Passado Presente Futuro · Saga dos Céus
Episódio 17: O Mais Justo dos Doze
Capítulo 1 — A primeira coisa que ele fez
O céu estava aberto em cima de Rodorio e a vila inteira estava de joelhos.
Apolo desceu devagar, atravessou toda aquela luz e pousou no meio da praça quebrada.
E a primeira coisa que ele fez não foi falar com a Atena.
Não foi olhar para os cavaleiros. Não foi erguer a mão. Não foi dizer nada grandioso.
Ele atravessou a praça, se ajoelhou ao lado do rapaz de cabelo verde deitado no chão de pedra, e encostou dois dedos no pescoço dele, do jeito que a gente faz para sentir se alguém ainda está vivo.
Ikki ficou tenso do lado do irmão.
— Encosta nele e eu—
— Quieto — disse Apolo, sem levantar a voz nem o rosto.
Ele ficou ali uns segundos.
Depois pousou a mão na testa do Shun, e o corpo todo do rapaz relaxou de uma vez — os ombros, as mãos, a cara apertada.
Pela primeira vez em três semanas, o Shun dormiu sem sonhar.
Apolo se levantou.
— Ele vai acordar amanhã. Vai estar cansado por um mês. Mas ela saiu inteira e não deixou nada lá dentro.
Ikki não soube o que fazer com aquilo.
— …Obrigado.
— Não me agradeça — disse Apolo. — Eu não vim trazer notícia boa.
Capítulo 2 — “Por quê?”
Foi o Seiya quem perguntou.
Ele estava sentado no chão, encostado nos escombros da padaria, com o braço torto e a cara suja, e perguntou do jeito que ele pergunta as coisas: sem rodeio nenhum.
— Antes de qualquer coisa, eu quero saber uma coisa.
— Pergunte.
— Por que você fez aquilo com a gente?
Apolo ficou olhando para ele.
— Um ano. — O Seiya apontou para a própria cabeça. — Um ano inteiro sem saber quem eu era. Eu carreguei pedra num templo em ruínas. Eu olhei para a minha irmã e perguntei a mesma coisa mil vezes e ela tinha que olhar para o chão.
Ele apertou os dentes.
— A gente ganhou de você. A gente ganhou de tudo. A gente chegou no fim e venceu. E aí você veio e apagou a gente.
Ele levantou o rosto.
— Por quê?
E Apolo, o deus do sol, respondeu:
— Porque é isso que eu sei fazer quando não tenho um jeito bom.
Ele olhou para o céu aberto.
— Sentem. Essa história é mais comprida do que vocês imaginam, e ela não começa há um ano.
Capítulo 3 — O julgamento
— Quando aquela guerra acabou — começou Apolo —, nós fomos chamados.
— Nós quem?
— Os doze. — Ele juntou as mãos. — Os doze deuses do Olimpo, em volta de uma mesa que existe desde antes de haver gente para olhar para o céu.
Ele olhou para a Atena.
— Você não foi chamada. Você estava morrendo naquele dia.
— Eu sei.
— E o nosso pai fez uma pergunta só.
Apolo falou devagar, imitando uma voz que ninguém ali tinha condição de imaginar:
— “Quantas vezes mais?”
Silêncio na praça.
— Ele contou em voz alta, para os doze. — Apolo começou a andar. — Contou todas as Guerras Santas. Contou quantos séculos tinha durado cada uma, quantos humanos tinham morrido, quantos templos tinham caído, quantos pedaços de mundo tinham virado deserto por causa de briga entre deuses.
Ele parou.
— E ele disse: “Essa espécie já aguentou mais do que devia. Da próxima vez, eu não vou julgar os culpados. Eu vou recomeçar.”
— Recomeçar — repetiu Shiryu.
— Limpar a Terra e começar de novo, com outra coisa no lugar da humanidade. — Apolo deu de ombros. — Ele já fez isso antes, com um dilúvio. Daquela vez ele deixou dois. Dessa vez eu não sei se ele deixaria.
