{"id":4002,"date":"2026-11-01T08:09:56","date_gmt":"2026-11-01T11:09:56","guid":{"rendered":"https:\/\/passadopresentefuturo.com\/index.php\/saga-dos-ceus\/episodio-02\/"},"modified":"2026-11-01T08:09:56","modified_gmt":"2026-11-01T11:09:56","slug":"episodio-02","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/passadopresentefuturo.com\/index.php\/saga-dos-ceus\/episodio-02\/","title":{"rendered":"Epis\u00f3dio 2: A Constela\u00e7\u00e3o de P\u00e9gaso"},"content":{"rendered":"<style>\n.sdc-wrap{--ink:#18252d;--muted:#5b6570;--gold:#b88730;--green:#116458;--paper:#fbfaf6;color:var(--ink);font:18px\/1.78 Georgia,serif;max-width:820px;margin:0 auto;padding:10px 0 48px}.sdc-wrap *{box-sizing:border-box}.sdc-wrap h1,.sdc-wrap h2,.sdc-wrap h3{line-height:1.23;color:#14222a}.sdc-wrap h1{font-size:clamp(34px,6vw,54px);letter-spacing:-.035em;margin:.25em 0 .55em}.sdc-wrap h2{font-size:clamp(25px,4vw,33px);margin:2.2em 0 .7em}.sdc-wrap h3{font-size:22px;margin:1.8em 0 .55em}.sdc-eyebrow,.sdc-meta,.sdc-nav,.sdc-note,.sdc-card small,.sdc-credits{font-family:system-ui,sans-serif}.sdc-eyebrow{font-size:12px;font-weight:700;letter-spacing:.13em;text-transform:uppercase;color:#80652f}.sdc-hero{width:100%;aspect-ratio:16\/9;object-fit:cover;border-radius:14px;margin:18px 0 24px;background:#0c332f}.sdc-lead{font-size:21px;line-height:1.65}.sdc-note{border-left:5px solid var(--gold);background:#f3ecdc;padding:17px 20px;margin:26px 0;font-size:15px;line-height:1.58}.sdc-note p{margin:.4em 0}.sdc-note-imagined{border-color:var(--green);background:#e8f1ed}.sdc-credits{font-size:14px;line-height:1.6;color:var(--muted);margin:26px 0}.sdc-nav{display:flex;justify-content:space-between;gap:12px;flex-wrap:wrap;border-top:1px solid #d8d3c7;border-bottom:1px solid #d8d3c7;padding:15px 0;margin:28px 0;font-size:15px}.sdc-nav a{font-weight:650}.sdc-grid{display:grid;grid-template-columns:repeat(auto-fit,minmax(235px,1fr));gap:13px;padding:0;list-style:none}.sdc-card{display:block;height:100%;padding:16px 18px;border:1px solid #ddd6c8;border-radius:10px;background:#fff;text-decoration:none!important;box-shadow:0 3px 12px rgba(22,34,42,.04)}.sdc-card:hover{border-color:var(--gold);transform:translateY(-1px)}.sdc-card small{display:block;color:var(--green);font-size:11px;font-weight:800;letter-spacing:.1em;margin-bottom:4px}.sdc-card strong{color:#192b31}.sdc-divider{border:0;border-top:1px solid #d8d3c7;margin:42px auto;width:100px}.sdc-wrap blockquote{border-left:4px solid #c8b17b;margin:1.5em 0;padding:.25em 0 .25em 1.2em;color:#3f4b52}.sdc-wrap hr{border:0;border-top:1px solid #d8d3c7;margin:38px auto;width:90px}.sdc-wrap p{overflow-wrap:break-word}.sdc-kicker{display:inline-block;border:1px solid #bcd1ca;border-radius:999px;padding:5px 11px;color:var(--green);font:700 12px\/1.2 system-ui,sans-serif;letter-spacing:.04em}.sdc-wrap a{color:#165c75;text-underline-offset:3px}@media(max-width:520px){.sdc-wrap{font-size:18px}.sdc-nav a{width:100%}.sdc-hero{border-radius:8px}}\n.sdc-episode-hero{width:100%;aspect-ratio:16\/9;object-fit:cover;border-radius:14px;margin:20px 