Passado Presente Futuro · Saga de Asgard

Episódio 7: A Estrela que Tem uma Companheira

Ilustração simbólica do episódio 7: A Estrela que Tem uma Companheira

Capítulo 1 — Uma Coisa Sobre o Céu

Antes de começar, olhe para o céu numa noite limpa e procure a Ursa Maior — aquela constelação que parece uma panela com cabo.

Achou?

Agora olhe bem para a estrela do meio do cabo. Ela se chama Mizar.

E, se você olhar com muita atenção, vai ver que ela não está sozinha. Coladinha nela, quase encostada, tem uma estrelinha menor e mais fraca.

Essa se chama Alcor.

Os antigos diziam que quem conseguisse enxergar Alcor tinha a vista mais aguçada do mundo — porque quase todo mundo olha para Mizar e nem percebe que existe outra estrela ali do lado.

Guarde isso. É a história inteira deste episódio.


Capítulo 2 — O Guerreiro do Tigre

No Palácio Valhalla, um homem esperava sozinho no salão principal.

Cabelos escuros, olhar frio, armadura com garras nos punhos. O mesmo que tinha invadido o Santuário de Atena lá no começo de tudo e derrubado Aldebaran com um golpe só.

Syd de Mizar.

Shun chegou primeiro.

— Eu vou passar — disse o garoto.

— Não vai.

E o corredor virou campo de batalha.

Syd era rápido. Muito rápido. As garras dele cortavam o ar deixando rastros brancos, e cada corte que acertava congelava na hora — os ferimentos viravam gelo.

— GARRAS DO TIGRE NEGRO!

Shun se defendeu com as correntes, mas foi jogado contra a parede de pedra.

— IMPULSO AZUL!

Uma esfera de energia azul, fria como o fundo do mar do norte, explodiu no meio do salão.

Shun caiu de joelhos, ofegante.

E, no meio de tudo aquilo, uma coisa muito estranha começou a acontecer.

De vez em quando, Shun era atingido por um golpe que não tinha visto Syd dar.


Capítulo 3 — A Sombra

— Alguma coisa está errada — disse Shun, se levantando com dificuldade. — Você não está sozinho aqui.

Syd não respondeu.

Foi outra voz que respondeu — uma voz de mulher, vinda da entrada do salão.

— Ele nunca esteve.

Shina de Cobra tinha chegado a Asgard atrás dos Cavaleiros e descoberto, no caminho, um segredo que ninguém em Asgard contava em voz alta.

— Esse homem tem uma sombra — disse Shina. — Sempre teve. Desde que nasceu.

E, das sombras da coluna atrás de Syd, alguém saiu.

Shun ficou sem ar.

Porque o rapaz que apareceu tinha exatamente o mesmo rosto.

O mesmo cabelo. A mesma altura. As mesmas garras. Só que a armadura dele era escura, quase preta — e não tinha nenhuma Safira de Odin cravada nela.

— Meu nome é Bud — disse o recém-chegado, e a voz saiu carregada de uma raiva antiga. — Bud de Alcor.

Ele olhou para as costas do irmão com um ódio que assustava.

— Eu sou a estrela que ninguém enxerga.


Capítulo 4 — O Bebê que Foi Deixado na Neve

A história deles começou vinte e poucos anos antes, numa casa nobre e rica de Asgard.

Nasceram dois meninos no mesmo dia. Gêmeos idênticos.

E, naquele tempo, em Asgard, havia uma superstição antiga e cruel: acreditava-se que gêmeos numa família nobre traziam azar. Que a casa se dividiria. Que a desgraça viria.

Então os pais fizeram uma escolha impossível.

Ficaram com um.

E deixaram o outro.

O pai levou o bebê para longe naquela mesma noite, e, antes de ir embora, colocou ao lado dele uma adaga — uma adaga boa, de família, com o nome do menino gravado na lâmina.

Bud.

Foi a única coisa que ele levou da própria família.

Um aldeão o encontrou e o criou nas florestas geladas, longe do palácio, longe de tudo. Bud cresceu com frio, com fome e com uma adaga que tinha o nome dele escrito e ninguém para explicar por quê.

Do outro lado de Asgard, no mesmo dia, todo dia, o irmão dele crescia num palácio.


Capítulo 5 — O Coelho

Bud descobriu a verdade por acidente, ainda garoto.

Estava na floresta, com fome, caçando um coelho — e conseguiu encurralar o bicho contra uma pedra.

Foi quando um cavalo apareceu.

Em cima dele, um menino da mesma idade que ele, vestido com roupas boas, que puxou as rédeas e se colocou entre Bud e o coelho.

— Não faz isso — disse o menino do cavalo. — Ele não fez nada para você.

E os dois se olharam.

E ficaram os dois paralisados, porque estavam olhando para o próprio rosto.

Bud entendeu tudo naquele segundo — a adaga, o nome, o abandono, tudo — e o que cresceu dentro dele daquele dia em diante não foi tristeza.

Foi ódio.

