Passado Presente Futuro · Saga de Asgard
Episódio 1: O Gelo que Começou a Derreter

Capítulo 1 — A Terra do Fim do Mundo
Bem no alto do mundo, tão ao norte que o sol quase não nasce no inverno, existe uma terra chamada Asgard.
É um lugar de gelo e pedra. As montanhas são brancas o ano inteiro, os rios são de água congelada, e as pessoas que vivem ali são fortes, silenciosas e muito orgulhosas.
Asgard não pertence a Atena. Asgard pertence a Odin, o pai dos deuses do norte, e há milhares de anos existe alguém encarregado de rezar por aquele lugar.
Essa pessoa se chama Hilda.
Todos os dias, sem falhar um único, Hilda de Polaris subia até o santuário mais alto de Asgard, ajoelhava-se diante da estátua de Odin e rezava.
Ela não rezava por si mesma. Rezava pelo gelo.
Porque, se as orações parassem, as geleiras eternas do norte começariam a derreter — e, se elas derretessem, a água subiria e cobriria o mundo inteiro.
Era essa a missão dela. Todos os dias. A vida inteira.
Até o dia em que alguma coisa entrou naquele santuário.
Capítulo 2 — O Anel
Ninguém viu direito o que aconteceu.
Freya, a irmã mais nova de Hilda, contava depois que estava lá fora, esperando como sempre, quando ouviu um som estranho vindo de dentro — e correu para ver.
Hilda estava de joelhos, como sempre. Mas havia uma coisa nova na mão dela.
Um anel.
Um anel escuro, pesado, antigo, que não estava ali antes. Ele brilhava com uma luz que não era luz — era mais como uma sombra que se acende.
— Irmã! — chamou Freya. — De onde veio isso?
Hilda não respondeu.
Ela olhava para o anel do jeito que uma pessoa olha para uma coisa muito bonita e muito perigosa ao mesmo tempo.
— Não coloca! — gritou Freya.
Tarde demais.
Hilda enfiou o anel no dedo.
E, no instante seguinte, ela levantou a cabeça — e não era mais ela.
Os olhos dela estavam frios. A voz saiu diferente, mais grave, como se outra pessoa estivesse falando de dentro do corpo dela.
— A humanidade não merece a nossa proteção — disse Hilda. — Chega de rezar.
Freya recuou, com o coração disparado.
— Irmã… o que você está dizendo?
Hilda se levantou, deu as costas para a estátua de Odin, e caminhou até a porta do santuário.
E não rezou.
Nem naquele dia. Nem no dia seguinte.
Do lado de fora, na primeira noite sem oração, a primeira gota d’água escorreu de uma geleira que estava congelada havia mil anos.
Capítulo 3 — Sete Sombras no Salão
Nas semanas seguintes, o mundo começou a mudar de um jeito que ninguém conseguia explicar.
Rios subiram. Cidades costeiras alagaram. Icebergs enormes se soltaram e sumiram no mar. Os noticiários falavam em “aquecimento anormal” e ninguém sabia o motivo.
Mas o motivo estava sentado num trono de pedra no Palácio Valhalla, no coração de Asgard.
Hilda ergueu a mão.
— Venham.
E, das portas escuras do salão, sete guerreiros entraram.
Sete armaduras que ninguém tinha visto em séculos. Sete Cosmos poderosos acendendo ao mesmo tempo, tão fortes que fizeram as tochas do salão tremerem.
Eram os Guerreiros Deuses.
Cada um deles carregava, cravada na armadura, uma pedra azul brilhante — uma Safira de Odin. Sete guerreiros, sete safiras, sete estrelas: as sete estrelas da Ursa Maior, a constelação que gira em volta do norte e nunca se põe.
Eles se ajoelharam diante de Hilda.
— Estamos às suas ordens.
— Escutem bem — disse a mulher no trono. — O gelo vai derreter. A água vai subir. E, quando o mundo antigo estiver debaixo do mar, um mundo novo vai nascer, governado por Asgard.
Ela apoiou o queixo na mão.
— Alguém vai tentar nos impedir. Uma menina lá do sul, que se acha uma deusa, e os garotos de bronze que a seguem.
Seus olhos brilharam.
