Volume 5: O Caixão do Silêncio

Capa do Volume 05: O Caixão do Silêncio
Volume 05 · O Caixão do Silêncio

Obra original: Saint Seiya: Next Dimension, de Masami Kurumada. Adaptação narrativa de fã preparada por Rafael com auxílio de inteligência artificial. Projeto independente, sem vínculo oficial com os titulares da obra.

Capítulo 1 — Duas Almas em Um Corpo Só

Na Casa de Gêmeos, Suikyo encontrou um adversário como nunca tinha visto antes.

Diante dele estava um Cavaleiro de Ouro chamado Cain — o mais forte dos doze Cavaleiros daquela época. Mas, no meio da luta, algo estranho aconteceu: a voz dele mudou. O olhar mudou. Era como se, dentro daquele mesmo corpo, morasse uma segunda pessoa completamente diferente.

— Meu nome é Abel — disse a segunda voz, fria e calculista. — E eu não sou tão gentil quanto meu irmão.

Suikyo abriu as mãos e o ar em volta dele começou a congelar.

Lanças de Gelo da Lótus Branca!

Dezenas de lanças de gelo brotaram do ar como pétalas de um lótus se abrindo, girando e avançando contra Abel de todas as direções ao mesmo tempo.

Abel nem se moveu. Ele cruzou os antebraços em X diante do peito, as palmas abertas.

Explosão Galáctica!

O que aconteceu em seguida foi difícil de descrever. A energia que saiu daquelas mãos era tão imensa que, por um instante, o próprio espaço em volta deles pareceu se abrir, mostrando galáxias inteiras se despedaçando ao fundo. As lanças de gelo evaporaram antes mesmo de chegar perto. Suikyo foi arremessado contra a parede de mármore com um estrondo.

— Cavaleiros de Ouro conseguem destruir estrelas — disse Abel, calmamente. — Você achou mesmo que um pouco de gelo bastaria?


Capítulo 2 — O Punho que Rouba a Vontade

Suikyo se levantou, cambaleando, ferido.

Abel ergueu um único dedo e apontou para ele. Um feixe finíssimo de luz saiu daquele dedo, atravessou o ar e atingiu Suikyo bem no meio da testa.

Satã Imperial.

Suikyo parou. Seus braços caíram ao lado do corpo. Seus olhos ficaram vazios, como os de alguém sonhando de olhos abertos.

Aquele golpe não machucava o corpo. Ele fazia algo pior: entrava direto na mente da pessoa e roubava sua vontade própria, transformando-a numa marionete que obedece sem pensar.

Foi então que a voz de Cain voltou, tomando o controle do corpo que os dois dividiam.

— Abel! O que você fez?! Por que está ajudando um traidor a se aproximar de Atena?

— Eu não estou ajudando ninguém — respondeu Abel. — Eu só estou me divertindo.

Cain, furioso, ergueu o punho contra o próprio corpo — uma cena estranha e triste, dois irmãos presos na mesma pele, brigando entre si.

E, no meio daquela confusão, Suikyo — agora sem vontade própria, guiado apenas pela ordem plantada em sua mente — saiu caminhando da Casa de Gêmeos, sem que nem ele mesmo soubesse explicar como.


Capítulo 3 — A Casa Mais Triste do Santuário

Enquanto isso, Tenma e Shun chegavam a um lugar bem diferente de tudo que já tinham visto: a Casa de Câncer.

— Que lugar mais triste — sussurrou Tenma, olhando ao redor.

— Não é à toa — respondeu Shun, sério. — A Casa de Câncer é a mais próxima do Mundo dos Mortos.

Caixões de madeira estavam alinhados nas paredes, silenciosos. E, de trás deles, surgiu um Cavaleiro de armadura escura, com um sorriso estranho no rosto.

— Bem-vindos — ele disse. — Eu sou o Contador da Morte, guardião desta casa. Podem escolher seus caixões.

— Nós não estamos mortos! — protestou Tenma. — Viemos avisar que o Grande Mestre traiu Atena!

