Volume 6: A Estrela que Não Se Apaga

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Volume 06 · A Estrela que Não Se Apaga

Obra original: Saint Seiya: Next Dimension, de Masami Kurumada. Adaptação narrativa de fã preparada por Rafael com auxílio de inteligência artificial. Projeto independente, sem vínculo oficial com os titulares da obra.

Capítulo 1 — Velocidade do Som, Velocidade da Luz

Na Casa de Gêmeos, Ikki encarava Cain — o mais forte dos doze Cavaleiros de Ouro daquela era.

— Recue enquanto pode — disse Cain, sem levantar a voz. — Se você dá algum valor à própria vida, saia daqui agora.

Ikki riu, um riso curto e sem graça nenhuma.

— A minha vida? Eu já entreguei ela faz tempo.

E avançou.

Ele foi rápido. Muito rápido — rápido como um Cavaleiro de Bronze que já enfrentou deuses consegue ser. Cruzou a distância entre os dois num piscar de olhos e mandou o punho direto no peito da armadura dourada.

E acertou o ar.

Cain estava um metro para o lado.

Ikki girou e atacou de novo. Ar de novo.

— Você é rápido — comentou Cain, sem sequer erguer os braços. — Rápido como o som. É bastante coisa, para um humano.

Ikki recuou dois passos, ofegante, e acendeu o cosmo até o fim.

AVE FÊNIX!

Uma onda de fogo em forma de asas gigantescas varreu o salão de mármore de ponta a ponta, iluminando as colunas de laranja e dourado, quente o bastante para derreter pedra.

Quando o fogo se dissipou, Cain estava exatamente onde estava antes.

Nem a poeira nos ombros dele tinha se mexido.

— E eu sou rápido como a luz — completou o Cavaleiro de Ouro. — Essa é a diferença entre nós.

Ikki nem viu o movimento seguinte.

Só sentiu.

Um corte apareceu no peito da armadura de Fênix. Depois outro, e outro, e outro — como se dezenas de lâminas invisíveis tivessem passado por ele todas ao mesmo tempo, no mesmo instante.

A armadura rachou e pedaços dela caíram tinindo no chão de mármore.

Ikki cuspiu sangue e sorriu, porque era o tipo de guerreiro que sorri quando descobre que o inimigo é forte demais.

— Então é essa a força de um Cavaleiro de Ouro de verdade.


Capítulo 2 — Quando as Galáxias Explodem

Cain deu um passo à frente, e alguma coisa mudou no ar.

Ele já não parecia irritado nem divertido. Parecia respeitoso.

— Você é um guerreiro de verdade — disse ele. — E por isso vou te dar o fim que um guerreiro merece. Sem brincadeira, sem piedade, com tudo o que eu tenho.

Ele cruzou os antebraços em X diante do peito, as palmas abertas.

O ar ficou pesado.

Longe dali, subindo as escadarias, Tenma parou de repente e olhou para trás.

— Shun… o que é isso?

Shun estava pálido.

— Alguém acabou de acender um cosmo que não parece humano.

EXPLOSÃO GALÁCTICA!

O que saiu daquelas mãos não foi um golpe. Foi um pedaço do universo.

Por um instante, dentro daquela luz, dava para ver estrelas inteiras se despedaçando, planetas rachando ao meio, galáxias se apagando como velas sopradas.

A Casa de Gêmeos tremeu até os alicerces. Tenma e Shun foram jogados no chão pela onda de choque a quilômetros de distância.

— O Ikki… — sussurrou Shun, com os olhos cheios d’água. — Meu irmão estava lá.


Capítulo 3 — Os Sete Pontos de Luz

Quando a poeira baixou, Ikki ainda estava de pé.

Cain arregalou os olhos — pela primeira vez, genuinamente surpreso.

— Impossível. Ninguém sobrevive à Explosão Galáctica.

— A mesma técnica… — Ikki tossiu, mal conseguindo falar — …não funciona duas vezes contra um Cavaleiro. E eu já levei essa. Uma vez. Num outro tempo.

Ele deu um passo à frente e caiu de joelhos.

Porque sobreviver não era a mesma coisa que estar bem. Por dentro, cada célula do corpo de Ikki tinha sido rasgada. Ele estava morrendo de pé, e os dois sabiam disso.

Cain se ajoelhou ao lado dele.

— Escute com atenção, Fênix. O corpo de um Cavaleiro tem pontos secretos, chamados pontos vitais estelares. Eles ficam espalhados pelo corpo exatamente como as estrelas da constelação que ele representa.

Ele apontou para o peito de Ikki.

— A constelação da Fênix tem sete estrelas. Então você tem sete pontos. E a Explosão Galáctica apaga esses pontos, um por um, como quem sopra sete velinhas.

Ikki, quase inconsciente, murmurou:

— Então… quantas ainda estão acesas?

— Uma.

E, então, Cain fez algo que ninguém esperava.

Estendeu os dedos e tocou o peito de Ikki com uma precisão de agulha.

