
Obra original: Saint Seiya: Next Dimension, de Masami Kurumada. Adaptação narrativa de fã preparada por Rafael com auxílio de inteligência artificial. Projeto independente, sem vínculo oficial com os titulares da obra.
Capítulo 1 — O Juramento da Deusa
Havia uma coisa acontecendo com Atena que ninguém tinha percebido ainda.
Quando Cronos a mandou para o passado, ele mexeu na idade dela por travessura, e ela chegou ao Santuário como um bebê indefeso. Mas o tempo, dentro dela, não tinha parado.
Ele estava correndo. Rápido demais.
Dia após dia, aquela criança carregada nos braços de Shijima crescia — não no ritmo de uma criança normal, mas no ritmo de alguém cujo relógio interno foi quebrado e agora gira sem freio. Ela aprendeu a sentar. Depois a ficar de pé. Depois a andar.
E, quando finalmente aprendeu a falar, a primeira coisa que ela disse foi um juramento.
— Eu vim aqui para salvar uma vida — sussurrou a menina, olhando para as próprias mãos pequenas. — E eu não vou embora deste tempo sem cumprir o que prometi. Nem que eu tenha que atravessar o Santuário inteiro sozinha. Nem que me custe tudo.
Ela ainda era pequena. Ainda estava fraca. E o prazo de três dias que Cronos tinha concedido continuava correndo, implacável, do outro lado do tempo, onde Seiya dormia numa cama.
Capítulo 2 — A Brecha no Tempo
Mas havia um problema que ninguém tinha previsto — nem Cronos, nem Atena, nem os Cavaleiros de Ouro.
Duas Atenas não podem existir no mesmo mundo ao mesmo tempo.
E, naquele momento, existiam: a Atena daquela era, e a Atena vinda do futuro. Duas deusas idênticas ocupando o mesmo pedaço de tempo, como duas pessoas tentando pisar no mesmo degrau.
O tempo não aguentou.
Uma rachadura se abriu — uma brecha fina, silenciosa, invisível — bem no meio do espaço e do tempo. E, por essa rachadura, coisas que estavam trancadas havia eras começaram, devagar, a escorrer de volta para o mundo.
Foi por essa brecha que a serpente entrou.
Capítulo 3 — A Prova do Leão
Na Casa de Leão, Ikki encarava Kaiser.
— Você quer passar? — disse o Cavaleiro de Ouro. — Então prove. A prova é simples: chegue até onde eu estou. Só isso.
— Só isso — repetiu Ikki.
— Raio de Luz!
O soco veio na velocidade da luz. Ikki foi arremessado para trás e bateu contra uma coluna com um estrondo.
— Não adianta — disse Kaiser. — Meus golpes viajam na velocidade da luz. Ninguém atravessa isso.
Mas Ikki se levantou.
Cambaleando, sangrando, mas de pé — e sem ferimento mortal nenhum, o que era simplesmente impossível.
Kaiser franziu a testa.
— Como…?
— Porque eu já vi esse golpe antes — respondeu Ikki, cuspindo sangue. — No meu tempo, existe um Cavaleiro de Leão chamado Aiolia. Eu conheço a batida desse punho. Conheço o ritmo dele.
Kaiser sentiu, pela primeira vez, um respeito de verdade por aquele garoto de bronze.
— Então venha com tudo — disse Ikki. — Não se segure. Se você se segurar, eu vou me ofender.
Kaiser acendeu o cosmo até o teto.
— RELÂMPAGO DE PLASMA!
Centenas de socos na velocidade da luz atingiram Ikki de uma vez só, e o corpo dele foi engolido por um clarão branco.
E, no meio daquele clarão, uma voz gritou:
— Kaiser, para! Você vai matar o seu próprio sucessor!
Era o Contador da Morte.
Kaiser congelou no meio do golpe.
— O quê?
— Você ouviu. Esse garoto aí vai herdar a Armadura de Ouro de Leão no futuro. É ele. É esse aí que você está espancando.
Capítulo 4 — O Sucessor
Kaiser olhou para Ikki de um jeito completamente diferente.
— Você é amigo daquele garoto de cabelo verde? Do Shun?
— Amigo, não — respondeu Ikki, se erguendo devagar. — Ele é meu irmão.
Kaiser assentiu lentamente, absorvendo aquilo.
— Mesmo assim — disse ele — a prova continua de pé. Se você é mesmo meu sucessor, então chegue até aqui. Por conta própria. Sem que ninguém peça por você.
E disparou.
— RAIO DE LUZ!
Ikki não desviou. Ele plantou os pés no chão, ergueu os braços, e queimou tudo o que ainda restava dentro dele.
— AVE FÊNIX!
Fogo contra luz. As duas técnicas se encontraram no meio do salão e se anularam exatamente na metade, num empate perfeito, e a onda de choque sacudiu as colunas da Casa de Leão.
Kaiser arregalou os olhos.
— Você tinha esse poder o tempo todo. Por que não usou antes?
— Porque o inimigo de verdade ainda está por vir — respondeu Ikki, ofegante. — E, quando ele chegar, eu quero ter o que sobrou.
Kaiser ficou olhando para ele por um longo momento.
E, então, atravessou a distância entre os dois num piscar de olhos, encostou o dedo num ponto exato no corpo de Ikki — um dos pontos vitais estelares — e o pressionou.
O ferimento de Ikki fechou.
— Passe — disse Kaiser de Leão. — E, quando chegar a sua hora, cuide bem da minha armadura.
Capítulo 5 — O Caminho de Rosas
Enquanto isso, do outro lado do Santuário, Shijima caminhava com a pequena Atena ao lado, subindo em direção à Casa de Peixes.
E o caminho inteiro estava coberto de rosas vermelhas.
— Não pise nelas — avisou Shijima. — São Rosas Demoníacas. O perfume delas mata.
— Elas não estão aqui por causa do Cardinale — disse Atena, calmamente. — Estão aqui porque o próprio Santuário me considera uma inimiga agora. As rosas estão me atacando sozinhas.
E, então, ela deu um passo à frente.
— Atena, não!
Mas algo extraordinário aconteceu.
A rosa que ela pisou perdeu a cor. O vermelho escorreu dela como tinta na chuva, e ela ficou branca — completamente branca, inofensiva, limpa.
Atena deu outro passo. Outra rosa embranqueceu. E outra. E outra.
Ela atravessou o caminho de veneno a pé, descalça, e cada flor que tocava perdia sua maldade só de encostar nela.
Shijima assistiu àquilo em silêncio, e entendeu, com o coração apertado, exatamente que tipo de criatura estava caminhando ao seu lado.
E foi bem no fim do caminho, quando o pior já parecia ter passado, que uma serpente saiu de baixo das folhas e mordeu a perna dela.
Capítulo 6 — Samael
— ATENA!
Shijima a pegou no colo. A menina estava pálida, e o lugar da mordida já escurecia.
A serpente ergueu a cabeça e falou — porque aquela serpente falava.
— Meu nome é Samael. Significa "veneno de deus". — Ela deslizou pelo chão de pedra sem pressa nenhuma. — Essa criança vai morrer. E não existe remédio no mundo capaz de salvá-la.
— Mentira! — rugiu Shijima.
— Não é mentira. Existe uma pessoa capaz de curar esse veneno. Uma só. — A serpente parou e virou a cabeça. — O nome dele é Odisseu. E ele está voltando.
Shijima ficou gelado.
— Odisseu… o Cavaleiro de Serpentário?
— A Décima Terceira Casa vai reaparecer no Santuário — sibilou Samael. — E o Cavaleiro dela vai estar lá dentro, esperando. Se vocês quiserem que essa criança viva… vão ter que levá-la até ele. E aceitar as condições dele.
E, dizendo isso, a serpente sumiu — deixando para trás uma menina envenenada, um Cavaleiro desesperado, e uma armadilha perfeita.
Porque o único homem capaz de salvar Atena era exatamente o homem que queria a cabeça dela.
Em outro ponto do Santuário, o emissário da serpente sussurrava a mesma história a Shion de Áries:
— Odisseu é a reencarnação de Asclépio, o deus da cura. O mais poderoso dos oitenta e oito Cavaleiros de Atena. E ele nunca lutou, nem uma vez na vida. Ele só curou. — A serpente sorriu. — Não existe um único Cavaleiro neste Santuário que não deva a vida a ele. Nem você, Áries. Nem você.
— E mesmo assim — respondeu Shion, sem hesitar — ele quer a cabeça de Atena. Então minha resposta é não.
— Que pena — disse a serpente, se afastando. — Nós vamos matá-la de qualquer jeito.
Capítulo 7 — Gelo Contra Gelo
Shijima carregou Atena até a Casa de Aquário e desabou na entrada.
Lá dentro, encontrou uma cena estranha: um Cavaleiro de Ouro de cabelos claros, e um rapaz completamente congelado, preso num bloco de gelo.
O rapaz congelado era Hyoga de Cisne.
— Ele entrou aqui dizendo que veio do futuro — explicou Mystoria de Aquário, sem emoção. — Eu não acreditei.
Shijima estendeu os braços.
— Esta criança é Atena. A verdadeira. Ela está envenenada. Leve-a até a Décima Terceira Casa, até Odisseu, ou ela morre.
Mystoria estendeu a mão para pegar a menina — e o braço dele congelou no meio do caminho.
Ele se virou, atônito.
Hyoga tinha se libertado do próprio bloco de gelo.
— Me entregue a Atena — disse o Cavaleiro de Cisne.
— Ela me foi confiada.
— Então eu vou levá-la à força.
— PÓ DE DIAMANTE!
Mystoria deteve o golpe com uma mão, quase entediado.
— Que frio fraquinho. Você usa técnicas de ar congelado? Curioso. Mas ainda é uma brincadeira de criança perto do que eu faço.
Ele ergueu os braços, unindo-os na forma de um cântaro.
— EXECUÇÃO AURORA!
Uma aurora de gelo, capaz de congelar até os átomos, varreu o salão em direção a Hyoga.
E Hyoga a bloqueou.
Mystoria ficou paralisado de espanto.
— Impossível…
— A mesma técnica não funciona duas vezes contra um Cavaleiro — disse Hyoga, ofegando. — E eu já vi essa. Muitas vezes. Foi o meu mestre quem me ensinou.
— Seu mestre?!
— O nome dele é Camus. — Hyoga ergueu os olhos. — E ele é o seu sucessor. O Cavaleiro de Ouro de Aquário do meu tempo. Ele me ensinou essa técnica… e morreu para me ensinar.
Capítulo 8 — Zero Absoluto
O rosto de Mystoria mudou. A arrogância sumiu, e no lugar dela veio outra coisa: curiosidade. Talvez esperança.
— Você já ouviu falar do zero absoluto, garoto?
— Já.
— É a temperatura mais baixa que pode existir no universo. O ponto em que tudo para de se mover. — Ele apontou para a própria armadura dourada. — Só alcançando o zero absoluto é possível congelar a Armadura de Aquário. Ninguém nunca conseguiu.
Ele encarou Hyoga nos olhos.
— Congele a minha armadura. Se conseguir, eu entrego Atena a você e acredito em cada palavra que você disse.
Hyoga assumiu a posição.
Os dois ergueram os braços exatamente do mesmo jeito, na mesma pose, com dois séculos de distância entre eles.
— EXECUÇÃO AURORA!
— EXECUÇÃO AURORA!
As duas auroras se encontraram no meio da Casa de Aquário, e o mundo ficou branco.
O frio daquele choque foi tão absoluto, tão além de qualquer coisa humana, que o Cavaleiro de Capricórnio sentiu o arrepio de dentro da própria casa, casas de distância dali.
Quando a luz baixou, Hyoga estava caído no chão, sem uma gota de força sobrando.
E a Armadura de Aquário estava coberta de gelo.
Capítulo 9 — Aquele Que Herdará Aquário
Mystoria olhou para a própria armadura congelada por um bom tempo, em silêncio.
Depois se ajoelhou ao lado do garoto caído, encostou o dedo num ponto do corpo dele e o pressionou. Hyoga voltou a respirar direito.
— Por que você não usou todo o seu poder? — perguntou Mystoria.
— Porque, se eu usasse tudo, eu podia matar o senhor — respondeu Hyoga. — E o senhor não é meu inimigo.
