
Obra original: Saint Seiya: Next Dimension, de Masami Kurumada. Adaptação narrativa de fã preparada por Rafael com auxílio de inteligência artificial. Projeto independente, sem vínculo oficial com os titulares da obra.
Capítulo 1 — A Bandeira da Revolução
Na Casa de Libra, o silêncio depois do poema durou pouco.
Tenma ainda estava ajoelhado ao lado do corpo do mestre, agora vestido com a prata da Armadura de Taça, quando Dohko se levantou devagar e disse a frase que ninguém esperava ouvir:
— Eu vou trair Atena.
Tenma ergueu a cabeça de repente.
— O quê?
— Você ouviu.
— Mas… o senhor é um Cavaleiro de Ouro! O senhor acabou de chorar pelo meu mestre! O senhor não pode…
— Escute — Dohko o interrompeu, e a voz dele não tinha raiva nenhuma, só cansaço. — Eu ouvi a voz do coração do Suikyo antes de ele partir. Ouvi tudo. E agora eu sei de uma coisa que vocês ainda não sabem.
Ele apontou para a grande balança de pedra esculpida na parede da Casa de Libra — o símbolo eterno do equilíbrio entre a Força e a Justiça.
— Vocês estão vendo essa balança? Ela sempre esteve nivelada. Sempre. — A voz dele falhou. — Mas neste exato momento, dentro deste Santuário, a justiça está desaparecendo. Ela está sumindo, garoto. E, quando a justiça some, a balança tomba para o lado da força.
Ele deu as costas aos dois garotos.
— E, se é assim… eu não tenho outra escolha.
Capítulo 2 — Notícia no Castelo de Hades
Muito longe dali, no Castelo de Hades, um Espectro chamado Meehan de Sapo entrou correndo na sala de Vermeer de Grifo.
— Notícia! Boa notícia! Suikyo está morto!
Vermeer não respondeu. Ele apenas caminhou até o salão principal, onde Pandora esperava — e lá estava, pousada no chão como um pássaro que voltou para casa, a Sapuris de Garuda. Vazia.
Pandora olhou para a armadura por um longo instante.
— Então o traidor finalmente morreu — disse ela, sem uma gota de emoção. — Já perdemos tempo demais com sutilezas.
Ela virou-se para Vermeer.
— Reúna seus Espectros. Marchem sobre o Santuário. E me tragam a cabeça de Atena.
Vermeer sorriu, e era um sorriso que fazia falta de dentes.
— Com prazer.
Capítulo 3 — Guerra no Mundo dos Mortos
O exército de Hades não subiu pela porta da frente.
Eles vieram por baixo — pela colina cinzenta do Yomotsu, pela fronteira entre os vivos e os mortos, o único caminho que restava desde que a barreira de Atena tinha enfraquecido.
E lá embaixo, naquele lugar sem cor, começou uma batalha desesperada.
O Contador da Morte — o guardião de Câncer, aquele que atravessava a fronteira dos mortos como quem atravessa a rua — estava exatamente no meio do caminho do exército inteiro.
Ele não tinha escolhido lado nenhum a vida toda. Tinha se orgulhado disso.
Mas, naquela noite, quando os Espectros exigiram que ele os guiasse até Atena, o guardião de Câncer descobriu que tinha um lado, sim.
— Não — ele disse.
E foi só isso. Uma palavra.
Ele usou tudo o que sabia. Mandou Espectro após Espectro de volta para o abismo com as Ondas do Inferno. Usou o Shabadabadaa, sua técnica mais secreta, capaz de puxar alguém de volta do mundo dos mortos, para atravessar o campo de batalha em lugares onde ninguém esperava que ele aparecesse.
Mas eram muitos. Muitos demais.
E, atrás de todos eles, veio Vermeer.
Capítulo 4 — A Marionete
Vermeer de Grifo não lutava com socos. Ele lutava com fios.