— E o que vocês disseram? — perguntou a Atena.
E Apolo respondeu:
— Nada.
Capítulo 4 — Os onze que ficaram calados
— Nada?! — explodiu Seiya.
— Nada. — Apolo não desviou o olhar. — Os doze deuses do Olimpo, sentados numa mesa, e nenhum de nós abriu a boca.
— Vocês são deuses!
— Somos filhos — disse Apolo, e a palavra saiu pesada. — Essa é a parte que vocês nunca entendem. Nós não somos donos de nada. Nós temos pai.
Ele olhou para as próprias mãos.
— E o nosso pai é o único no universo que já matou um filho na frente dos outros onze para ensinar uma coisa.
Ninguém respondeu.
— Então ficamos calados. — Apolo recomeçou a andar. — E depois da reunião eu fiquei. Só eu. E eu pedi uma coisa a ele.
— O quê?
— Tempo.
Capítulo 5 — A mentira
— Eu disse ao meu pai: “Me deixa cuidar disso.”
Apolo parou no meio da praça.
— E ele perguntou: “Cuidar como?”
E aí o deus do sol, o mais justo dos doze, o que nunca torceu uma lei em milhares de anos, contou para quatro rapazes machucados e uma vila de joelhos qual tinha sido o maior ato da vida dele.
— E eu disse: “A deusa Atena está morta.”
Um arrepio passou pela praça.
— Mentira — sussurrou a Atena.
— Mentira — confirmou Apolo.
— Você mentiu para o Zeus.
— Eu menti para o meu pai, na cara dele, com os olhos nos olhos dele, pela primeira e única vez em toda a minha existência.
Ele riu, e foi um riso horrível, sem graça nenhuma.
— Vocês me chamam de o mais justo dos doze deuses. Tem templo meu na Grécia inteira com essa palavra escrita na pedra.
Ele abriu os braços.
— A única coisa que eu tenho é isso. Eu não sou o mais forte, não sou o mais temido, não sou o mais amado. Eu sou o que não mente. É só isso que eu sou, e é há milhares de anos.
Ele baixou os braços.
— E eu joguei fora.
Capítulo 6 — O que a mentira exigia
— Mas uma mentira dessa não se sustenta sozinha — continuou Apolo. — Se eu digo que Atena morreu, e no dia seguinte uma menina de cosmo dourado está andando por aí com cinco cavaleiros atrás, meu pai olha para baixo uma vez e vê tudo.
Ele olhou para os cinco.
— Então eu desci aqui naquela noite e fiz a parte feia.
— Você apagou a gente.
— Eu apaguei vocês. — Ele assentiu. — Não para castigar. Vocês acharam que era castigo porque é assim que deus costuma agir, e vocês tinham todo o direito de achar.
Ele olhou para a Atena.
— Eu precisava que não existisse mais uma deusa Atena neste mundo. E a forma mais rápida de fazer uma deusa deixar de existir não é matar ela.
— É fazer ela esquecer que é — disse a Atena, baixinho.
— É.
Ele olhou para o chão.
— Eu não tirei a vida de vocês. Eu tirei o nome de vocês. E deixei vocês irem embora com corpo, saúde, família e um lugar para morar.
— Virando um trabalhador de pedreira — disse Seiya.
— Virando um rapaz de vinte anos que ia envelhecer. — Apolo olhou para ele. — Eu te dei sessenta anos de vida, garoto. Era tudo que eu tinha para dar, e eu tive que mentir e quebrar a única coisa que eu sou para conseguir.
Seiya abriu a boca. E fechou.
Capítulo 7 — Por que a Seika
A Seika estava de pé na beirada da praça, perto da porta de casa, com as mãos juntas.
Apolo virou para ela.
— E você.
Ela ficou dura.
— Você lembra de mim.
