Volume 16: Ventos em Direção do Amanhã

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Volume 16 · Ventos em Direção do Amanhã

Obra original: Saint Seiya: Next Dimension, de Masami Kurumada. Adaptação narrativa de fã preparada por Rafael com auxílio de inteligência artificial. Projeto independente, sem vínculo oficial com os titulares da obra.

Capítulo 1 — Atire! A Flecha da Deusa

Na Décima Terceira Casa, as onze Armaduras de Ouro formavam um círculo de luz ao redor da menina adormecida.

Faltava uma.

Sagitário.

Asclépio percebeu a falha na mesma hora. Ele caminhou até o ponto vazio do círculo — o lugar onde a Armadura de Sagitário deveria estar — e atravessou a barreira dourada como quem passa por uma porta entreaberta.

E, em Florença, a Armadura de Sagitário pousou nas ruínas onde Tenma estava caído.

Ela se abriu.

E se fechou ao redor do corpo do garoto.

— O que…?

Tenma sentiu os braços se moverem sozinhos. As mãos ergueram um arco que ele nunca tinha empunhado na vida. Os dedos encaixaram uma flecha dourada na corda com uma precisão que não era dele.

E, dentro da sua cabeça, ele ouviu uma voz que conhecia desde criança.

"Tenma. Atire."

— Sasha?!

"Aponte para o Santuário. Para a Décima Terceira Casa. E atire agora."

— Mas eu não consigo ver nada de tão longe! Eu vou errar!

"Você não vai."

Tenma puxou a corda até a orelha.

E, bem à sua frente, Chagall de Wyvern surgiu no caminho, carregando Sasha nos braços.

— Nada disso — disse o Espectro.

Tenma soltou a corda.

A Flecha da Deusa atravessou o ar com um som que não era deste mundo.

Ela perfurou Chagall de lado a lado. O juiz do Mundo dos Mortos não teve tempo nem de gritar — o corpo dele simplesmente deixou de existir, e a armadura vazia caiu no chão.

E a flecha continuou.

Continuou voando, cortando a distância entre Florença e a Grécia, atravessando o céu quebrado, sem perder velocidade, sem cair, indo em direção a um alvo que estava a centenas de quilômetros dali.


Capítulo 2 — Emblema em Chamas

Dentro da Casa de Serpentário, Asclépio ergueu a mão sobre Saori.

— Acabou.

E, no exato instante em que o golpe ia descer, alguma coisa dourada entrou pela porta, atravessou o salão inteiro e se cravou nas costas dele.

Asclépio parou.

Ele baixou os olhos, incrédulo, e viu a ponta da flecha saindo do próprio peito.

— Impossível…

E começou a queimar.

Não fogo comum — uma luz dourada crescendo de dentro para fora, consumindo o corpo do deus antigo a partir da ferida.

E, muito longe dali, no tempo presente, o Relógio de Fogo rachado do Santuário completou sua transformação: no centro dele, onde nunca tinha havido nada, o emblema da constelação de Serpentário apareceu — e pegou fogo junto.

Ikki, Shun, Hyoga e Shiryu ergueram a cabeça do chão, sem acreditar.

— A flecha… — sussurrou Shun. — De onde ela veio?

— Do passado — respondeu Hyoga. — De Florença. Alguém atirou de lá.


Capítulo 3 — Ecdise

Mas Asclépio não caiu.

O corpo dele ficou parado no meio da sala, imóvel, queimando — e então, de repente, as escamas se abriram.

Como uma serpente trocando de pele.

A camada externa se partiu e caiu no chão, e de dentro dela saiu Asclépio inteiro de novo, sem ferimento nenhum, exatamente como um deus da medicina renasceria: descartando o corpo velho como quem tira um casaco.

Shun, Hyoga e Shiryu tinham se agarrado às pernas dele para segurá-lo — e foram arremessados longe.

— Vocês são teimosos — disse Asclépio, caminhando de novo em direção a Saori.

E, no segundo passo, ele parou.

O corpo novo começou a queimar também.

Porque a flecha continuava lá.

A Flecha da Deusa não fere um corpo — ela apaga a existência. Trocar de pele não adianta quando o que está sendo consumido não é a pele.

E foi então que as onze Armaduras de Ouro reagiram.

Uma a uma, elas acenderam seu cosmo e o enviaram para a flecha cravada no deus. O cosmo de Áries. O de Touro. O de Gêmeos. O de Câncer, de Leão, de Virgem, de Libra, de Escorpião — a armadura que Asclépio tinha destruído, e que voltou inteira só para isto — de Capricórnio, de Aquário, de Peixes.

E, somado a eles, o cosmo da Armadura de Sagitário, atirando lá de Florença, através de um garoto de dezesseis anos.

Doze constelações. Uma flecha só.

