Volume 10: O Veneno e o Zero Absoluto

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Volume 10 · O Veneno e o Zero Absoluto

Obra original: Saint Seiya: Next Dimension, de Masami Kurumada. Adaptação narrativa de fã preparada por Rafael com auxílio de inteligência artificial. Projeto independente, sem vínculo oficial com os titulares da obra.

Capítulo 1 — O Juramento da Deusa

Havia uma coisa acontecendo com Atena que ninguém tinha percebido ainda.

Quando Cronos a mandou para o passado, ele mexeu na idade dela por travessura, e ela chegou ao Santuário como um bebê indefeso. Mas o tempo, dentro dela, não tinha parado.

Ele estava correndo. Rápido demais.

Dia após dia, aquela criança carregada nos braços de Shijima crescia — não no ritmo de uma criança normal, mas no ritmo de alguém cujo relógio interno foi quebrado e agora gira sem freio. Ela aprendeu a sentar. Depois a ficar de pé. Depois a andar.

E, quando finalmente aprendeu a falar, a primeira coisa que ela disse foi um juramento.

— Eu vim aqui para salvar uma vida — sussurrou a menina, olhando para as próprias mãos pequenas. — E eu não vou embora deste tempo sem cumprir o que prometi. Nem que eu tenha que atravessar o Santuário inteiro sozinha. Nem que me custe tudo.

Ela ainda era pequena. Ainda estava fraca. E o prazo de três dias que Cronos tinha concedido continuava correndo, implacável, do outro lado do tempo, onde Seiya dormia numa cama.


Capítulo 2 — A Brecha no Tempo

Mas havia um problema que ninguém tinha previsto — nem Cronos, nem Atena, nem os Cavaleiros de Ouro.

Duas Atenas não podem existir no mesmo mundo ao mesmo tempo.

E, naquele momento, existiam: a Atena daquela era, e a Atena vinda do futuro. Duas deusas idênticas ocupando o mesmo pedaço de tempo, como duas pessoas tentando pisar no mesmo degrau.

O tempo não aguentou.

Uma rachadura se abriu — uma brecha fina, silenciosa, invisível — bem no meio do espaço e do tempo. E, por essa rachadura, coisas que estavam trancadas havia eras começaram, devagar, a escorrer de volta para o mundo.

Foi por essa brecha que a serpente entrou.


Capítulo 3 — A Prova do Leão

Na Casa de Leão, Ikki encarava Kaiser.

— Você quer passar? — disse o Cavaleiro de Ouro. — Então prove. A prova é simples: chegue até onde eu estou. Só isso.

— Só isso — repetiu Ikki.

— Raio de Luz!

O soco veio na velocidade da luz. Ikki foi arremessado para trás e bateu contra uma coluna com um estrondo.

— Não adianta — disse Kaiser. — Meus golpes viajam na velocidade da luz. Ninguém atravessa isso.

Mas Ikki se levantou.

Cambaleando, sangrando, mas de pé — e sem ferimento mortal nenhum, o que era simplesmente impossível.

Kaiser franziu a testa.

— Como…?

— Porque eu já vi esse golpe antes — respondeu Ikki, cuspindo sangue. — No meu tempo, existe um Cavaleiro de Leão chamado Aiolia. Eu conheço a batida desse punho. Conheço o ritmo dele.

Kaiser sentiu, pela primeira vez, um respeito de verdade por aquele garoto de bronze.

— Então venha com tudo — disse Ikki. — Não se segure. Se você se segurar, eu vou me ofender.

Kaiser acendeu o cosmo até o teto.

— RELÂMPAGO DE PLASMA!

Centenas de socos na velocidade da luz atingiram Ikki de uma vez só, e o corpo dele foi engolido por um clarão branco.

E, no meio daquele clarão, uma voz gritou:

— Kaiser, para! Você vai matar o seu próprio sucessor!

Era o Contador da Morte.

Kaiser congelou no meio do golpe.

— O quê?

— Você ouviu. Esse garoto aí vai herdar a Armadura de Ouro de Leão no futuro. É ele. É esse aí que você está espancando.


Capítulo 4 — O Sucessor

Kaiser olhou para Ikki de um jeito completamente diferente.