Fios finíssimos de cosmo, quase invisíveis, que se prendiam aos braços e às pernas do adversário e o transformavam num boneco articulado — a Marionete Cósmica.
— Abra o Omertá — ordenou Vermeer.
E o Contador da Morte, sem controle sobre o próprio corpo, viu suas mãos abrirem o caixão sozinhas, contra a sua vontade.
— Agora me leve até Atena.
— Não.
Vermeer ergueu as sobrancelhas.
— Não? Que interessante. — Ele girou o dedo no ar. — Vamos dançar, então.
E começou a recitar nomes de posições de balé.
A cada nome, o corpo do Cavaleiro de Câncer se dobrava numa posição diferente, torcendo-se em ângulos que ossos humanos não deveriam fazer, dançando contra a própria vontade no meio daquele campo cinzento.
A armadura dourada de Câncer foi arrancada peça por peça, até sobrar só o elmo.
E, quando até o elmo caiu, caiu junto com ele a peruca do guardião — que rolou pelo chão e parou aos pés de Vermeer.
O Espectro caiu na gargalhada.
— Olha só isso! O grande guardião dos mortos é careca!
Caído no chão, o corpo todo retorcido, o Contador da Morte estendeu a mão trêmula.
— Devolve.
— Como?
— A minha peruca. Devolve. — Ele ergueu o rosto, e não havia nada de cômico no olhar dele. — Um guerreiro de verdade tem que estar bonito. Até na hora de morrer. Principalmente na hora de morrer. — Ele tossiu sangue. — Mas alguém como você nunca ia entender uma coisa dessas.
O sorriso sumiu do rosto de Vermeer.
— Então vamos acabar com isso.
Ele encostou o dedo no pescoço do Cavaleiro caído e começou a girar.
Trinta graus. Sessenta. Noventa. Cento e vinte. Cento e cinquenta…
E parou.
Parou porque uma mão tinha agarrado o dedo de Vermeer e o puxado para trás.
Uma mão em chamas.
— Você fala demais — disse Ikki de Fênix.
Capítulo 5 — Fênix e o Guardião
Vermeer recuou, avaliando o recém-chegado.
— Ah. O Cavaleiro de Bronze de novo.
— O mesmo.
— Você não aprende, não é? Eu já derrotei você uma vez.
— Aprendo, sim — respondeu Ikki, e as chamas subiram pelos braços dele. — Aprendo rápido demais para o seu gosto.
Os fios voaram. Ikki queimou os fios. Vermeer disparou de novo, mais rápido, prendendo o braço esquerdo de Ikki — e Ikki simplesmente avançou com o braço preso, arrastando o próprio fio consigo, até ficar perto o bastante para acertar o rosto do juiz com o punho direito.
Vermeer cambaleou pela primeira vez naquela noite.
— Impossível… um Bronze não pode…
— GOLPE FANTASMA DE FÊNIX!
A ilusão atravessou o Espectro em silêncio, entrando pelos olhos, indo direto às lembranças mais fundas dele. Vermeer gritou — não de dor física, mas daquele tipo de dor que não tem remédio.
E, enquanto ele estava assim, cambaleando, cego pelas próprias memórias, uma sombra pequena e gorducha subiu no ar atrás dele.
O Contador da Morte, com o corpo retorcido, sem armadura, sem peruca, mal conseguindo ficar de pé — mas de pé.
— Ei, Grifo.
Vermeer se virou.
— Isso é pela minha peruca. — BOMBARDEIRO DE PÊSSEGO!
E o guardião de Câncer se jogou de traseiro contra o juiz do Mundo dos Mortos com toda a força que lhe restava, empurrando Vermeer para trás, para trás, e para dentro do abismo do mundo dos mortos.
O grito de Vermeer foi ficando mais fino, mais distante, até sumir.
Ikki olhou para o Cavaleiro de Câncer com uma expressão que era quase respeito.
— Você é ridículo.