A luz tomou conta da Décima Terceira Casa.

E, quando ela baixou, Asclépio não estava mais lá.

No Castelo de Hades, Pandora recebeu uma notícia que a fez levantar da cadeira pela primeira vez em muito tempo:

— A Espada de Hades desapareceu.


Capítulo 4 — A Espada do Rei das Trevas

Em Florença, Tenma tirou a Armadura de Sagitário e correu até Sasha, caída entre as ruínas.

Ele nem chegou perto.

Alguém estava parado entre ele e a menina.

Um rapaz de cabelos claros, de costas, segurando uma espada escura na mão.

— Alone…?

O amigo se virou devagar.

E os olhos que olharam para Tenma não eram os do menino que pintava quadros e ria das piadas ruins dele.

— Eu não sou Alone — disse aquela voz. — Eu sou Hades. O Imperador do Mundo dos Mortos.

E atacou.

A Espada de Hades atravessou o corpo de Tenma antes que ele conseguisse erguer os braços.

O garoto caiu de joelhos, com a lâmina cravada no peito, olhando para cima, para o rosto do melhor amigo que tinha no mundo.

— Alone… — ele conseguiu dizer. — Eu sei que você está aí.

E aconteceu.

Os olhos do rapaz mudaram. A frieza recuou. As mãos começaram a tremer em volta do cabo da espada.

— Tenma…? — sussurrou Alone, olhando para o que tinha acabado de fazer. — Tenma, eu… eu não queria…

No tempo presente, na cama onde Seiya dormia havia um ano inteiro, Marin e Shina viram a mesma espada aparecer, do nada, cravada no peito dele.

E, no Santuário do passado, na Décima Terceira Casa, um relógio de estrelas apareceu no ar diante de Ikki — mostrando os últimos grãos de areia de um prazo que estava acabando.

Foi então que Asclépio voltou.

Ferido, queimado, mas de pé. Ele olhou para o Santuário que desabava ao redor, para as armaduras caídas, para os quatro Cavaleiros de Bronze exaustos.

E fez uma coisa que ninguém esperava.

Ele encostou a mão em Saori — e devolveu a ela a forma que era dela.

A menina cresceu. Os cabelos se alongaram. E, em segundos, era Saori Kido, adulta, exatamente como tinha atravessado o tempo, de pé no meio da Décima Terceira Casa.

Asclépio ergueu a Espada de Khrysos e a apontou para ela.


Capítulo 5 — A Morte de Atena

E Saori pegou a espada da mão dele.

Sem medo. Sem hesitar. Como quem recebe uma coisa que estava esperando havia muito tempo.

— Saori, não! — gritou Shun.

Ela encostou a lâmina na própria garganta.

— Eu vim para este tempo sabendo que talvez não voltasse — ela disse, e a voz dela estava calma. — Vocês acham que eu vim salvar Seiya como uma deusa salva um servo? Não foi isso.

Ela olhou para os quatro garotos caídos no chão.

— Seiya se colocou na frente de Hades por mim. Ele virou meu escudo. Aquela espada era para mim, e ele a recebeu no lugar dela. — Sua mão apertou o cabo. — Eu não vim aqui pagar uma dívida. Eu vim porque ele é meu amigo.

Asclépio franziu a testa.

— Cavaleiros existem para dar a vida por Atena. É essa a função deles. Sempre foi.

— Não.

E Saori Kido disse a coisa mais importante de toda essa história:

— Eles não são ferramentas que eu gasto. Eles são meus companheiros. Insubstituíveis. Cada um deles. E eles não lutam por mim — eles lutam para proteger o amor e a justiça na Terra. Eu apenas tenho a honra de caminhar ao lado deles.

Ikki tentou se levantar e não conseguiu. Shun estava chorando. Hyoga e Shiryu esticaram as mãos e não alcançaram.

Saori sorriu para os quatro.

E cravou a Espada de Khrysos em si mesma.

O silêncio que se seguiu foi absoluto. Até Asclépio ficou mudo, porque ele não entendia — não fazia sentido nenhum. Como é que a morte dela salvaria o garoto?

E, no pulso de Saori, uma pequena corrente de flores começou a brilhar.


Capítulo 6 — Sinal de Flores

No tempo presente, na cama de Seiya, a Espada de Hades avançava em direção ao coração dele.

E parou.

Uma corrente de flores — a mesma pulseira boba trançada por crianças duzentos e quarenta anos antes — se enrolou na lâmina e a segurou.

No passado, a corrente de Saori se estendeu.

E as correntes de Ikki, Shun, Hyoga e Shiryu se estenderam junto, entrelaçando-se umas nas outras, subindo pelo ar, trançando-se em algo que ninguém tinha planejado: um caminho. Uma escada de flores subindo até o futuro.