— Lembro — disse Seika, com a voz tremendo um pouco. — Eu lembro de tudo. Eu só nunca entendi por quê.
— Pergunta logo, então.
— Por que o senhor me deixou lembrar?
E o Apolo deu a resposta que fez o Shiryu de Dragão encostar na parede e levar a mão à boca.
— Porque eu podia estar errado.
— Eu tomei uma decisão enorme — disse Apolo — sozinho, sem conselho, sem juiz, sem ninguém para me corrigir. Eu apaguei a memória de cinco guerreiros e de uma deusa, e eu fiz isso achando que era o certo.
Ele olhou em volta.
— Mas “achar que é o certo” é exatamente o que todo tirano acha.
Ele voltou a olhar para a Seika.
— Então eu deixei uma testemunha.
— Uma o quê?
— Uma pessoa que lembrasse de tudo. — Ele apontou para ela. — Uma pessoa capaz de olhar para mim um dia e dizer: o senhor errou, e eu posso provar, porque eu vi.
Ele deu de ombros.
— Eu escolhi você porque você estava abraçada no seu irmão no meio da estrada e não largou nem quando o céu abriu. Quem faz isso não esquece as coisas por conveniência.
A Seika estava chorando.
— O senhor me deixou carregar isso sozinha por um ano.
— Deixei. — E o deus do sol disse, com uma honestidade que machucava: — E essa é a parte da minha decisão da qual eu mais me arrependo, e eu não tenho desculpa nenhuma para te dar.
Capítulo 8 — O filho
— Posso fazer uma pergunta? — disse o Hyoga, que tinha ficado quieto a conversa inteira.
— Pode.
— Por que o senhor se importa tanto?
Apolo virou para ele.
— Como?
— Os outros onze ficaram calados e foram para casa. — Hyoga estava encostado num poste, com o braço imobilizado. — O senhor foi o único que ficou na sala e pediu tempo. O senhor foi o único que mentiu. O senhor passou um ano segurando um céu fechado sozinho.
Ele olhou nos olhos do deus.
— Por que o senhor?
E o Apolo ficou tanto tempo sem responder que a Atena deu um passo à frente, porque ela já sabia, e ela ia poupar o irmão de dizer.
E ele levantou a mão para ela parar.
— Deixa.
Ele respirou.
— Eu tive um filho.
A praça ficou em silêncio.
— O nome dele é Asclépio. Ele nasceu meio deus e meio humano, e ele saiu melhor do que eu em tudo que importa.
Apolo olhou para o céu aberto.
— Ele aprendeu a curar. Começou com ervas, com osso quebrado, com febre de criança. Depois foi ficando bom. Ficou tão bom que começou a curar o que não tem cura.
Ele parou.
— E, um dia, ele curou alguém que já tinha morrido.
Capítulo 9 — O raio
— Meu pai não gostou — disse Apolo, e a voz dele saiu muito controlada, do jeito que sai quando a pessoa está segurando. — Meu pai disse que a morte é o limite, e que um limite que pode ser atravessado não é limite nenhum, e que, se os humanos parassem de morrer, o mundo inteiro desmontava.
Ele olhou para as próprias mãos.
— E talvez ele tivesse razão. Essa é a pior parte: talvez ele tivesse razão.
Pausa.
— Ele desceu um raio.
Ninguém respirou.
— E eu fiz a única coisa que eu podia fazer, que foi a coisa errada: eu fiquei com raiva. Eu me vinguei. Eu quebrei coisas. E, no fim, eu fui castigado, e passei um ano servindo um rei humano como escravo, cuidando de boi.
Ele riu, triste.
— E sabe o que aconteceu com o meu filho depois de tudo isso?
— O quê?
— Nada. — Apolo abriu as mãos. — Ele continuou morto. Eu briguei com o céu inteiro e não trouxe ele de volta nem por um segundo.
Ele olhou para os cinco.