— Você é amigo daquele garoto de cabelo verde? Do Shun?

— Amigo, não — respondeu Ikki, se erguendo devagar. — Ele é meu irmão.

Kaiser assentiu lentamente, absorvendo aquilo.

— Mesmo assim — disse ele — a prova continua de pé. Se você é mesmo meu sucessor, então chegue até aqui. Por conta própria. Sem que ninguém peça por você.

E disparou.

— RAIO DE LUZ!

Ikki não desviou. Ele plantou os pés no chão, ergueu os braços, e queimou tudo o que ainda restava dentro dele.

— AVE FÊNIX!

Fogo contra luz. As duas técnicas se encontraram no meio do salão e se anularam exatamente na metade, num empate perfeito, e a onda de choque sacudiu as colunas da Casa de Leão.

Kaiser arregalou os olhos.

— Você tinha esse poder o tempo todo. Por que não usou antes?

— Porque o inimigo de verdade ainda está por vir — respondeu Ikki, ofegante. — E, quando ele chegar, eu quero ter o que sobrou.

Kaiser ficou olhando para ele por um longo momento.

E, então, atravessou a distância entre os dois num piscar de olhos, encostou o dedo num ponto exato no corpo de Ikki — um dos pontos vitais estelares — e o pressionou.

O ferimento de Ikki fechou.

— Passe — disse Kaiser de Leão. — E, quando chegar a sua hora, cuide bem da minha armadura.


Capítulo 5 — O Caminho de Rosas

Enquanto isso, do outro lado do Santuário, Shijima caminhava com a pequena Atena ao lado, subindo em direção à Casa de Peixes.

E o caminho inteiro estava coberto de rosas vermelhas.

— Não pise nelas — avisou Shijima. — São Rosas Demoníacas. O perfume delas mata.

— Elas não estão aqui por causa do Cardinale — disse Atena, calmamente. — Estão aqui porque o próprio Santuário me considera uma inimiga agora. As rosas estão me atacando sozinhas.

E, então, ela deu um passo à frente.

— Atena, não!

Mas algo extraordinário aconteceu.

A rosa que ela pisou perdeu a cor. O vermelho escorreu dela como tinta na chuva, e ela ficou branca — completamente branca, inofensiva, limpa.

Atena deu outro passo. Outra rosa embranqueceu. E outra. E outra.

Ela atravessou o caminho de veneno a pé, descalça, e cada flor que tocava perdia sua maldade só de encostar nela.

Shijima assistiu àquilo em silêncio, e entendeu, com o coração apertado, exatamente que tipo de criatura estava caminhando ao seu lado.

E foi bem no fim do caminho, quando o pior já parecia ter passado, que uma serpente saiu de baixo das folhas e mordeu a perna dela.


Capítulo 6 — Samael

— ATENA!

Shijima a pegou no colo. A menina estava pálida, e o lugar da mordida já escurecia.

A serpente ergueu a cabeça e falou — porque aquela serpente falava.

— Meu nome é Samael. Significa "veneno de deus". — Ela deslizou pelo chão de pedra sem pressa nenhuma. — Essa criança vai morrer. E não existe remédio no mundo capaz de salvá-la.

— Mentira! — rugiu Shijima.

— Não é mentira. Existe uma pessoa capaz de curar esse veneno. Uma só. — A serpente parou e virou a cabeça. — O nome dele é Odisseu. E ele está voltando.

Shijima ficou gelado.

— Odisseu… o Cavaleiro de Serpentário?

— A Décima Terceira Casa vai reaparecer no Santuário — sibilou Samael. — E o Cavaleiro dela vai estar lá dentro, esperando. Se vocês quiserem que essa criança viva… vão ter que levá-la até ele. E aceitar as condições dele.

E, dizendo isso, a serpente sumiu — deixando para trás uma menina envenenada, um Cavaleiro desesperado, e uma armadilha perfeita.

Porque o único homem capaz de salvar Atena era exatamente o homem que queria a cabeça dela.