— Eu já sei disso há um bom tempo — respondeu ele, dando de ombros. — Mas isso não significa que vou deixar vocês passarem.

Ele ergueu o dedo indicador bem devagar, e o dedo começou a brilhar.

Ondas do Inferno!

Uma onda invisível varreu a sala. Tenma sentiu como se algo estivesse puxando sua alma para fora do próprio corpo. O chão sumiu. E, quando ele abriu os olhos de novo, não estava mais na Casa de Câncer — estava numa colina cinzenta e silenciosa, a entrada do Mundo dos Mortos, com um abismo escuro se abrindo ali perto.

Shun tinha ido parar no mesmo lugar. E o Contador da Morte já estava lá, esperando pelos dois, sorrindo.


Capítulo 4 — O Caixão do Silêncio

— Vocês são teimosos — disse o guardião. — Então vamos tentar de outro jeito.

Ele estendeu a mão, e um caixão antigo e pesado se materializou no ar, coberto de inscrições que ninguém mais sabia ler.

— Este é o Omertá, o Caixão do Silêncio. Vou fazer uma pergunta a vocês. E, respondam o que responderem… o caixão leva vocês.

— Isso é trapaça! — protestou Tenma.

— É — concordou o Contador da Morte, satisfeito. — Faz parte da graça.

Shun ergueu as correntes, tentando proteger os dois.

Defesa Circular!

As correntes giraram formando uma barreira brilhante ao redor deles — mas o Omertá não atacava de fora. Ele simplesmente puxava. E os dois foram sugados para dentro do caixão, que se fechou com um baque surdo.

Silêncio total.

Foi então que um cosmo gelado explodiu na colina.

Lanças de Gelo da Lótus Branca!

Suikyo — ainda sem vontade própria, ainda dominado pelo Satã Imperial — atravessou o Omertá com um redemoinho de lanças cristalinas. O caixão rachou, e Tenma e Shun caíram no chão, tossindo, livres.


Capítulo 5 — Aquele Que Não Escolheu Lado Nenhum

O Contador da Morte olhou para Suikyo com irritação.

— Por que você faz isso? — perguntou Suikyo, a voz estranhamente distante. — Você sabe da traição do Grande Mestre. Sabe que Hades quer destruir tudo. E continua aqui, sem escolher nenhum lado?

— Eu sou o guardião dos mortos — respondeu ele, calmamente. — Se Hades vencer, minha posição continua a mesma. Se Atena vencer, também. As duas opções me servem igualmente bem.

Suikyo sentiu uma raiva diferente crescer dentro dele.

— Isso é vergonhoso. Você é um lixo.

O Contador da Morte parou de sorrir.

— Então vamos acabar com isso de uma vez.

E o que veio a seguir foi brutal: ele avançou sobre os três ao mesmo tempo, rápido demais, e derrubou Suikyo, Tenma e Shun um atrás do outro, rindo da própria superioridade.

— Vocês três vão para o buraco. Nenhum de vocês volta de lá.


Capítulo 6 — A Mão do Mestre

Foi quando o Contador da Morte ergueu Tenma e Shun para jogá-los no abismo que Suikyo se levantou.

Ainda dominado, ainda sem controle sobre si mesmo, ele avançou — mas não contra o guardião. Contra Tenma.

O punho de Suikyo veio direto no peito do próprio aluno.

Corrente Nebular!

A corrente de Shun se enrolou no braço de Suikyo, segurando-o a centímetros de Tenma.

— Shun, solta ele — disse Tenma.

— O quê? Ele vai te matar!

— Solta.

Shun hesitou, mas soltou.

E então Tenma fez a coisa mais corajosa e mais estranha daquela batalha: ele pegou a mão do mestre com as duas mãos e a segurou junto ao próprio peito.

— Mestre Suikyo… sou eu. O Pégaso. Não… sou eu, o Tenma!

Suikyo o golpeou. Uma vez, duas vezes. Tenma cambaleou, mas não soltou a mão dele.