— Então foi aí que eu aprendi a coisa que eu usei com vocês.
— Que coisa?
— Que brigar com o meu pai não salva ninguém. — A voz dele ficou dura. — Só enganar ele salva.
Capítulo 10 — O que vem agora
— E agora? — perguntou a Atena.
Apolo olhou para o céu rachado.
— Agora ele sabe.
— Ele viu?
— Ele viu tudo. — Apolo apontou para cima. — Esse céu não abriu porque eu quis. Ele abriu porque uma deusa derramou sangue em nome dela mesma, e isso acorda o Olimpo inteiro como sino de madrugada.
Ele olhou para a irmã.
— Meu pai acordou, olhou para baixo e viu você de pé no meio de uma praça com uma lança na mão.
A Atena não desviou os olhos.
— Então ele sabe que eu menti — continuou Apolo. — E ele sabe que eu menti por você. E, pior que tudo: ele sabe que eu tinha razão para mentir, porque ele olhou para baixo e viu exatamente o que ele previu. Guerra. Deusa. Sangue.
— Quanto tempo a gente tem?
— Pouco.
— Quanto, Apolo?
E o deus do sol respondeu:
— Dias.
Capítulo 11 — “Olhem”
— E não tem mesmo nenhum jeito de impedir? — perguntou Seiya. — Nenhum?
— Vocês querem lutar com ele.
— Se precisar.
— Não é soberba, garoto. É falta de informação. — Apolo ergueu a mão. — Olhem.
E, acima da praça, no meio da abertura branca, apareceu uma imagem.
Era a Terra.
Vista de cima, de muito longe, redonda e azul e pequena, com nuvens brancas passando por cima.
— Que bonita — sussurrou a Seika.
— É — disse Apolo. — Agora olhem o que é um julgamento.
E, na imagem, apareceu uma linha.
Uma linha fina, branca, que começou num ponto do planeta e foi andando — lenta, calma, sem pressa nenhuma — e por onde ela passava o azul virava cinza.
Não teve explosão. Não teve fogo. Não teve barulho.
Foi só uma linha apagando, devagar, de um lado ao outro.
Como quando alguém passa a borracha num desenho.
A imagem sumiu.
E ninguém na praça de Rodorio falou nada por um tempo muito longo.
— Isso não é uma batalha — disse Apolo. — Vocês não podem lutar com isso. Isso é um adulto apagando um rabisco.
Capítulo 12 — O poço
— Então para que você veio? — perguntou Ikki, de pé ao lado do irmão adormecido. — Para avisar que a gente perdeu?
— Não.
Apolo virou para ele.
— Eu vim porque eu passei um ano inteiro procurando um jeito, e eu achei um. E ele é horrível e provavelmente não vai dar certo.
— A gente gosta desses — disse Seiya.
Apolo quase sorriu.
— Meu pai não aceita força. Ele é a força. E ele não aceita súplica: ele já ouviu todas.
Ele olhou para a Atena.
— Mas tem uma coisa que ele nunca conseguiu responder direito em milhares de anos, e eu sei disso porque eu já tentei usar uma vez, no pior dia da minha vida, e eu usei errado.
— O quê?
— Testemunho.
Ele deu um passo na direção dela.
— Meu pai não é um bicho. Ele é um juiz. E um juiz, mesmo o pior de todos, tem uma rachadura: ele precisa achar que está sendo justo.
Apolo falou mais devagar.
— Se vocês aparecerem gritando, ele apaga. Se chorarem, ele apaga. Mas, se vocês levarem alguém que ele mesmo condenou — alguém que ele julgou com as próprias mãos, que passou milênios pagando, e que mesmo assim puder dizer na frente dele que valeu a pena…
Ele parou.
— …aí ele vai ter que escutar.
E a Atena entendeu.
— Asclépio.