— Eu sei — disse o Contador da Morte, catando a peruca do chão e ajeitando-a na cabeça com toda a dignidade do mundo. — Mas eu sou ridículo e estou vivo. Ele era elegante e está lá embaixo.
Capítulo 6 — Contra o Próprio Mestre
Enquanto isso, na Casa de Libra, acontecia a coisa mais dolorosa daquela noite.
Shun tentou primeiro conversar.
— Mestre Ancião! Eu sou companheiro do Shiryu! Nós viemos do mesmo tempo, o senhor pode confiar em mim!
Dohko parou por um segundo ao ouvir aquele nome antigo.
— A Atena de vocês virou um bebê — continuou Shun, desesperado. — Ela é indefesa! O senhor não pode…
— Não importa — cortou Dohko. — Bebê ou deusa, não importa. Eu preciso matá-la. Era isso que o Suikyo queria.
E jogou Shun longe com um único movimento.
Tenma entrou no meio da luta.
— Então vai ter que passar por mim também!
Os dois garotos atacaram juntos. Meteoros e correntes voaram ao mesmo tempo, de dois lados diferentes, com tudo o que eles tinham.
Dohko devolveu os dois ataques sem sair do lugar.
— Foi sério isso? — perguntou, e não era provocação; era decepção. — Porque, se foi, não adianta. Podem repetir quantas vezes quiserem. O resultado vai ser sempre o mesmo.
Ele ergueu o punho para acabar com aquilo de uma vez.
E parou no ar.
Capítulo 7 — A Serpente
Porque algo tinha entrado na Casa de Libra.
No chão de mármore, entre os três, deslizava uma serpente.
Não uma serpente comum. Havia algo nela — uma presença antiga, uma coisa que não deveria mais existir no mundo, um mensageiro vindo de um lugar que tinha sido apagado dos mapas e da memória havia eras.
Dohko arregalou os olhos, e o punho dele caiu ao lado do corpo.
— Ela saiu… — ele sussurrou. — Finalmente saiu.
Tenma e Shun se entreolharam, sem entender nada.
— Então era verdade — continuou Dohko, e a voz dele começou a tremer. — As palavras do Suikyo estavam certas. Ele estava certo o tempo todo. Era isso que ele descobriu. Era isso que ele atravessou a Porta da Morte para vir avisar.
E, então, o Cavaleiro de Ouro de Libra — o guerreiro que tinha acabado de derrotar um Juiz do Mundo dos Mortos, o homem que ia viver duzentos e quarenta e três anos sozinho numa cachoeira — começou a chorar na frente de dois garotos.
— O que eu faço agora? — ele disse, olhando para o nada. — Eu não sei. Eu não sou o inteligente dos dois. Você é o inteligente. Você sempre foi.
Ele apertou os olhos com força.
— Shi… Shion… me diz o que eu faço, Shion!
E, do lado de fora, o Santuário inteiro começava a se encher de Espectros.
O Fim do Volume 9
Este volume tem duas cenas que combinam de um jeito estranho e perfeito.
Uma é ridícula: um homem baixinho, careca, sem armadura, com o corpo todo torto, derrubando um dos três Juízes do Mundo dos Mortos com um golpe de bumbum — depois de exigir sua peruca de volta porque um guerreiro precisa estar bonito na hora de morrer.
A outra é de partir o coração: um Cavaleiro de Ouro poderosíssimo, chorando no chão da própria casa, pedindo conselho a um amigo que não está ali, porque descobriu uma verdade grande demais para carregar sozinho.
As duas cenas dizem a mesma coisa: coragem não é não ter medo, e não é ser digno o tempo todo. É continuar de pé — de peruca torta ou aos prantos — quando fugir seria muito mais fácil.
Fim do Volume 9. No próximo volume, o segredo do Décimo Terceiro Cavaleiro de Ouro finalmente sai das sombras.
Boa noite, pequeno guerreiro. Amanhã a história continua.