KISHIKAISEI.

Um a um, os pontos apagados voltaram a brilhar, como estrelas se acendendo de novo num céu que tinha ficado escuro. O sangramento parou. A respiração voltou ao normal.

— Por que…? — Ikki mal acreditava. — Por que você está me curando?

— Porque eu não acredito que você seja meu inimigo.

Foi quando uma voz gelada soou logo atrás dele.

— Que erro imperdoável, irmão.

Abel tinha voltado.

— Um Cavaleiro de Bronze forte assim deveria morrer aqui. E você acabou de devolver a vida dele.


Capítulo 4 — O Leão e o Menino Gentil

Enquanto isso, na escadaria que levava à Casa de Leão, Shun parou de repente.

Um rugido sacudiu as pedras sob seus pés.

Do alto dos degraus desceu um leão. Não um leão comum — um leão do tamanho de um cavalo, com uma juba dourada que brilhava ao sol e presas do tamanho da mão de um homem.

Ele se chamava Goldy, e era o segundo guardião daquela casa.

Atrás dele veio um homem de armadura dourada com a cara de quem não tem paciência para nada.

— Volte por onde veio, garoto — disse Kaiser de Leão.

— Eu não posso — respondeu Shun. — Eu vim do futuro. A vida de Atena está em perigo. O Grande Mestre é um traidor.

Kaiser ficou em silêncio por um momento.

— Se isso for verdade — disse ele, e a voz saiu mais baixa e mais perigosa —, eu mesmo subo lá e mato o Grande Mestre com estas mãos. Mas até eu confirmar… — ele apontou para Shun. — Goldy. Ataque.

O leão avançou.

Shun ergueu as correntes, pronto para se defender.

Mas Goldy parou.

Parou a um passo de Shun, farejou o ar, farejou o menino de cabelos verdes com as correntes tremendo nas mãos… e sentou-se no chão, calmamente, como um gato enorme diante de alguém conhecido.

— Goldy?! — Kaiser não acreditava. — O que você está fazendo?!

O leão sabia de algo que o dono ainda não sabia: aquele menino não tinha maldade nenhuma dentro dele.


Capítulo 5 — Punho de Luz

Kaiser não se deixou convencer.

— Se a minha fera não faz o trabalho, eu faço.

Shun disparou primeiro.

CORRENTE NEBULAR!

A corrente voou em direção a Kaiser com precisão perfeita, cortando o ar em curvas — e passou exatamente pelo lugar onde ele estava um instante antes.

Shun nem viu como.

RAIO DE LUZ!

O soco veio na velocidade da luz. Shun não chegou a ver o braço se mover; só sentiu o impacto atravessar sua guarda e jogá-lo contra a parede da casa.

Ele se levantou tossindo e tentou de novo, girando a corrente diante do corpo.

DEFESA CIRCULAR!

A corrente virou um disco de luz — a mesma defesa que tinha parado os Meteoros de Pégaso do Tenma sem deixar passar um só.

E o punho de Kaiser atravessou o disco como quem atravessa uma cortina.

— Você não entendeu ainda — disse o Cavaleiro de Ouro, avançando. — Eu não sou rápido. Eu sou luz. E ninguém constrói uma parede que impeça a luz de passar.

Ele ergueu os dois punhos.

RELÂMPAGO DE PLASMA!

Não foi um soco. Foram dezenas, centenas, todos ao mesmo tempo, cada um viajando na velocidade da luz — uma tempestade de raios concentrada num corpo só.

Shun caiu.

Kaiser deu o passo final, o punho já erguido para acabar com aquilo.

E foi então que Goldy se jogou na frente do garoto.

O golpe do próprio dono acertou o leão em cheio. Goldy rugiu de dor e caiu, ferido — mas continuou ali, entre Kaiser e Shun, sem sair do lugar.

Kaiser recuou um passo, atordoado.

— Por quê…? Por que você está protegendo o inimigo?

E uma voz respondeu da porta da casa:

— Porque ele não é seu inimigo.

Tenma tinha chegado. Ele olhou para Kaiser de um jeito diferente, quase decepcionado.

— O Kaiser que eu conheci não era assim.


Capítulo 6 — A Brincadeira dos Deuses

Tenma se ajoelhou ao lado de Goldy e começou a cuidar dos ferimentos do leão com as próprias mãos, sem se importar com o perigo.

E Goldy, para surpresa de todos, começou a lamber o rosto do garoto.

— Ei! Para! — riu Tenma, tentando se desviar da língua enorme. — Tá fazendo cócegas!

A saliva do leão sagrado tinha propriedades curativas — e, enquanto ele lambia Tenma, os ferimentos do próprio garoto iam sumindo.

Kaiser observou aquilo em silêncio. Alguma coisa dentro dele começou a mudar.

De volta à Casa de Gêmeos, Ikki, já curado pelo Kishikaisei, olhava para os dois irmãos que dividiam um corpo só.

— Eu já conheci alguém assim — disse Ikki. — O nome dele era Saga. Ele também tinha dois lados brigando dentro dele, e isso destruiu a vida dele e a de muita gente.