Por que ele? Por que ele ficou com o palácio, com o cavalo, com os pais — e eu com a neve?

A gente é igualzinho. A gente é exatamente igual.

Por que ele e não eu?


Capítulo 6 — Fênix

Shun estava exausto demais para continuar, e foi Ikki quem entrou no salão.

— Sai daí, Shun.

— Irmão…

— Sai.

Ikki encarou os dois gêmeos.

E, então, aconteceu uma coisa que ninguém esperava: Syd atacou primeiro, mas foi Bud quem entrou na luta com mais fúria.

— GARRA DO TIGRE DAS SOMBRAS!

O golpe de Bud era o mesmo do irmão — só que mais forte. Mais raivoso. Mais sujo.

Ikki foi jogado longe e se levantou cuspindo sangue.

— Você bate com raiva — ele observou.

— Você não sabe de nada.

— Sei mais do que você imagina. — Ikki limpou a boca. — Eu também odiei o meu irmão uma vez.

Bud parou.

— O quê?

— O Shun. Aquele ali, o de cabelo verde que você quase matou agora. — Ikki apontou com a cabeça. — Quando a gente era criança, eu odiei ele. Odiei mesmo. Achei que a vida dele era mais fácil que a minha, que ele tinha sorte e eu não.

— E aí?

— E aí eu descobri que eu estava errado, e quase foi tarde demais.


Capítulo 7 — O Que Syd Sempre Soube

A luta continuou, e Syd — já muito ferido — fez uma coisa desesperada.

Ele agarrou Ikki por trás, prendendo os braços dele, e gritou para o irmão:

— BUD! AGORA! ACERTA NÓS DOIS!

Bud ergueu as garras.

Era o momento que ele tinha esperado a vida inteira. O irmão preso, indefeso, na frente dele. Bastava um golpe.

E ele não conseguiu.

A mão dele tremeu no ar.

— Por que… — Bud engasgou. — Por que você faria isso? Você ia morrer junto!

E foi então que Syd, com a voz já fraca, contou a coisa que tinha guardado a vida inteira.

— Eu sempre soube.

Bud arregalou os olhos.

— O quê?

— Que eu tinha um irmão. Eu sempre soube, Bud. Desde aquele dia do coelho, na floresta. — Ele tossiu. — E os nossos pais também nunca esqueceram. Nunca. Eu vi a nossa mãe chorar por você em noites que você nem imagina.

— Você está mentindo.

— Não estou. — Syd tentou sorrir. — Eu queria te procurar. Todos os dias eu queria. Mas eu tinha medo de você me odiar.

Ele soltou Ikki e caiu de joelhos.

— E você me odiava mesmo. Então eu achei que a única coisa que eu ainda podia te dar era o meu lugar.

Ele tirou a Safira de Odin do próprio peito e a estendeu na direção do irmão.

— Toma. O título é seu agora. Guerreiro Deus de Zeta. — A mão dele tremia. — Sempre foi para ser seu também.

Bud caiu de joelhos ao lado dele.

— Não. Não, para com isso.

— Bud…

— PARA!

Mas Syd de Mizar já tinha fechado os olhos.


Capítulo 8 — O Caminho de Volta

Bud ficou ali por um tempo muito longo, ajoelhado no chão de pedra, segurando o irmão que ele odiou a vida inteira e que morreu tentando lhe dar alguma coisa.

Ikki não disse nada. Nem Shun. Nem Shina.

Ninguém disse nada, porque não havia nada para dizer.

Depois, Bud se levantou.

Ele pegou o corpo do irmão nos braços — com cuidado, do jeito que a gente carrega alguém que está dormindo — e caminhou até a porta do salão.

— Aonde você vai? — perguntou Ikki.

Bud parou sem se virar.

— Levar ele para casa. Para a terra onde nossos pais nasceram.

Ele olhou para a neve lá fora.

— Ele nunca conheceu esse lugar direito. Eu também não. — A voz dele falhou. — Mas a gente vai chegar lá junto pelo menos uma vez.

Ele deu um passo e parou de novo.

— Cavaleiro. Você disse que odiou o seu irmão uma vez.

— Disse.

— E consertou a tempo?

Ikki demorou a responder.

— Consertei.

Bud assentiu devagar.

— Que bom.

E saiu para a neve, carregando o irmão nos braços, na direção de um lugar que os dois nunca tinham visto juntos.


Capítulo 9 — Seis

Shun se aproximou de Ikki, ainda mancando.

— Ele vai ficar bem?

— Não sei.

— Você odiava mesmo eu, quando a gente era pequeno?

Ikki fez uma cara horrível.

— Não enche.

Shun riu — foi a primeira risada de qualquer um deles em muitos dias.

No chão do salão, brilhando entre as pedras, estava a sexta Safira de Odin.

Faltava uma.

E, lá em cima, na sala mais alta do Palácio Valhalla, esperava o mais forte de todos os sete.


O Fim do Episódio 7

Essa história é sobre duas estrelas grudadas no céu.

Mizar todo mundo vê. