Volume 3: A Deusa que Chegou Chorando

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Volume 03 · A Deusa que Chegou Chorando

Obra original: Saint Seiya: Next Dimension, de Masami Kurumada. Adaptação narrativa de fã preparada por Rafael com auxílio de inteligência artificial. Projeto independente, sem vínculo oficial com os titulares da obra.

Capítulo 1 — A Corrente que se Partiu

A travessia não foi como Saori imaginava.

Dentro do portal, não havia estrada nem caminho. Havia um redemoinho de galáxias girando em velocidades diferentes, nebulosas se abrindo e fechando, e o tempo passando de um jeito que nenhum corpo humano foi feito para atravessar.

Saori e Shun estavam de mãos dadas, com os pulsos amarrados pela corrente de flores.

E, no meio da turbulência, a corrente arrebentou.

SHUN!

SAORI!

As duas mãos se soltaram, e os dois foram arrastados para direções opostas, cada um sumindo dentro de uma cor diferente.

Muito longe dali, numa casa que não fica em lugar nenhum, o deus do Tempo observava aquilo.

E a bruxa Hécate — que tinha conseguido voltar, ferida e apavorada — arregalou os olhos ao ver o que ele estava fazendo.

— O senhor… o senhor mexeu nos telômeros dela?

Cronos não respondeu.

Telômeros são umas pontinhas que existem dentro de cada célula do corpo, e são elas que contam a nossa idade. É como se cada pessoa tivesse um relógio invisível dentro de si, e o telômero fosse o ponteiro.

Cronos tinha mexido no ponteiro de Atena.

Por travessura. Só isso. Porque deuses antigos acham graça em coisas que fazem pessoas chorarem.

— Ela não vai ter chance — sussurrou Hécate. — Ela não vai ter a menor chance.


Capítulo 2 — Uma Luz Cai no Altar

No Santuário do século XVIII, era noite.

E, de repente, deixou de ser.

Um cosmo imenso riscou o céu, atravessou as nuvens e caiu direto sobre o Altar de Atena, no ponto mais alto de todo o Santuário — com uma luz tão forte que os guardas nas escadarias tiveram que tapar os olhos.

Nas Doze Casas, todos sentiram.

— O que foi isso?! — Dohko já estava correndo.

— Fique aqui! — gritou Shion. — Alguém precisa defender a Casa de Áries!

Tenma tentou subir atrás deles e foi barrado por dois guardas.

— Só Cavaleiros de Ouro passam da primeira casa, garoto.

— Mas eu…!

Só Cavaleiros de Ouro.

Lá no alto, três armaduras douradas chegaram ao Altar quase ao mesmo tempo: Ox de Touro, Izō de Capricórnio e Shijima de Virgem — o homem mais silencioso do Santuário, chamado por todos de "aquele que está mais perto dos deuses".

O que eles encontraram não era um guerreiro.

Não era uma deusa de armadura, nem uma mulher adulta, nem sequer uma criança.

Era um bebê.

Um bebê recém-nascido, deitado sobre a pedra fria do altar, chorando com todo o pulmão que tinha.

Os três Cavaleiros de Ouro ficaram parados, sem saber o que fazer com as próprias mãos.

— Isso é… — Ox baixou a voz, como se falar alto fosse quebrar alguma coisa. — Isso é Atena?

Shijima se ajoelhou devagar, fechou os olhos e sentiu o cosmo daquela criança.

E abriu os olhos de novo, sem conseguir esconder o espanto.

— É ela.


Capítulo 3 — O Mau Pressentimento

O Grande Mestre chegou logo depois.

Ele desceu os degraus do Altar com as vestes solenes esvoaçando, olhou para o bebê no chão, e estendeu os braços.

— Deem-na a mim.

Shijima hesitou meio segundo antes de entregar.

— O exército de Hades vai querer matá-la assim que souber que ela nasceu — disse o Grande Mestre, acomodando a criança. — Ela precisa ficar comigo, no Palácio. Vocês três, voltem para as suas Casas. Agora.

Ox obedeceu. Izō obedeceu.

Shijima ficou parado mais um instante, olhando as costas do Grande Mestre subindo com o bebê nos braços.

E sentiu uma coisa gelada no fundo do peito, que ele não conseguiu explicar nem para si mesmo.

Por que eu não gostei disso?

Ele não tinha resposta. Só o pressentimento.


Capítulo 4 — A Ordem no Castelo

No Castelo de Hades, a notícia chegou rápido.

— A deusa nasceu — informou um Espectro, ajoelhado. — No Santuário. É um bebê.

Pandora recebeu a informação sem mudar de expressão.

— Um bebê — ela repetiu. — Que conveniente.

Ela se virou para o corredor onde os Juízes esperavam.

— Suikyo.

O Juiz de Garuda deu um passo à frente.

— Você conhece o Santuário melhor que qualquer um de nós — disse Pandora. — Conhece as escadarias, as casas, os atalhos. Você era um deles.

Ela sorriu.

— Vá lá e mate a criança.

E foi aí que Vermeer perdeu a paciência.

— Pandora, isso é loucura! — Ele deu um passo à frente. — Ele foi um Cavaleiro de Atena! Você vai mandar justamente ele matar a deusa que ele serviu a vida inteira?!

— Vou.

— E se ele trair?

Pandora olhou para Vermeer com o desprezo educado de quem explica uma coisa óbvia para alguém devagar.

— Meu caro Vermeer. — Ela voltou a se sentar. — Nós temos peças dentro do Santuário. Peças que ninguém lá desconfia. Se tudo correr como eu espero, aquele lugar vai ser destruído de dentro antes mesmo de o Suikyo chegar na primeira escadaria.

Vermeer ficou em silêncio.

E, no corredor, Suikyo saiu sem dizer uma palavra.


Capítulo 5 — A Adaga

No alto do Palácio do Grande Mestre, na sala mais silenciosa do Santuário, uma coisa terrível estava para acontecer.

O bebê Atena dormia sobre uma pedra, diante da grande Estátua de Atena.

E o Grande Mestre estava de pé ao lado dela.

Com uma adaga na mão.

Ele ergueu a lâmina devagar, sem pressa nenhuma, com a calma de quem faz uma tarefa há muito tempo planejada.

O homem encarregado de proteger a deusa era o homem que ia matá-la.

A adaga chegou ao ponto mais alto.

E parou.

Porque, naquele exato instante, uma segunda luz riscou o céu do Santuário e caiu com estrondo em algum lugar lá embaixo.

O Grande Mestre virou o rosto para a janela, franzindo a testa.

— Mais um?


Capítulo 6 — O Rapaz Caído no Coliseu

Shun tinha caído no meio do velho Coliseu do Santuário, abrindo uma cratera na areia.

Ele levantou tossindo, tonto, com a armadura empoeirada.

E, quando a poeira baixou, estava cercado.

Vinte guardas, lanças apontadas, formando um círculo fechado ao redor dele.

— Quem é você?!

— Esperem, eu posso explicar…

— Como você entrou no Santuário?!

— Eu… — Shun engoliu em seco, porque sabia como ia soar. — Eu vim do futuro.

Houve uma pausa.

E depois as lanças avançaram todas de uma vez.

Shun suspirou.

— Eu sabia.

Ele girou o braço, e a corrente acordou.

CORRENTE NEBULAR!

A corrente saiu como uma cobra viva, cortando o ar em curvas impossíveis, desviando de uns e alcançando outros, laçando lanças e arrancando-as das mãos. Ela subiu, girou, desceu por trás, prendeu tornozelos, derrubou.

Em poucos segundos, os vinte guardas estavam caídos na areia do Coliseu — e nenhum deles com um ferimento sério.

Shun baixou o braço, ofegante.

— Desculpa. Eu não queria machucar ninguém.

E, no alto da arquibancada, um garoto de cabelo castanho revolto observava tudo com os punhos já fechados.