Cain balançou a cabeça devagar.

— Não é a mesma coisa. Saga adoeceu por dentro. Eu e Abel… nós nascemos assim. Dois cérebros num corpo só.

Ele olhou para as próprias mãos.

— Não foi doença nem escolha. Foi uma brincadeira dos deuses. Uma piada que fizeram conosco antes mesmo de nascermos.

Ikki não soube o que responder para aquilo.


Capítulo 7 — O Labirinto dos Deuses

Muito abaixo de tudo, lá na colina cinzenta que leva ao Mundo dos Mortos, o Contador da Morte ainda estava preso dentro do Omertá, caído no abismo.

Um grupo de Espectros de Hades o encontrou.

— Guardião de Câncer! Precisamos de você. Só você consegue levar alguém do mundo dos mortos até a superfície.

— Nem pensar! — respondeu ele, indignado, ainda dentro do caixão. — Eu não sou traidor! Nunca fui! Vocês querem que eu use os meus poderes para ajudar Hades?! Que absurdo! Que insulto! Que vergonha!

Houve uma pausa.

— …Mas, olha, pensando bem, vamos lá. Sigam-me.

Enquanto isso, lá em cima, no salão do Grande Mestre, algo terrível tinha acontecido.

A barreira que protegia o Santuário estava enfraquecendo — porque o Grande Mestre tinha ativado uma armadilha antiga chamada Labirinto dos Deuses.

Não é um lugar comum. É uma armadilha dimensional que se fecha sozinha ao redor de quem entra, e da qual — segundo a lenda — nem os próprios deuses conseguem achar a saída. Só o Grande Mestre conhece o caminho.

E, preso lá dentro, carregando a bebê Atena nos braços, estava Shijima de Virgem.

Ele não podia gritar por socorro. Não podia lutar. Só podia caminhar, sem fim, protegendo aquela criança com o próprio corpo, esperando que alguém, em algum lugar, percebesse que ele tinha desaparecido.


Capítulo 8 — A Compaixão do Guerreiro

O Contador da Morte chegou à Casa de Leão guiando os Espectros — e o que aconteceu em seguida foi rápido demais para contar direito.

Goldy avançou.

Em poucos segundos, os Espectros que tinham entrado atrás dele não existiam mais.

Kaiser encarou o guardião de Câncer.

— E você? Contra quem quer lutar?

— Contra ninguém — respondeu ele, dando de ombros. — Eu nunca fui traidor de verdade, sabia? Só… prático.

Restava um último Espectro, escondido, com aparência de inseto. Ele se jogou sobre Kaiser e Goldy de surpresa, prendendo os dois.

Kaiser se soltou com um único movimento, quase entediado.

E o Contador da Morte finalizou o problema do jeito mais digno possível:

ATAQUE DO PÊSSEGO!

Ele saltou no ar e sentou-se em cima do Espectro com toda a força.

Fim do Espectro.

Tenma caiu na gargalhada. Até Shun, todo machucado, teve que segurar o riso.

Mas o clima mudou logo em seguida.

Uma pequena borboleta escura apareceu voando pelo salão — uma criatura do Mundo dos Mortos, daquelas que vigiam de longe.

E, ao vê-la, Kaiser percebeu na hora: Suikyo, que estava desacordado num canto daquela casa, tinha ido embora. Estava subindo em direção à Casa de Virgem.

— Ele fugiu — rosnou Kaiser, já se movendo. — Eu vou atrás dele.

Mas o Contador da Morte se pôs no caminho.

— Deixa ele ir.

— Sai da frente.

— Kaiser. — E, quando ele levantou o rosto, havia lágrimas nos olhos daquele homem que dizia não se importar com nada. — Aquele ali é um homem que está prestes a morrer. Está ferido de um jeito que não tem mais volta, e mesmo assim continua andando, porque tem alguma coisa que ele precisa terminar antes do fim.

Ele apontou para a escadaria.

— Você é um guerreiro. Então tenha a compaixão de um guerreiro. Deixa ele seguir.

Kaiser ficou parado por um longo momento.

E, então, abaixou o punho.


O Fim do Volume 6

Este volume é cheio de golpes gigantescos — explosões que apagam galáxias, punhos na velocidade da luz, leões do tamanho de cavalos.

Mas repare numa coisa: os momentos mais fortes não foram os golpes.

Foi Cain curando o inimigo que ele acabara de derrubar, porque acreditou nele.

Foi um leão se jogando na frente de um menino que mal conhecia, porque sentiu que aquele menino era bom.

E foi o guerreiro mais indiferente de todos chorando para pedir que deixassem um homem ferido seguir seu caminho.

E guarde a ideia dos sete pontos de luz. Cada Cavaleiro carrega no corpo as estrelas da própria constelação, e enquanto uma delas continuar acesa, ele ainda não acabou.

Fim do Volume 6.


Boa noite, pequeno guerreiro. Amanhã a história continua.