0 10px;background:#0c332f}.sdc-card{padding:0;overflow:hidden}.sdc-card img{display:block;width:100%;aspect-ratio:16\/9;object-fit:cover}.sdc-card span{display:block;padding:13px 16px 16px}@media(max-width:520px){.sdc-episode-hero{border-radius:8px}}\n<\/style>\n<article class=\"sdc-wrap\">\n<p class=\"sdc-eyebrow\">Passado Presente Futuro \u00b7 Saga dos C\u00e9us<\/p>\n<p><span class=\"sdc-kicker\">Hist\u00f3ria adaptada \u00b7 parte publicada<\/span><\/p>\n<h1>Epis\u00f3dio 2: A Constela\u00e7\u00e3o de P\u00e9gaso<\/h1>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"sdc-episode-hero\" src=\"https:\/\/passadopresentefuturo.com\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/saga-dos-ceus-episodio-02.webp\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o do epis\u00f3dio 2: A Constela\u00e7\u00e3o de P\u00e9gaso\"><\/p>\n<nav class=\"sdc-nav\" aria-label=\"Navega\u00e7\u00e3o entre epis\u00f3dios\"><a href=\"\/index.php\/saga-dos-ceus\/episodio-01\/\">\u2190 Epis\u00f3dio 1<\/a><a href=\"\/index.php\/saga-dos-ceus\/\">Todos os epis\u00f3dios<\/a><a href=\"\/index.php\/saga-dos-ceus\/episodio-03\/\">Epis\u00f3dio 3 \u2192<\/a><\/nav>\n<aside class=\"sdc-note\"><strong>Sobre esta parte<\/strong><\/p>\n<p>Adapta\u00e7\u00e3o narrativa de f\u00e3 baseada nas fases publicadas da obra. Cr\u00e9dito ao final da p\u00e1gina.<\/p>\n<\/aside>\n<p><em>Fase 2 do mang\u00e1.<\/em><\/p>\n<hr>\n<h2>Cap\u00edtulo 1 \u2014 O Nome que Escapou<\/h2>\n<p>Seiya subiu o \u00faltimo degrau com o chap\u00e9u na m\u00e3o.<\/p>\n<p>A mulher estava sentada ali, no meio das ru\u00ednas, com o rosto molhado. Quando percebeu que havia algu\u00e9m, se levantou depressa e limpou os olhos com as costas da m\u00e3o, do jeito que a gente faz quando n\u00e3o quer ser vista chorando.<\/p>\n<p>\u2014 Desculpa \u2014 ele disse, meio sem jeito. \u2014 Isso aqui caiu l\u00e1 embaixo na estrada. Achei que fosse seu.<\/p>\n<p>Ela olhou para o chap\u00e9u. Depois para ele.<\/p>\n<p>E, ent\u00e3o, aconteceu.<\/p>\n<p>\u2014 <strong>Seiya.<\/strong><\/p>\n<p>A palavra saiu da boca dela antes de passar pela cabe\u00e7a. Sem pensar, sem hesitar, como quem chama algu\u00e9m de casa.<\/p>\n<p>Os dois ficaram parados.<\/p>\n<p>\u2014 Como&hellip; \u2014 Seiya franziu a testa. \u2014 Como voc\u00ea sabe meu nome? A gente j\u00e1 se conheceu?<\/p>\n<p>E Saori abriu a boca para responder.<\/p>\n<p>E n\u00e3o veio nada.<\/p>\n<p>Nada mesmo. Ela procurou dentro de si o lugar de onde aquele nome tinha sa\u00eddo, e encontrou um buraco. Sabia o nome. N\u00e3o sabia por qu\u00ea. N\u00e3o sabia quem ele era, nem onde tinha visto aquele rosto, nem por que o cora\u00e7\u00e3o dela tinha disparado ao ouvir a pr\u00f3pria voz dizer aquilo.<\/p>\n<p>\u2014 Eu&hellip; \u2014 A voz dela falhou. \u2014 Eu n\u00e3o sei.<\/p>\n<p>\u2014 Como assim n\u00e3o sabe?<\/p>\n<p>\u2014 <strong>Eu n\u00e3o sei!<\/strong><\/p>\n<p>Ela recuou um passo, levando as m\u00e3os \u00e0 cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>Porque, naquele instante, ela entendeu de verdade, pela primeira vez, o tamanho do que tinha perdido.