Capítulo 7 — Meteoro Contra Corrente

— Ei, você aí!

Tenma saltou da arquibancada e caiu na areia diante de Shun.

— Você derrubou os guardas do Santuário e diz que veio do futuro? — Ele já estava em posição. — Eu não sei quem você é, mas você não vai chegar perto da Atena.

— Espera, eu também sou um Cavaleiro de…

Tarde demais.

Tenma avançou com socos, rápidos e certeiros, e Shun teve que recuar aparando cada um com os antebraços.

— Escuta! — Shun aparou outro. — Eu sou aliado!

— Todo mundo diz isso!

E Tenma recuou dois passos, respirou fundo e acendeu o cosmo.

METEORO DE PÉGASO!

Os meteoros saíram todos de uma vez, dezenas de socos-estrela cortando o ar do Coliseu na direção do peito de Shun.

E Shun, sem sequer se mover do lugar, girou a corrente diante do corpo.

DEFESA CIRCULAR.

A corrente girou tão rápido que virou um disco de luz, e os meteoros bateram nele um a um e simplesmente pararam. Nenhum passou. Nem um.

Tenma ficou de boca aberta, com o punho ainda estendido no ar.

— Meus meteoros…

— Eu não quero brigar com você — disse Shun, deixando a corrente cair ao lado do corpo. — Sério mesmo. Me escuta trinta segundos.


Capítulo 8 — Dois Pégasos

E Tenma, pela primeira vez na vida, escutou.

— Eu vim de duzentos e quarenta e três anos no futuro — disse Shun. — Com Atena. A gente atravessou o tempo para destruir a espada de Hades, porque existe um amigo nosso que está morrendo por causa dela.

— Que amigo?

— O nome dele é Seiya.

— E ele é o quê?

Shun sorriu de leve.

— Cavaleiro de Bronze. De Pégaso. Igualzinho a você.

Tenma sentiu o corpo inteiro gelar.

Porque, na hora em que aquele nome foi dito, uma imagem voltou à cabeça dele — nítida como se fosse ontem.

A Água da Taça. O reflexo. Um rapaz muito parecido com ele, sentado numa cadeira com rodas, pálido, olhando para longe.

— Ele… — Tenma engoliu. — Ele está numa cadeira? Com uma manta nas pernas?

Agora foi Shun quem ficou de boca aberta.

— Como é que você sabe disso?

— Eu vi ele. — Tenma olhou para as próprias mãos. — Eu vi ele numa taça d’água, meses atrás, e não entendi nada.

Os dois ficaram um tempo em silêncio no meio do Coliseu vazio.

Duas pessoas separadas por dois séculos e meio, ligadas pela mesma constelação, descobrindo ao mesmo tempo que estavam do mesmo lado.

— Então a gente tem que subir — disse Tenma. — Agora.


Capítulo 9 — A Mão no Braço do Grande Mestre

Lá em cima, no Palácio, o Grande Mestre voltou a erguer a adaga.

A luz do lado de fora já não importava mais. Fosse quem fosse, chegaria tarde.

Ele mirou o coração da criança adormecida.

E a mão dele parou no ar.

Não por vontade dele. Alguém tinha segurado o seu pulso.

O Grande Mestre virou o rosto devagar.

Ao lado dele, sem que ninguém tivesse ouvido um passo sequer, estava Shijima de Virgem.

— O que o senhor pensa que está fazendo?

— Solte o meu braço.

— Não.

E, num movimento só, Shijima tirou o bebê do colo dele e recuou três passos, protegendo a criança com o próprio corpo.

O Grande Mestre não gritou. Não se justificou. Não fingiu.

Ele apenas endireitou as vestes com uma calma horrível e chamou:

Cardinale.

E, das sombras do fundo do salão, saiu um homem lindo, de cabelos claros e sorriso tranquilo, com uma rosa branca já entre os dedos.

Cardinale de Peixes.