— Matem todos eles.
E um dos sete guerreiros se levantou.
Capítulo 4 — O Homem de Mizar
Ele era alto, de cabelos escuros e olhar de gelo. O nome dele era Syd, o Guerreiro Deus da estrela Mizar.
E ele não perdeu tempo.
Naquela mesma tarde, muito longe de Asgard, sob o sol quente da Grécia, um vulto passou correndo pela entrada do Santuário de Atena.
Correndo é modo de dizer — ele se movia rápido demais para os guardas verem. Só sentiram o vento passar.
Mas alguém sentiu mais do que vento.
No alto das escadarias, um gigante de armadura dourada abriu os olhos de repente.
— Um cosmo estranho… — murmurou Aldebaran de Touro. — E não é de Atena.
Ele desceu correndo as escadarias, e o chão tremia sob os passos dele. Aldebaran era enorme, um dos Cavaleiros de Ouro mais fortes que existiam, e ninguém em sã consciência atravessava a Casa de Touro sem a permissão dele.
Ele plantou os pés no meio do caminho, bem na frente do invasor.
— Você não passa daqui.
Syd nem parou de andar.
— Sai da frente.
— Grande Chifre!
O golpe de Aldebaran saiu com força suficiente para derrubar uma parede de pedra.
E Syd desviou.
Desviou de lado, sem esforço nenhum, e no mesmo movimento avançou.
— Garras do Tigre Negro!
Aldebaran nem viu o golpe chegar. Sentiu apenas um impacto no peito, e depois o chão batendo nas costas dele.
Ele ficou caído, atordoado, sem entender o que tinha acontecido.
Um golpe. Um único golpe.
— Impossível… — ele conseguiu dizer, tentando se levantar e não conseguindo. — Quem… quem é você?
Mas Syd já tinha passado por cima dele e continuava subindo as escadarias em direção ao topo do Santuário.
Em direção a Saori.
Capítulo 5 — Os Garotos de Bronze
Foi então que uma corrente cortou o ar.
Ela veio de lado, rápida e precisa, e se enrolou no braço de Syd, forçando-o a parar no meio do degrau.
— Não vai mais longe — disse uma voz calma.
Shun de Andrômeda estava no alto da escadaria, com as correntes acesas.
E, ao lado dele, com os punhos já cerrados, estava outro.
— Você derrubou o Aldebaran — disse Seiya de Pégaso, e a voz dele estava tremendo de raiva. — O Aldebaran é nosso amigo.
Syd olhou para os dois e quase riu.
— Cavaleiros de Bronze? É esse o exército de Atena?
— METEORO DE PÉGASO!
Os socos saíram como uma chuva de estrelas, dezenas deles ao mesmo tempo.
Syd cruzou os braços e os aguentou de pé — mas recuou um passo. Um passo só, mas recuou.
E, pela primeira vez, ele levou aquilo a sério.
— Interessante — disse ele, abaixando os braços. — Vocês são mais fortes do que parecem.
Foi então que Seiya reparou numa coisa e sentiu um arrepio subir pelas costas.
A armadura de Syd tinha uma pedra azul cravada no peito. E aquela pedra brilhava sozinha, pulsando devagar, como se tivesse um coração dentro.
— O que é isso aí no seu peito?
Syd cobriu a pedra com a mão.
— Isso — ele disse — é o que vai afundar o mundo de vocês.
E, no instante em que Shun avançou para atacar de novo, Syd simplesmente sumiu.
Não fugiu. Sumiu. Como se o vento gelado que tinha entrado no Santuário junto com ele o tivesse levado de volta.
Os dois ficaram parados, ofegantes, olhando o lugar vazio.
— Ele foi embora — disse Shun.
— Ele não foi embora — respondeu Seiya, olhando para o norte. — Ele veio avisar.
Capítulo 6 — A Menina que Fugiu do Norte
Naquela mesma noite, uma garota chegou ao Santuário.
Ela tinha viajado dias inteiros, sozinha, atravessando meio mundo, e chegou com as roupas rasgadas, os cabelos bagunçados e uma expressão de quem não dorme há muito tempo.
O nome dela era Freya.
Ela caiu de joelhos diante de Saori.