Em outro ponto do Santuário, o emissário da serpente sussurrava a mesma história a Shion de Áries:

— Odisseu é a reencarnação de Asclépio, o deus da cura. O mais poderoso dos oitenta e oito Cavaleiros de Atena. E ele nunca lutou, nem uma vez na vida. Ele só curou. — A serpente sorriu. — Não existe um único Cavaleiro neste Santuário que não deva a vida a ele. Nem você, Áries. Nem você.

— E mesmo assim — respondeu Shion, sem hesitar — ele quer a cabeça de Atena. Então minha resposta é não.

— Que pena — disse a serpente, se afastando. — Nós vamos matá-la de qualquer jeito.


Capítulo 7 — Gelo Contra Gelo

Shijima carregou Atena até a Casa de Aquário e desabou na entrada.

Lá dentro, encontrou uma cena estranha: um Cavaleiro de Ouro de cabelos claros, e um rapaz completamente congelado, preso num bloco de gelo.

O rapaz congelado era Hyoga de Cisne.

— Ele entrou aqui dizendo que veio do futuro — explicou Mystoria de Aquário, sem emoção. — Eu não acreditei.

Shijima estendeu os braços.

— Esta criança é Atena. A verdadeira. Ela está envenenada. Leve-a até a Décima Terceira Casa, até Odisseu, ou ela morre.

Mystoria estendeu a mão para pegar a menina — e o braço dele congelou no meio do caminho.

Ele se virou, atônito.

Hyoga tinha se libertado do próprio bloco de gelo.

— Me entregue a Atena — disse o Cavaleiro de Cisne.

— Ela me foi confiada.

— Então eu vou levá-la à força.

— PÓ DE DIAMANTE!

Mystoria deteve o golpe com uma mão, quase entediado.

— Que frio fraquinho. Você usa técnicas de ar congelado? Curioso. Mas ainda é uma brincadeira de criança perto do que eu faço.

Ele ergueu os braços, unindo-os na forma de um cântaro.

— EXECUÇÃO AURORA!

Uma aurora de gelo, capaz de congelar até os átomos, varreu o salão em direção a Hyoga.

E Hyoga a bloqueou.

Mystoria ficou paralisado de espanto.

— Impossível…

— A mesma técnica não funciona duas vezes contra um Cavaleiro — disse Hyoga, ofegando. — E eu já vi essa. Muitas vezes. Foi o meu mestre quem me ensinou.

— Seu mestre?!

— O nome dele é Camus. — Hyoga ergueu os olhos. — E ele é o seu sucessor. O Cavaleiro de Ouro de Aquário do meu tempo. Ele me ensinou essa técnica… e morreu para me ensinar.


Capítulo 8 — Zero Absoluto

O rosto de Mystoria mudou. A arrogância sumiu, e no lugar dela veio outra coisa: curiosidade. Talvez esperança.

— Você já ouviu falar do zero absoluto, garoto?

— Já.

— É a temperatura mais baixa que pode existir no universo. O ponto em que tudo para de se mover. — Ele apontou para a própria armadura dourada. — Só alcançando o zero absoluto é possível congelar a Armadura de Aquário. Ninguém nunca conseguiu.

Ele encarou Hyoga nos olhos.

— Congele a minha armadura. Se conseguir, eu entrego Atena a você e acredito em cada palavra que você disse.

Hyoga assumiu a posição.

Os dois ergueram os braços exatamente do mesmo jeito, na mesma pose, com dois séculos de distância entre eles.

— EXECUÇÃO AURORA!

— EXECUÇÃO AURORA!

As duas auroras se encontraram no meio da Casa de Aquário, e o mundo ficou branco.

O frio daquele choque foi tão absoluto, tão além de qualquer coisa humana, que o Cavaleiro de Capricórnio sentiu o arrepio de dentro da própria casa, casas de distância dali.

Quando a luz baixou, Hyoga estava caído no chão, sem uma gota de força sobrando.

E a Armadura de Aquário estava coberta de gelo.


Capítulo 9 — Aquele Que Herdará Aquário

Mystoria olhou para a própria armadura congelada por um bom tempo, em silêncio.

Depois se ajoelhou ao lado do garoto caído, encostou o dedo num ponto do corpo dele e o pressionou. Hyoga voltou a respirar direito.

— Por que você não usou todo o seu poder? — perguntou Mystoria.