— O Cavaleiro de Virgem é um traidor — disse o Grande Mestre, apontando para Shijima. — Mate-o.


Capítulo 10 — A Rosa Sangrenta

Shijima não se moveu.

Ele estava com um bebê nos braços e não podia se defender direito, e sabia disso.

Cardinale ergueu a rosa branca entre dois dedos, com a delicadeza de quem vai colocar uma flor num vaso.

ROSA SANGRENTA.

E arremessou.

A rosa atravessou o salão inteiro em linha reta, mais rápida que qualquer flecha.

E se cravou no peito de Shijima.

Ele nem tentou desviar. Não podia — tinha um bebê nos braços, e desviar significava expor a criança.

Então ele girou o corpo, colocou as costas na direção do ataque e recebeu a flor com o peito, protegendo Atena com tudo o que tinha.

O Cavaleiro de Virgem cambaleou.

E olhou para baixo, para a flor branca plantada no próprio peito.

Ela começou a mudar de cor.

Devagar, da base para as pétalas, o branco foi virando vermelho — porque aquela flor não fura, ela bebe. E, quando estiver toda vermelha, quem foi atingido não está mais vivo.

— Perdão — disse Cardinale, com uma gentileza que fazia tudo aquilo ser pior. — Não guarde rancor de mim. É que nem sempre as pessoas seguem o caminho justo.

Shijima apertou o bebê contra o peito com o braço que ainda obedecia.

— Você também? — ele conseguiu dizer. — Um Cavaleiro de Ouro?

— Eu também.


Capítulo 11 — O Inimigo Está Dentro de Casa

Cardinale se aproximou devagar, sem pressa nenhuma, e o sorriso continuava lá.

— Não me olhe assim, Virgem. Eu vou explicar, porque você merece entender antes.

— Por quê? — Shijima recuou um passo, com a rosa fincada no peito. — Por que você faria isso?

— Porque todo mundo morre.

Cardinale abriu as mãos.

— Todo mundo, Shijima. Você, eu, os Cavaleiros de Ouro, os reis, as crianças. É a única lei do universo que nunca falha uma vez sequer. — Ele deu de ombros. — Eu simplesmente decidi parar de ter medo disso. Fiz um acordo com Hades. Quando eu morrer, e eu vou morrer, eu terei paz do outro lado.

— Você entregou o Santuário por causa de medo?

— Eu entreguei o Santuário porque ele já estava entregue.

Cardinale inclinou a cabeça, e o que ele disse em seguida foi pior que a rosa.

— Você acha que eu sou o único aqui dentro? Nós somos vários. Estamos nas Doze Casas, estamos nas escadarias, estamos em lugares que você nunca imaginaria.

Ele apontou, com o queixo, para o homem parado ao lado da estátua.

— E alguns de nós estão bem mais alto do que um Cavaleiro de Ouro.

Shijima virou o rosto devagar na direção do Grande Mestre.

E o Grande Mestre não negou.

Ele apenas ajeitou as vestes, ergueu a adaga de novo, e disse com uma calma horrível:

— Entregue a criança, Shijima. Você está morrendo. Não faz sentido nenhum morrer por uma batalha que já acabou.

Shijima sentiu o chão inteiro se abrir sob os pés.

O inimigo não veio de fora. O inimigo já estava aqui — e estava no topo.

E fez a única coisa possível.

Ele correu.


Capítulo 12 — O Tapete de Rosas

Cardinale não correu atrás.

Ele ficou parado onde estava, ajeitou o cabelo e falou sozinho, calmamente, para uma sala vazia:

— Corra, Virgem. Corra à vontade.

Porque ele sabia de uma coisa que Shijima também sabia, e que tornava aquela fuga uma piada cruel:

Dentro do recinto das Doze Casas, teletransporte não funciona.

Ninguém aparece do outro lado. Ninguém pula degraus. Quem quer sair do Palácio do Grande Mestre tem que descer a escadaria — casa por casa, degrau por degrau.