Em Florença, as correntes de Tenma, Sasha e Alone se enrolaram na Espada de Hades cravada no peito de Tenma e a prenderam ali, sem deixá-la avançar mais um milímetro.

Asclépio ergueu os olhos e, pela primeira vez, entendeu.

Ele tinha passado milênios num poço planejando substituir uma deusa. Tinha calculado tudo — o alinhamento das estrelas, a brecha no tempo, o corpo que ia tomar.

E não tinha previsto uma pulseira de flores feita por três crianças brincando num quintal.

— Então era isso — ele murmurou. — A outra corrente da vida.

E o deus da medicina fez a última coisa que restava do homem que ele tinha devorado.

Ele se ajoelhou.

Estancou o ferimento de Saori. Tratou os quatro Cavaleiros de Bronze, um por um, com as mãos que tinham curado o Santuário inteiro numa noite. E, quando terminou, empurrou os cinco em direção à escada de flores.

— Vão. O tempo de vocês está acabando.

— Por quê? — perguntou Ikki, sem entender.

— Porque eu sou médico — respondeu Asclépio. — Ainda sou.

Os cinco subiram. E chegaram ao presente com o último grão de areia caindo na ampulheta de Cronos.

As duas Espadas de Hades — a do peito de Seiya e a do peito de Tenma — desapareceram no mesmo instante.

E, antes de sumir junto com a Décima Terceira Casa, Asclépio disse a última coisa:

— Não se enganem. Isso não acabou. A verdadeira Guerra Santa contra Hades ainda vai começar, no tempo de vocês. E, quanto ao que aconteceu aqui… vocês não vão lembrar de nada.

A casa afundou de volta na terra.

E, no fundo do Poço do Tártaro, o Asclépio imortal — aquele que nunca sai de lá — voltou a esperar.


Capítulo 7 — Apolo, o Deus do Sol

Em Florença, Sasha abriu os olhos.

Ela acordou de verdade, pela primeira vez, no exato instante em que a Atena do futuro voltou para o seu próprio tempo — porque agora havia espaço no mundo para uma Atena só.

Tenma correu até ela.

— Você acordou! Você acordou!

— Tenma. — Ela olhou em volta, para a cidade destruída. — Vem uma guerra, não vem?

— Vem. — Ele sorriu do jeito dele, sujo de terra e sangue. — Mas eu vou estar aqui. Todo dia. Até o fim.

E, um pouco afastado, Alone se virou e começou a caminhar para longe dos dois.

Ele não disse nada. Só chorou em silêncio enquanto se afastava, porque sabia o que estava vindo, e sabia que não conseguiria impedir.

— ALONE! — gritou Tenma, com toda a força que tinha. — A GENTE VAI SER AMIGO PARA SEMPRE! ESCUTOU? PARA SEMPRE!

Alone não olhou para trás.

E, no Santuário daquela era, os doze Cavaleiros de Ouro despertaram — todos eles, inteiros, sem lembrança nenhuma do que tinha acontecido — e se puseram em posição, esperando sua deusa, prontos para a Guerra Santa que estava começando.

No tempo presente, Seiya abriu os olhos.

Depois de um ano dormindo, ele simplesmente acordou, olhou para Marin e Shina e perguntou o que tinha acontecido.

Mas ainda faltava uma coisa.

No Templo da Lua, Ártemis convocou Saori e os quatro Cavaleiros de Bronze diante de si.

— Vocês rasgaram o tecido do tempo — disse a deusa. — Isso não fica sem punição. — Ela ergueu o cajado. — Atena: mil anos acorrentada na Rocha do Olimpo. Os Cavaleiros: destituídos, e cem anos na Prisão da Lua.

— Eles apenas me obedeceram — protestou Saori. — A culpa é minha. Só minha. Peço a revisão da sentença.

Ártemis a encarou por um longo tempo.

— Você não entende o que está pedindo, irmã. Se eu revisar, quem julga é Apolo. E Apolo é o mais justo de nós doze. — Sua voz baixou. — E o mais justo não significa o mais gentil.

O céu se abriu.

E uma carruagem puxada por três cavalos desceu do sol, envolta em luz, trazendo o deus mais implacável do Olimpo.


Capítulo 8 — Ventos em Direção do Amanhã

Os três cavalos tocaram o chão e se transformaram em guerreiros celestiais.

Apolo desceu da carruagem, olhou para a irmã e balançou a cabeça.

— Mil anos? Cem anos? — Ele riu, sem humor nenhum. — Ártemis, você ficou fraca de tanto conviver com humanos.

Ele virou-se para Saori.

— Eu proponho o seguinte. Três mil anos corrompendo a sua alma. O Santuário inteiro queimado até a última pedra. E todos os Cavaleiros de Atena mortos. Todos.

— Não — disse Saori. — Eu não aceito que outros paguem por mim.