— Porque, se eu usasse tudo, eu podia matar o senhor — respondeu Hyoga. — E o senhor não é meu inimigo.

Mystoria balançou a cabeça devagar.

— Essa gentileza um dia vai te matar, garoto. — Ele fez uma pausa. — Mas eu entendo agora por que o meu sucessor escolheu você.

Ele pegou a pequena Atena com cuidado e a colocou nos braços de Hyoga.

— Leve-a. Eu confio em você, futuro Cavaleiro de Aquário.

Hyoga se levantou com a menina no colo.

— Uma última coisa — disse Mystoria. — Eu acreditei em você. Mas o próximo é Izô, de Capricórnio. E convencer aquele homem vai ser bem mais difícil do que congelar uma armadura.

Serpentes começaram a surgir das frestas do chão, deslizando na direção dos dois.

Mystoria nem se virou.

— KHOLODNYI SMERCH!

Um vórtice de ar congelante varreu o salão e transformou todas elas em pó de gelo.

E o Cavaleiro de Aquário ficou ali sozinho, olhando para a própria armadura coberta de neve, com uma pergunta que ele não conseguia responder:

A quem nós devemos lealdade, agora? A Atena? Ou a Odisseu de Serpentário?


Capítulo 10 — Tremor Antes da Destruição

E foi então que o céu começou a se mexer.

Não as nuvens. As estrelas.

Mystoria saiu para fora e olhou para cima, e o que viu o deixou sem ar. Não era só a Terra que estava desalinhada. Era o Sol. Eram as outras estrelas. Era o movimento inteiro da Via Láctea, todos os corpos celestes da galáxia, saindo lentamente de suas órbitas, como um relógio gigantesco cujas engrenagens começaram a escorregar.

Porque duas Atenas no mesmo tempo é uma coisa que o universo não perdoa.

Na Casa de Gêmeos, Abel sentiu aquilo e sorriu.

— Uma catástrofe cósmica. Que providência divina maravilhosa. — Ele olhou para o alto do Santuário. — Vai ser a oportunidade perfeita para eu tomar este lugar para mim.

Na Casa de Libra, Dohko continuou subindo, com o rosto duro.

— Então era isso. Era isso que o Suikyo tinha visto. — Ele apertou os punhos. — Se Atena morrer, a catástrofe para. É por isso que ela precisa morrer. Não tem outro jeito.

E, na Casa de Capricórnio, a serpente Samael tentava a mesma conversa de sempre.

— Jure lealdade a Odisseu, Izô. Ele salvou a sua vida. Ele salvou a vida de todos vocês.

Izô de Capricórnio nem olhou para ela.

— Eu não devo nada a Odisseu. Eu treinei no Japão. Eu sigo o bushidô. E, no bushidô, um homem tem um único soberano na vida inteira.

Ele ergueu a mão, e o braço dele brilhou como uma lâmina.

— O meu é Atena. — EXCALIBUR!

O corte partiu a serpente ao meio.

E foi exatamente nesse instante que Hyoga entrou na Casa de Capricórnio, com uma menina envenenada nos braços e o céu desmoronando lá fora.

— Cavaleiro de Capricórnio — ele disse. — O tempo está ficando estranho. Muito estranho. E nós precisamos chegar à Décima Terceira Casa antes que seja tarde demais.


O Fim do Volume 10

Este volume é sobre reconhecimento.

Kaiser reconheceu Ikki. Mystoria reconheceu Hyoga. Dois Cavaleiros de Ouro de duzentos e quarenta anos atrás olharam para dois garotos de bronze vindos do futuro e enxergaram, dentro deles, os herdeiros das próprias armaduras. Nenhum dos dois precisou ser derrotado para acreditar — os dois precisaram apenas ver.

E é sobre uma armadilha perfeita: o único homem no mundo capaz de salvar Atena do veneno é justamente o homem que quer matá-la.

Guarde essa pergunta para os próximos volumes, porque ela é o coração de tudo o que vem por aí: o que você faz quando a única pessoa que pode te salvar é a mesma que quer te destruir?

Fim do Volume 10. No próximo volume, a Décima Terceira Casa finalmente reaparece no Santuário.


Boa noite, pequeno guerreiro. Amanhã a história continua.