<\/p>\n<p>N\u00e3o era um detalhe esquecido. N\u00e3o era um nome que ia voltar depois. Havia uma vida inteira faltando dentro dela \u2014 pessoas, rostos, coisas importantes \u2014 e ela estava ali, numa ru\u00edna, sem conseguir alcan\u00e7ar nenhuma delas.<\/p>\n<p>\u2014 Ei. Ei, calma. \u2014 Seiya deu um passo \u00e0 frente, sem saber o que fazer com as m\u00e3os. \u2014 Est\u00e1 tudo bem.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o est\u00e1.<\/p>\n<p>Ela pegou o chap\u00e9u da m\u00e3o dele, murmurou um obrigada que mal se ouviu, e desceu as escadarias quase correndo.<\/p>\n<p>Seiya ficou l\u00e1 em cima, sozinho, olhando ela ir embora.<\/p>\n<p>E n\u00e3o conseguiu explicar nem para si mesmo por que aquilo doeu.<\/p>\n<hr>\n<h2>Cap\u00edtulo 2 \u2014 Jantar em Rodorio<\/h2>\n<p>Naquela noite, na casa pequena onde morava, Seiya remexia a comida no prato sem comer.<\/p>\n<p>\u2014 Voc\u00ea est\u00e1 estranho \u2014 disse a irm\u00e3, do outro lado da mesa.<\/p>\n<p>Seika era mais velha, cuidava da casa, e conhecia aquele sil\u00eancio ali.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o \u00e9 nada.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 alguma coisa.<\/p>\n<p>Ele largou o garfo.<\/p>\n<p>\u2014 Eu conheci uma mo\u00e7a hoje. L\u00e1 em cima, nas ru\u00ednas.<\/p>\n<p>E a colher de Seika parou no ar.<\/p>\n<p>Foi r\u00e1pido. Meio segundo, talvez menos. Ela voltou a mexer a sopa como se nada tivesse acontecido \u2014 mas o rosto dela tinha mudado de cor.<\/p>\n<p>\u2014 Uma mo\u00e7a \u2014 ela repetiu, com a voz muito controlada.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9. Ela sabia o meu nome, Seika. Ela <strong>sabia o meu nome<\/strong> e n\u00e3o sabia explicar como.<\/p>\n<p>\u2014 Deve ter ouvido de algu\u00e9m na vila.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o foi isso. \u2014 Seiya balan\u00e7ou a cabe\u00e7a. \u2014 Eu n\u00e3o sei explicar. Foi como&hellip; como quando voc\u00ea acorda de um sonho e sabe que estava sonhando com alguma coisa importante, mas n\u00e3o lembra o qu\u00ea.<\/p>\n<p>Seika n\u00e3o respondeu na hora.<\/p>\n<p>Ela ficou olhando para a panela, e Seiya n\u00e3o viu \u2014 porque estava olhando para o pr\u00f3prio prato \u2014 que os olhos dela estavam brilhando de um jeito diferente.<\/p>\n<p>\u2014 Seiya.<\/p>\n<p>\u2014 Hum?<\/p>\n<p>\u2014 Fica longe daquelas ru\u00ednas.<\/p>\n<p>Ele ergueu a cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>\u2014 Por qu\u00ea?<\/p>\n<p>\u2014 Porque voc\u00ea tem trabalho, tem conta pra pagar, e aquele lugar \u00e9 perigoso. \u2014 Ela se levantou e levou a panela para a pia, de costas para ele. \u2014 S\u00f3 isso.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o era s\u00f3 isso, e os dois sabiam.<\/p>\n<hr>\n<h2>Cap\u00edtulo 3 \u2014 O Mundo Sem Dona<\/h2>\n<p>O que Seiya n\u00e3o sabia \u2014 o que ningu\u00e9m em Rodorio sabia direito \u2014 era que o mundo inteiro tinha ficado estranho no \u00faltimo ano.<\/p>\n<p>N\u00e3o de um jeito espetacular. De um jeito lento e feio.