Mystoria balançou a cabeça devagar.
— Essa gentileza um dia vai te matar, garoto. — Ele fez uma pausa. — Mas eu entendo agora por que o meu sucessor escolheu você.
Ele pegou a pequena Atena com cuidado e a colocou nos braços de Hyoga.
— Leve-a. Eu confio em você, futuro Cavaleiro de Aquário.
Hyoga se levantou com a menina no colo.
— Uma última coisa — disse Mystoria. — Eu acreditei em você. Mas o próximo é Izô, de Capricórnio. E convencer aquele homem vai ser bem mais difícil do que congelar uma armadura.
Serpentes começaram a surgir das frestas do chão, deslizando na direção dos dois.
Mystoria nem se virou.
— KHOLODNYI SMERCH!
Um vórtice de ar congelante varreu o salão e transformou todas elas em pó de gelo.
E o Cavaleiro de Aquário ficou ali sozinho, olhando para a própria armadura coberta de neve, com uma pergunta que ele não conseguia responder:
A quem nós devemos lealdade, agora? A Atena? Ou a Odisseu de Serpentário?
Capítulo 10 — Tremor Antes da Destruição
E foi então que o céu começou a se mexer.
Não as nuvens. As estrelas.
Mystoria saiu para fora e olhou para cima, e o que viu o deixou sem ar. Não era só a Terra que estava desalinhada. Era o Sol. Eram as outras estrelas. Era o movimento inteiro da Via Láctea, todos os corpos celestes da galáxia, saindo lentamente de suas órbitas, como um relógio gigantesco cujas engrenagens começaram a escorregar.
Porque duas Atenas no mesmo tempo é uma coisa que o universo não perdoa.
Na Casa de Gêmeos, Abel sentiu aquilo e sorriu.
— Uma catástrofe cósmica. Que providência divina maravilhosa. — Ele olhou para o alto do Santuário. — Vai ser a oportunidade perfeita para eu tomar este lugar para mim.
Na Casa de Libra, Dohko continuou subindo, com o rosto duro.
— Então era isso. Era isso que o Suikyo tinha visto. — Ele apertou os punhos. — Se Atena morrer, a catástrofe para. É por isso que ela precisa morrer. Não tem outro jeito.
E, na Casa de Capricórnio, a serpente Samael tentava a mesma conversa de sempre.
— Jure lealdade a Odisseu, Izô. Ele salvou a sua vida. Ele salvou a vida de todos vocês.
Izô de Capricórnio nem olhou para ela.
— Eu não devo nada a Odisseu. Eu treinei no Japão. Eu sigo o bushidô. E, no bushidô, um homem tem um único soberano na vida inteira.
Ele ergueu a mão, e o braço dele brilhou como uma lâmina.
— O meu é Atena. — EXCALIBUR!
O corte partiu a serpente ao meio.
E foi exatamente nesse instante que Hyoga entrou na Casa de Capricórnio, com uma menina envenenada nos braços e o céu desmoronando lá fora.
— Cavaleiro de Capricórnio — ele disse. — O tempo está ficando estranho. Muito estranho. E nós precisamos chegar à Décima Terceira Casa antes que seja tarde demais.
O Fim do Volume 10
Este volume é sobre reconhecimento.
Kaiser reconheceu Ikki. Mystoria reconheceu Hyoga. Dois Cavaleiros de Ouro de duzentos e quarenta anos atrás olharam para dois garotos de bronze vindos do futuro e enxergaram, dentro deles, os herdeiros das próprias armaduras. Nenhum dos dois precisou ser derrotado para acreditar — os dois precisaram apenas ver.
E é sobre uma armadilha perfeita: o único homem no mundo capaz de salvar Atena do veneno é justamente o homem que quer matá-la.
Guarde essa pergunta para os próximos volumes, porque ela é o coração de tudo o que vem por aí: o que você faz quando a única pessoa que pode te salvar é a mesma que quer te destruir?
Fim do Volume 10. No próximo volume, a Décima Terceira Casa finalmente reaparece no Santuário.
Boa noite, pequeno guerreiro. Amanhã a história continua.