E o trecho entre o Palácio e a Casa de Peixes já tinha sido preparado.

Cardinale tinha semeado o caminho inteiro com as suas Rosas Demoníacas Reais — flores vermelhas, lindas, plantadas lado a lado como um tapete, e cujo perfume tira os sentidos de quem passa e não sai mais.

Para um homem ferido, carregando um bebê, aquele caminho era um beco sem saída disfarçado de jardim.

— Não tem pressa nenhuma — disse Cardinale, começando a caminhar devagar. — Ele não vai chegar longe.


Capítulo 13 — O Homem Silencioso Fala

Shijima descia as escadarias com o bebê apertado contra o peito, tossindo, deixando um rastro no chão.

E, no meio da descida, ele parou.

Não para descansar.

Porque ele tinha entendido, finalmente, o tamanho do que estava acontecendo — e alguém precisava saber, mesmo que ele não sobrevivesse para contar.

Chamavam Shijima de "o homem silencioso" porque ele quase não falava. Passou anos em silêncio, meditando, e o Santuário inteiro dizia que ele era o Cavaleiro mais próximo de um deus que já existiu.

E era verdade. Mas o silêncio dele nunca foi ausência de voz.

Ele fechou os olhos.

E falou sem abrir a boca.

Muito abaixo, na Casa de Áries, Shion levantou a cabeça de repente, como quem ouve alguém chamar numa sala vazia.

"Shion. Escute com atenção."

— Shijima…?

"O inimigo não está do lado de fora. O inimigo está dentro do Santuário. Há traidores entre nós, e eu não sei quantos são."

Shion sentiu o sangue gelar.

"Atena nasceu. Ela é um bebê. Está comigo, e eu estou ferido. Proteja as Casas de baixo. Não confie em quem você acha que deve confiar."

E a voz se apagou.

Shion ficou parado no meio da própria casa, com o coração disparado, olhando para o alto das escadarias.

— Traidores… aqui dentro?


Capítulo 14 — Dois Garotos Subindo

Lá embaixo, no Coliseu, Tenma e Shun sentiram o cosmo mudar no Santuário inteiro.

— Alguma coisa está acontecendo lá em cima — disse Shun.

— Muita coisa. — Tenma já estava correndo. — Vem!

Os dois subiram juntos os primeiros degraus da grande escadaria — o Cavaleiro de Pégaso daquela era e o Cavaleiro de Andrômeda de duzentos e quarenta e três anos no futuro, correndo lado a lado como se sempre tivessem feito isso.

Lá em cima, um homem ferido carregava uma deusa recém-nascida por um caminho coberto de flores venenosas.

E, atrás dele, alguém caminhava devagar, sem pressa nenhuma, porque sabia exatamente como aquilo ia terminar.


O Fim do Volume 3

Este volume vira a história do avesso, e vale prestar atenção em como.

Até agora, o inimigo era claro: Hades, o castelo escuro, o exército do outro lado do campo. Dava para apontar o dedo e dizer "é aquele ali".

E aí a deusa chega — como um bebê chorando numa pedra fria, indefesa como qualquer bebê é — e descobrimos que o perigo maior nunca esteve do outro lado do campo.

Estava dentro de casa. Vestindo armadura dourada. Sorrindo educadamente.

O Grande Mestre, que deveria protegê-la, ergueu uma adaga sobre ela. O Cavaleiro de Peixes, um dos doze, entregou o Santuário porque tinha medo de morrer.

E guarde essa adaga na cabeça. Ela vai voltar — muito, muito mais para a frente, quando ninguém mais esperar.

E quem se colocou na frente foi justamente o mais quieto de todos — um homem que quase nunca falava, ferido, sem conseguir revidar, carregando uma criança que nem sabe que ele existe.

Repare nisso: nem sempre quem grita mais alto é quem vai estar lá quando precisar.

Às vezes é o silencioso do canto.

Fim do Volume 3.


Boa noite, pequeno guerreiro. Amanhã a história continua.