<\/p>\n<p>Roubos onde nunca houve. Brigas que n\u00e3o terminavam. Gente saindo de casa com medo e voltando com mais medo ainda. Vilas que sempre deixaram a porta destrancada agora trancavam.<\/p>\n<p>Era como se alguma coisa que segurava as pessoas por dentro tivesse afrouxado.<\/p>\n<p>E tinha mesmo.<\/p>\n<p>Porque a deusa que protege o amor e a justi\u00e7a na Terra havia desaparecido \u2014 n\u00e3o morrido, n\u00e3o sido derrotada, apenas <strong>sumido<\/strong>, virado uma mo\u00e7a comum que n\u00e3o lembra de nada \u2014 e, sem ela, o mundo ficou sem quem segurasse a corda.<\/p>\n<p>No dia seguinte, Seiya descobriu isso na pr\u00e1tica.<\/p>\n<hr>\n<h2>Cap\u00edtulo 4 \u2014 Os Homens na Estrada<\/h2>\n<p>Ele estava voltando do trabalho, empoeirado de carregar pedra, quando ouviu um grito na estrada.<\/p>\n<p>E n\u00e3o pensou. Correu.<\/p>\n<p>O que encontrou na curva foi uma mo\u00e7a encurralada contra uma pedra \u2014 a mesma das ru\u00ednas \u2014 e sete ou oito homens fechando o c\u00edrculo em volta dela.<\/p>\n<p>E havia alguma coisa muito errada com aqueles homens.<\/p>\n<p>Eles se moviam devagar demais e r\u00e1pido demais ao mesmo tempo. Os olhos estavam vazios, com aquele branco leitoso de quem n\u00e3o est\u00e1 exatamente acordado. N\u00e3o falavam. S\u00f3 avan\u00e7avam, todos juntos, como se estivessem sendo puxados por um fio invis\u00edvel.<\/p>\n<p>\u2014 <strong>EI!<\/strong><\/p>\n<p>Seiya entrou no meio deles.<\/p>\n<p>O primeiro veio por cima, e Seiya desviou e acertou um soco na lateral do corpo dele \u2014 um soco de garoto de vila, sem t\u00e9cnica nenhuma, dado com a raiva de quem carrega pedra o dia inteiro.<\/p>\n<p>O sujeito voou dois metros.<\/p>\n<p>Seiya ficou t\u00e3o surpreso quanto ele.<\/p>\n<p><em>Eu bati assim t\u00e3o forte?<\/em><\/p>\n<p>N\u00e3o teve tempo de pensar. Vieram dois pelas costas, e ele girou, e o corpo dele fez uma coisa que ele n\u00e3o tinha decidido fazer \u2014 um movimento limpo, econ\u00f4mico, de quem j\u00e1 fez aquilo dez mil vezes.<\/p>\n<p>Os dois ca\u00edram.<\/p>\n<p>E foi assim, um atr\u00e1s do outro, at\u00e9 n\u00e3o sobrar ningu\u00e9m em p\u00e9 na estrada.<\/p>\n<p>Seiya ficou parado no meio da poeira, ofegante, olhando as pr\u00f3prias m\u00e3os.<\/p>\n<p>\u2014 Como \u00e9 que eu fiz isso?<\/p>\n<hr>\n<h2>Cap\u00edtulo 5 \u2014 O Rapaz da Floricultura<\/h2>\n<p>\u2014 Voc\u00ea n\u00e3o devia ter feito isso sozinho.<\/p>\n<p>A voz veio de tr\u00e1s. Seiya se virou.<\/p>\n<p>Era um rapaz de cabelos verdes, com um jeito calmo de falar, segurando uma caixa de madeira cheia de flores.<\/p>\n<p>\u2014 Shun! \u2014 Seiya soltou o ar, aliviado. \u2014 Cara, cad\u00ea voc\u00ea quando eu preciso?<\/p>\n<p>\u2014 Trazendo encomenda. \u2014 Shun pousou a caixa no ch\u00e3o e olhou para os homens ca\u00eddos. \u2014 Eles est\u00e3o vivos?<\/p>\n<p>\u2014 Acho que sim. \u2014 Seiya co\u00e7ou a cabe\u00e7a. \u2014 Eles estavam esquisitos, Shun. Olha os olhos deles.<\/p>\n<p>Shun se ajoelhou e olhou.<\/p>\n<p>E ficou s\u00e9rio.<\/p>\n<p>\u2014 Est\u00e1 acontecendo em toda parte \u2014 ele disse, se levantando. \u2014 No m\u00eas passado foi numa vila vizinha. Antes disso, numa cidade do litoral. Gente comum acordando de um jeito que n\u00e3o \u00e9 delas e fazendo coisas que nunca fariam.<\/p>\n<p>\u2014 Por qu\u00ea?<\/p>\n<p>Shun olhou para o horizonte, e a resposta dele foi estranhamente adulta para um rapaz de floricultura.<\/p>\n<p>\u2014 Meu av\u00f4 dizia que existe uma coisa segurando o mundo por dentro. Que a gente n\u00e3o v\u00ea, n\u00e3o sente, n\u00e3o sabe o nome \u2014 mas que est\u00e1 l\u00e1, e que enquanto estiver, as pessoas n\u00e3o caem. \u2014 Ele deu de ombros. \u2014 E que, se um dia isso soltar, a gente vai descobrir do pior jeito poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Seiya olhou para ele.<\/p>\n<p>\u2014 E voc\u00ea acha que soltou?<\/p>\n<p>\u2014 Eu acho que soltou faz mais ou menos um ano.<\/p>\n<p>Nenhum dos dois lembrava, mas os dois tinham raz\u00e3o \u2014 e eles se conheciam havia muito, muito mais tempo do que qualquer um dos dois imaginava.<\/p>\n<hr>\n<h2>Cap\u00edtulo 6 \u2014 O C\u00e3o do Purgat\u00f3rio<\/h2>\n<p>Muito abaixo do mundo, nas ru\u00ednas do Inferno, Jean de \u00d3rthros estava de joelhos diante da deusa Ker.<\/p>\n<p>\u2014 Os corpos que a senhora me emprestou falharam \u2014 ele reportou. \u2014 Havia um rapaz na estrada. Ele derrubou todos os oito.<\/p>\n<p>Ker ergueu uma sobrancelha.<\/p>\n<p>\u2014 Um rapaz derrubou oito homens possu\u00eddos.<\/p>\n<p>\u2014 Um rapaz <strong>comum<\/strong>, minha senhora. Sem armadura. Sem cosmo aceso. Um trabalhador de vila.<\/p>\n<p>E a\u00ed Ker se inclinou para a frente, e havia interesse de verdade no rosto dela pela primeira vez.<\/p>\n<p>\u2014 N\u00e3o. \u2014 Ela sorriu devagar. \u2014 N\u00e3o existe trabalhador de vila que derrube oito homens.<\/p>\n<p>Ela se levantou do trono de pedra quebrada.<\/p>\n<p>\u2014 Existem guerreiros que <strong>esqueceram que s\u00e3o guerreiros<\/strong>. E isso \u00e9 uma coisa bem diferente.<\/p>\n<p>Jean ergueu a cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>\u2014 A senhora acha que ele \u00e9&hellip;<\/p>\n<p>\u2014 Eu acho que a deusa n\u00e3o caiu sozinha \u2014 disse Ker, caminhando entre os escombros. \u2014 Eu acho que eles todos ca\u00edram junto com ela. Os Cavaleiros dela. Todos. Vivos, andando por a\u00ed, sem lembrar de nada.<\/p>\n<p>Ela parou.<\/p>\n<p>\u2014 E, se um deles derrubou oito dos meus, ent\u00e3o a mem\u00f3ria deles est\u00e1 come\u00e7ando a acordar.<\/p>\n<p>\u2014 O que a senhora ordena?<\/p>\n<p>Ker olhou para cima, na dire\u00e7\u00e3o da superf\u00edcie.<\/p>\n<p>\u2014 Encontre a deusa. \u2014 A voz dela ficou fria. \u2014 Antes que ela lembre quem \u00e9. Porque, no dia em que ela lembrar, os outros lembram junto \u2014 e a\u00ed n\u00f3s perdemos de novo.<\/p>\n<hr>\n<h2>Cap\u00edtulo 7 \u2014 Treze Estrelas<\/h2>\n<p>Naquela noite, Saori n\u00e3o conseguiu dormir.<\/p>\n<p>Ela saiu do pequeno quarto onde estava hospedada, sentou-se na soleira da porta e ficou olhando o c\u00e9u de Rodorio \u2014 que \u00e9 limpo e cheio de estrelas de um jeito que c\u00e9u de cidade n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<p>E os olhos dela pararam num lugar espec\u00edfico.<\/p>\n<p>N\u00e3o foi escolha. Foi como quando a gente entra numa sala cheia e o olhar vai direto numa pessoa.<\/p>\n<p>Havia um conjunto de estrelas ali, perto do horizonte, formando um desenho que ela n\u00e3o sabia nomear. Treze pontos de luz, espalhados de um jeito que, se voc\u00ea ligasse com linhas, daria mais ou menos a forma de um cavalo.<\/p>\n<p>Um cavalo com asas.<\/p>\n<p>Saori n\u00e3o conseguia tirar os olhos daquilo.<\/p>\n<p>E, sem entender nada \u2014 sem lembrar nada \u2014 ela come\u00e7ou a chorar de novo.<\/p>\n<p>\u2014 Eu conhe\u00e7o voc\u00ea \u2014 sussurrou para o c\u00e9u. \u2014 Eu conhe\u00e7o voc\u00ea de algum lugar.<\/p>\n<p>As estrelas n\u00e3o responderam.<\/p>\n<p>Mas, do outro lado da vila, num quarto pequeno, um rapaz que tinha carregado pedra o dia inteiro acordou de repente no meio da noite \u2014 sem motivo nenhum \u2014 com o peito quente.<\/p>\n<p>Ele levou a m\u00e3o ao esterno, confuso.<\/p>\n<p>Estava quente ali. Quente de verdade, como se tivesse alguma coisa acesa por dentro.<\/p>\n<p>Durou uns segundos e passou.<\/p>\n<p>Seiya olhou para a janela, para o c\u00e9u, franziu a testa, e voltou a deitar.<\/p>\n<p>\u2014 Que esquisito \u2014 murmurou.<\/p>\n<p>E dormiu.<\/p>\n<hr>\n<h2>O Fim do Epis\u00f3dio 2<\/h2>\n<p>Repare no que est\u00e1 acontecendo aqui, porque \u00e9 diferente de tudo o que a gente viu nessas hist\u00f3rias at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>N\u00e3o tem batalha \u00e9pica. N\u00e3o tem armadura brilhando. N\u00e3o tem golpe com nome.<\/p>\n<p>Tem uma mo\u00e7a que chora sem saber por qu\u00ea. Um rapaz que derruba oito homens e fica assustado com a pr\u00f3pria for\u00e7a. E um c\u00e9u com treze estrelas que algu\u00e9m reconhece sem conseguir explicar como.<\/p>\n<p>Isso porque a mem\u00f3ria n\u00e3o vai embora de vez. Ela fica em algum lugar mais fundo do que as lembran\u00e7as \u2014 num lugar que n\u00e3o usa palavras.<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que a Saori chamou o nome dele antes de pensar. \u00c9 por isso que o corpo do Seiya sabia lutar antes da cabe\u00e7a dele lembrar.<\/p>\n<p>E \u00e9 por isso que uma deusa m\u00e1, l\u00e1 no fundo do mundo, ficou preocupada quando soube que um trabalhador de vila derrubou oito homens numa estrada.<\/p>\n<p>Porque ela entendeu na hora o que aquilo significava: <strong>eles est\u00e3o come\u00e7ando a acordar.<\/strong><\/p>\n<p><em>Fim do Epis\u00f3dio 2. A aventura continua.<\/em><\/p>\n<hr>\n<p><em>Boa noite, pequeno guerreiro. Amanh\u00e3 a hist\u00f3ria continua.<\/em><\/p>\n<p class=\"sdc-credits\"><strong>14+ \u00b7 Indica\u00e7\u00e3o editorial deste site.<\/strong> Leitura recomendada a partir de 14 anos, com conflitos, viol\u00eancia e morte em contexto ficcional. N\u00e3o \u00e9 classifica\u00e7\u00e3o oficial.<\/p>\n<p class=\"sdc-credits\">Obra original: <cite>Saint Seiya<\/cite>, de Masami Kurumada. Adapta\u00e7\u00e3o e continua\u00e7\u00e3o narrativa de f\u00e3 preparadas por Rafael com aux\u00edlio de intelig\u00eancia artificial. Projeto independente, sem v\u00ednculo oficial com os titulares da obra.<\/p>\n<nav class=\"sdc-nav\" aria-label=\"Navega\u00e7\u00e3o entre epis\u00f3dios\"><a href=\"\/index.php\/saga-dos-ceus\/episodio-01\/\">\u2190 Epis\u00f3dio 1<\/a><a href=\"\/index.php\/saga-dos-ceus\/\">Todos os epis\u00f3dios<\/a><a href=\"\/index.php\/saga-dos-ceus\/episodio-03\/\">Epis\u00f3dio 3 \u2192<\/a><\/nav>\n<\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Passado Presente Futuro \u00b7 Saga dos C\u00e9us Hist\u00f3ria adaptada \u00b7 parte publicada Epis\u00f3dio 2: A Constela\u00e7\u00e3o de P\u00e9gaso \u2190 Epis\u00f3dio 1Todos os epis\u00f3diosEpis\u00f3dio 3 \u2192 Sobre esta parte Adapta\u00e7\u00e3o narrativa de f\u00e3 baseada nas fases publicadas da obra. Cr\u00e9dito ao final da p\u00e1gina. Fase 2 do mang\u00e1. Cap\u00edtulo 1 \u2014 O Nome que Escapou Seiya&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"parent":4000,"menu_order":2,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_kad_blocks_custom_css":"","_kad_blocks_head_custom_js":"","_kad_blocks_body_custom_js":"","_kad_blocks_footer_custom_js":"","_kadence_starter_templates_imported_post":false,"_kad_post_transparent":"","_kad_post_title":"hide","_kad_post_layout":"fullwidth","_kad_post_sidebar_id":"","_kad_post_content_style":"unboxed","_kad_post_vertical_padding":"","_kad_post_feature":"","_kad_post_feature_position":"","_kad_post_header":false,"_kad_post_footer":false,"_kad_post_classname":"","footnotes":""},"class_list":["post-4002","page","type-page","status-publish","hentry"],"taxonomy_info":[],"featured_image_src_large":false,"author_info":{"display_name":"Rafael Vinicius Otsuzi","author_link":"https:\/\/passadopresentefuturo.com\/author\/dr-rafael-otsuzi\/"},"comment_info":0,"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/passadopresentefuturo.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4002","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/passadopresentefuturo.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/passadopresentefuturo.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/passadopresentefuturo.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/passadopresentefuturo.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4002"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/passadopresentefuturo.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4002\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4024,"href":"https:\/\/passadopresentefuturo.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4002\/revisions\/4024"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/passadopresentefuturo.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/4000"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/passadopresentefuturo.com\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4002"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}