— A sua opinião não importa.

Foi quando alguém entrou no salão, andando devagar, ainda fraco de um ano na cama.

Seiya.

Ele passou pelos amigos, tocou o ombro de Ikki de leve.

— Obrigado. Por tudo. Eu não lembro de nada, mas eu sei que vocês foram atrás de mim.

E se ajoelhou diante do deus do sol.

— Se alguém tem que pagar, sou eu. Foi por mim que tudo isso começou. Leve a minha vida e deixe todos eles em paz.

Apolo o olhou com desprezo.

— Você acha que a sua vida vale alguma coisa? — Ele ergueu a mão. — Uma deusa não equilibra centenas de milhões de vidas humanas. Um Cavaleiro de Bronze então…

E, no instante em que o golpe ia descer, Saori falou.

— Espere.

Ela deu um passo à frente e disse, com a voz mais firme do mundo:

— Eu abro mão da minha divindade.

O salão inteiro ficou em silêncio.

— O quê?

— Você ouviu. Eu deixo de ser Atena. Eu me torno humana, como eles. — Ela olhou para Seiya, ajoelhado no chão. — Se o problema é uma deusa que se aproximou demais dos humanos… então que não haja mais deusa nenhuma.

Ártemis levou a mão à boca.

E, no exato momento em que Saori aceitou aquilo dentro do próprio coração, uma luz suave a envolveu — e envolveu Seiya junto.

Os dois desapareceram do Olimpo.

E voltaram para a Terra sem nenhuma lembrança de nada disso.


Epílogo — As Flores das Ruínas

Muito tempo depois.

Uma mulher de vestido claro e chapéu de aba larga subia devagar por uma escadaria de pedra quebrada, no meio de um lugar que já tinha sido um Santuário e agora era só ruína.

Ela não sabia direito por que estava ali. Tinha sido um impulso. Uma vontade estranha de visitar aquele lugar que ela nunca tinha visitado antes.

No caminho, tinha parado numa floricultura pequena, dessas de esquina, e comprado um buquê.

O rapaz que atendeu era gentil, de cabelos verdes e sorriso tranquilo.

— É para alguém especial? — ele perguntou, embrulhando as flores.

— Não sei — ela respondeu, rindo de si mesma. — Acho que sim.

Nenhum dos dois se reconheceu.

Ela subiu até uma das casas em ruínas, onde ainda restava uma parede de pé. E ali, gravadas na pedra, havia palavras antigas — o testamento de um homem que tinha fugido daquele lugar carregando um bebê nos braços, chamado de traidor por todos, muitos e muitos anos atrás.

Ela leu aquelas palavras.

E não entendeu nada. Não lembrou de nada.

Depositou as flores ali, na Casa de Sagitário, sem saber por quê.

Quando desceu, cruzou com um rapaz que subia — cabelo castanho revolto, jeito de quem não anda, corre. Os dois passaram um pelo outro na escadaria estreita, tão perto que quase se esbarraram.

Nenhum dos dois olhou para trás.

E, alguns passos depois, sem qualquer motivo que ela pudesse explicar, Saori Kido começou a chorar.

Chorou de um jeito que ela não entendia, por alguém de quem ela não lembrava, num lugar onde ela nunca tinha estado.

O vento subiu pela escadaria, entrou entre as colunas quebradas e levou o chapéu dela.

Ela ficou olhando o chapéu subir, girando no ar, cada vez mais alto, em direção ao céu.


O Fim

E é assim que termina a história.

Talvez você ache injusto. Muita gente achou. Eles atravessaram o tempo, enfrentaram um deus, perderam amigos — e no fim não lembram de nada. Nem do que fizeram, nem uns dos outros.

Mas repare numa coisa: eles não precisaram lembrar para continuar sendo quem são.

Shun virou dono de uma floricultura. Passou a vida entregando flores para desconhecidos, sem lembrar que uma vez uma corrente de flores segurou uma espada de deus e salvou o mundo.

Seiya voltou a subir as escadarias, sem saber por quê.

E Saori chorou por um amigo que ela não lembra, porque algumas coisas ficam na gente num lugar mais fundo do que a memória.

O que realmente importa nesta história inteira nunca foi o poder dos golpes, nem quem venceu quem. Foi Tenma segurando a mão do mestre e se recusando a soltar. Foi Dohko recitando um poema para um amigo morto. Foi Odisseu correndo dentro de um vulcão. Foi um menino chorando numa pilastra ouvir que não precisava ter vergonha de ser diferente.

E foi uma pulseira de flores, feita por três crianças brincando num quintal em Florença, que no fim das contas se mostrou mais forte do que a espada de um deus.

Fim de Saint Seiya: Next Dimension.


Boa noite, pequeno guerreiro. Essa história acabou — mas sempre tem outra.