono portão do Poço do Tártaro, os cinco escreveram um bilhete para eles mesmos.
Levou horas, porque pedra em metal de armadura é devagar, e porque eles brigaram três vezes sobre o que escrever.
No fim, ficou curto. Curto é melhor.
Shiryu leu em voz alta uma última vez, antes de passar pelo arco:
VOCÊS DESCERAM ATÉ AQUI DE PROPÓSITO.
PROCUREM O HOMEM NO FUNDO. O NOME DELE É ASCLÉPIO.
ELE SABE CURAR O IMPOSSÍVEL E O MUNDO INTEIRO PRECISA DELE.
DIGAM A ELE QUE O PAI DELE PEDIU DESCULPA.
NÃO VOLTEM SEM ELE.
— Pronto — disse Shiryu.
E, antes de passarem, o Seiya falou uma coisa que ficou:
— Gente, vocês perceberam que a gente acabou de fazer a mesma coisa que o Aiolos?
Ninguém tinha percebido.
— Um cara com pouco tempo, riscando uma mensagem numa pedra para alguém que ele nunca vai ver. — Seiya deu de ombros. — Deu certo da outra vez.
E os cinco atravessaram o arco.
Capítulo 12 — O fundo
Eles chegaram no fundo do Poço do Tártaro quase sem fazer barulho.
Era uma caverna redonda, do tamanho de uma cidade, com um chão liso e escuro e um teto que ninguém via.
Os cinco pararam.
E ficaram se olhando.
— …Onde é que a gente está? — perguntou Hyoga.
— Eu não sei — disse Seiya.
— Como assim você não sabe?
— Eu não sei! — Ele girou, olhando em volta, com um começo de pânico na voz. — Eu lembro de descer. Eu lembro da escada. Eu lembro de um cara pegando fogo numa roda.
Ele apertou a cabeça.
— Eu não lembro por quê.
— Nem eu.
— Nem eu.
E os cinco ficaram parados no lugar mais fundo do mundo, cercados de escuro, sem fazer a menor ideia do que estavam fazendo ali — exatamente como o poço tinha planejado desde o começo dos tempos.
Por uns bons vinte segundos.
E então o Shiryu olhou para o braço esquerdo.
— Gente.
— O quê?
— Tem uma coisa escrita no meu escudo.
Ele leu em voz alta, no escuro, com a voz tremendo um pouco.
E, quando chegou na última linha — não voltem sem ele —, o Seiya soltou uma gargalhada que ecoou pela caverna inteira.
— A GENTE É MUITO BOM!
— A gente é muito bom — concordou Shiryu, rindo também, de alívio.
E o Ikki, que tinha ficado quieto, disse:
— Então tem alguém aqui.
Todo mundo parou de rir.
E, no escuro, do outro lado da caverna, bem longe, uma coisa se mexeu.
Fez um som pequeno. Um som de corrente velha arrastando no chão.
E uma voz — rouca, baixa, usada, de alguém que não fala há muito mais tempo do que existe gente para conversar — disse:
— Vocês leram alto demais.
Pausa.
— Eu ouvi a parte do meu pai.
O Fim do Episódio 18
A lição desta noite
Hoje eles pagaram caro de verdade, e vale parar nisso antes de qualquer outra coisa.
O Hyoga entregou a mãe dele. O Ikki entregou a noite no degrau do orfanato. O Shun entregou a única prova que ele tinha de que não era fraco.
Eles passaram cinco episódios inteiros lutando para recuperar essas lembranças — e aí desceram num buraco e deram tudo de volta, de propósito, um por um.
Isso é o que custa fazer uma coisa grande. Não é só coragem na hora do perigo. Quase sempre é entregar alguma coisa que você ama e seguir andando.
Mas a lição principal de hoje é outra, e ela é prática.
O último portão era inteligente demais. Ele não pedia uma lembrança qualquer: pedia o motivo. E um grupo que chega no fundo sem saber por que veio simplesmente dá meia-volta.
Esse portão funcionou por milhares de anos. Ninguém nunca resgatou ninguém daquele poço.
E ele foi derrotado por uma ideia de um rapaz exausto, com as correntes quebradas, que não tinha mais força nenhuma para lutar:
“A gente escreve.”
Esse é um dos truques mais úteis que existem na vida, e ele não é de herói — é de gente comum, todo dia.
A sua cabeça esquece. A cabeça de todo mundo esquece. A gente esquece o que prometeu, esquece a ideia boa que teve no banho, esquece por que começou uma coisa difícil no meio dela.
Então a gente escreve.
No papel. No caderno. Num bilhete na porta da geladeira. Num recado para a pessoa que você vai ser amanhã de manhã.
E repara que já aconteceu uma vez nessa história.
Um homem chamado Aiolos, com segundos de vida, riscou quatro linhas numa parede de pedra. Ele não ia estar vivo para ver ninguém ler. Parecia inútil.
Treze anos depois, aquelas quatro linhas derrotaram uma deusa.
O que você escreve dura mais do que o que você lembra.
Fim do Episódio 18. A aventura continua.
Boa noite, pequeno guerreiro. Amanhã: o homem que está preso há mais tempo do que o mundo tem gente, e que ainda sabe curar.
14+ · Indicação editorial deste site. Leitura recomendada a partir de 14 anos, com conflitos, violência e morte em contexto ficcional. Não é classificação oficial.
Obra original: Saint Seiya, de Masami Kurumada. Adaptação e continuação narrativa de fã preparadas por Rafael com auxílio de inteligência artificial. Projeto independente, sem vínculo oficial com os titulares da obra.