— Por favor — ela disse, e as palavras saíam atropeladas. — Por favor, você precisa me ajudar. Minha irmã… minha irmã não é assim. Ela é boa. Ela sempre foi a pessoa mais boa do mundo.
Saori se ajoelhou ao lado dela e segurou suas mãos.
— Calma. Me conta desde o começo.
E Freya contou.
Contou do santuário no alto da montanha. Do anel que apareceu do nada. Dos olhos da irmã mudando de cor. Das orações que pararam. Do gelo que começou a derreter.
— Ela não quer isso — disse Freya, chorando. — Tem alguma coisa dentro dela mandando ela fazer isso. Eu sei. Eu conheço a minha irmã.
Saori ficou em silêncio por um longo momento.
Depois se levantou e olhou para o norte, na direção de onde aquela menina tinha vindo — e onde, naquele exato instante, sete guerreiros esperavam.
— Então nós vamos até Asgard — ela disse. — E vamos trazer a sua irmã de volta.
Capítulo 7 — A Deusa no Gelo
Poucos dias depois, num lugar branco onde o vento cortava a pele como faca, Saori Kido desceu de um helicóptero e pisou na neve de Asgard.
Ela não estava vestida para aquilo. Não trouxe casaco pesado, nem botas de montanha, nem equipamento nenhum.
Ela caminhou até o meio do gelo, sozinha, e parou.
— O que ela está fazendo? — perguntou Shun, tremendo de frio.
Seiya não respondeu, porque naquele instante o cosmo de Saori se acendeu.
Uma luz dourada e quente irradiou do corpo dela, subiu pelo ar e se espalhou pelo horizonte inteiro — e, por onde aquela luz passava, o degelo parava.
A água que escorria das geleiras congelava de novo no meio da queda. Os rachos nas montanhas de gelo paravam de crescer. O mundo inteiro, sem saber, ganhou algum tempo.
Mas custava caro.
Saori começou a tremer. O rosto dela ficou pálido, depois quase branco, e Seiya percebeu que ela estava usando o próprio corpo como uma barragem contra o oceano inteiro.
— Saori! Para com isso!
— Não posso — ela respondeu, sem abrir os olhos. — Enquanto Hilda não voltar a rezar, sou eu que seguro o gelo.
— Mas isso vai te matar!
— Então corram.
Ela abriu os olhos e olhou para os cinco garotos ao redor dela.
— Existem sete Guerreiros Deuses lá em cima, e cada um deles tem uma Safira de Odin. Sete safiras juntas despertam a espada sagrada que pode quebrar aquele anel. É a única forma de salvar Hilda e salvar o mundo.
Ela sorriu, e foi um sorriso muito cansado.
— Eu aguento. Mas não aguento para sempre.
Seiya olhou para o alto, onde o Palácio Valhalla se erguia nas montanhas, escuro contra o céu branco.
Sete guerreiros. Sete safiras. Uma deusa de pé no gelo, se gastando a cada segundo que passava.
— Então a gente vai buscar as sete — ele disse.
E começou a subir.
O Fim do Episódio 1
Repare numa coisa antes de dormir: nesta história, o inimigo não é malvado.
Hilda passou a vida inteira rezando por um mundo que nem sabe que ela existe. Ela é a pessoa mais dedicada de Asgard — e foi exatamente por isso que a escolheram. Não colocaram aquele anel na mão de uma pessoa má. Colocaram na mão da melhor pessoa que havia por ali.
E os sete Guerreiros Deuses não são monstros. São filhos de Asgard, leais à mulher que sempre protegeu a terra deles, obedecendo ordens que acreditam ser corretas.
Por isso essa aventura vai ser mais difícil do que parece: não basta vencer. É preciso descobrir por que cada um deles luta.
Fim do Episódio 1. A aventura continua.
Boa noite, pequeno guerreiro. Amanhã a história continua.
Adaptação da abertura da Saga de Asgard.
Obra original: Saint Seiya, de Masami Kurumada. Saga de Asgard do anime Os Cavaleiros do Zodíaco, da Toei Animation. Adaptação narrativa de fã preparada por Rafael com auxílio de inteligência artificial. Projeto independente, sem vínculo oficial com os titulares da obra.