— Meu filho — disse Apolo. — Ele não morreu de vez. Meu pai não deixou nem isso. Ele está selado, vivo, no fundo do Poço do Tártaro, desde antes de existir a Grécia.
A voz dele falhou pela primeira vez.
— E eu nunca tive coragem de descer lá.
Capítulo 13 — Antes de ir
Apolo começou a subir.
— Espera! — chamou a Atena. — E você? Para onde você vai?
— Para cima.
— Para quê?
— Falar com o meu pai.
— Ele vai perguntar se você mentiu.
— Vai.
— E o que você vai dizer?
E Apolo, o mais justo dos doze deuses, parou no ar e respondeu:
— A verdade.
Ele olhou para baixo uma última vez.
— Eu menti uma vez na minha existência inteira e comprei um ano com isso. Foi o melhor negócio que eu já fiz. — Ele deu de ombros. — Mas uma vez foi o que eu tinha. Eu não vou conseguir duas.
Ele subiu mais.
— Eu vou ganhar o tempo que der. Usem bem.
E, antes de a luz fechar:
— Irmã.
— Sim?
— Quando vocês acharem o meu filho… — A voz dele veio de muito longe. — …diz para ele que eu não desci porque eu tinha vergonha.
E o céu se fechou.
O Fim do Episódio 17
A lição desta noite
Hoje tem uma lição grande e uma pequena, e a pequena é a melhor.
A grande é sobre o Apolo.
Durante dez episódios, esse deus foi o vilão da história. Ele apagou a memória de todo mundo. Ele estragou a vida de cinco pessoas. A gente tinha todo o direito de odiar ele.
E aí ele senta no meio da praça e conta o lado dele — e o lado dele é que ele mentiu uma vez na vida inteira, para o próprio pai, para comprar um ano de vida para pessoas que nunca iam saber disso.
Isso não apaga o que ele fez. O Seiya carregou pedra por um ano. A Seika chorou sozinha na cozinha por doze meses.
Mas muda tudo.
Quase ninguém faz o mal por maldade. Quase todo mundo está fazendo a coisa que parecia menos ruim com as informações que tinha na mão.
Isso não é desculpa. É só uma coisa que vale lembrar antes de decidir que alguém é um monstro.
E a lição pequena, que é a maior de todas, é a da Seika.
Repara no que o Apolo fez.
Ele tomou uma decisão enorme, sozinho, sem ninguém para corrigir. E, em vez de apagar todo mundo para ninguém poder reclamar, ele fez de propósito uma coisa estranhíssima:
Ele deixou uma pessoa capaz de provar que ele estava errado.
Pensa nisso.
Ele tinha poder para não deixar nenhuma testemunha. Ninguém nunca ia saber. Ele podia ter saído daquela noite com a consciência perfeitamente limpa, porque não sobraria ninguém para dizer o contrário.
E ele escolheu deixar.
Porque ele sabia de uma coisa que quase ninguém sabe:
“Achar que é o certo” é exatamente o que todo tirano acha.
Gente de verdade forte é gente que consegue dizer “eu posso estar errado” — e que, mais do que isso, deixa espaço na vida para alguém aparecer e falar isso na cara dela.
Quando você crescer, você vai conhecer dois tipos de gente que manda: a que se cerca de quem concorda, e a que se cerca de quem é capaz de discordar.
A segunda é muito mais rara.
E é muito melhor.
Fim do Episódio 17. A aventura continua.
Boa noite, pequeno guerreiro. Amanhã eles vão descer no buraco mais fundo que existe. E lá no fundo tem alguém esperando há mais tempo do que existe gente.
14+ · Indicação editorial deste site. Leitura recomendada a partir de 14 anos, com conflitos, violência e morte em contexto ficcional. Não é classificação oficial.
Obra original: Saint Seiya, de Masami Kurumada. Adaptação e continuação narrativa de fã preparadas por Rafael com auxílio de inteligência artificial. Projeto independente, sem vínculo oficial com os titulares da obra.