— Você me ensinou tudo o que eu sei! Você me deu comida quando eu não tinha nada! Você é um homem forte de corpo e de alma. Ninguém, ninguém no mundo, consegue tomar a sua mente inteira!

Suikyo pressionou a mão contra o peito de Tenma — e o coração do garoto parou.

Shun correu para socorrê-lo e também foi derrubado.

Mas então aconteceu.

O coração de Tenma voltou a bater.

Suikyo cambaleou para trás, os olhos voltando ao normal aos poucos, como alguém acordando de um pesadelo muito longo.

Porque o Satã Imperial nunca tinha funcionado por completo dentro dele. Lá atrás, na Casa de Áries, Ikki tinha acertado nele o Golpe Fantasma da Fênix — e aquele golpe, que remexe as lembranças mais fundas do coração, deixou dentro de Suikyo uma resistência que Abel nunca conseguiu quebrar.

Ele não conseguiu matar Tenma. Uma parte dele se recusou.


Capítulo 7 — A Pergunta Que Venceu o Guardião

O Contador da Morte, vendo aquilo, ficou sério pela primeira vez.

— Chega de brincadeira. Vou acabar com todos vocês.

Suikyo se levantou, ainda tonto, e atacou de novo:

Lanças de Gelo da Lótus Branca!

Mas dessa vez as lanças se despedaçaram no ar antes de chegar perto.

— A mesma técnica não funciona duas vezes contra um guardião — disse o Contador da Morte, derrubando Suikyo com um único golpe. — E eu sei de uma coisa sobre você, Garuda: você nunca traiu Atena de verdade, traiu?

Ele ergueu Suikyo pelo pescoço, pronto para lançá-lo no abismo.

Foi aí que Tenma e Shun, caídos e sem forças para lutar, tiveram a ideia mais improvável do mundo.

— Ei! — gritou Tenma. — Antes de acabar com a gente… me tira uma dúvida. Você é homem ou mulher?

O Contador da Morte congelou.

— O QUÊ?!

— É que a gente não conseguiu decidir — completou Shun, com toda a inocência do mundo.

— EU SOU HOMEM! HOMEM! — berrou ele, girando para encará-los, tão furioso que se esqueceu completamente de onde estava pisando.

E foi exatamente naquele instante — descuidado, gritando, de costas para o próprio caixão — que o Omertá o sugou para dentro.

A tampa se fechou com um baque. E o guardião de Câncer, que tinha aprisionado tanta gente naquele caixão, ficou preso nele.

Tenma e Shun se olharam, sem acreditar no que tinham acabado de fazer.

— Funcionou — disse Tenma, rindo e tossindo ao mesmo tempo.


Capítulo 8 — Seguir em Frente

Quando os dois se levantaram e olharam em volta, Suikyo não estava mais ali.

Recuperado, com a mente finalmente livre, ele tinha ido embora sozinho, subindo em direção à Casa de Leão, sem esperar por ninguém, carregando os próprios ferimentos e a própria culpa.

— Ele foi embora — disse Shun.

Tenma olhou para as escadarias que subiam ao longe, e apertou os punhos.

— Então a gente vai atrás. Ele ainda não terminou o que veio fazer… e eu ainda não terminei de trazer o meu mestre de volta.

Os dois começaram a subir.


O Fim do Volume 5

Este volume nos ensinou duas coisas.

A primeira: nem todo mundo escolhe um lado numa guerra. O Contador da Morte não era exatamente mau — ele só não se importava o suficiente para escolher entre o certo e o errado. E, no fim, foi a própria vaidade dele que o derrubou.

A segunda, e mais importante: Tenma venceu a parte mais difícil daquela batalha sem dar um único soco. Ele segurou a mão do mestre e lembrou a ele quem ele era. E aquilo — mais do que gelo, mais do que fogo, mais do que qualquer golpe — foi o que trouxe Suikyo de volta.

Fim do Volume 5. A aventura continua no próximo volume.


Boa noite, pequeno guerreiro. Amanhã a história continua.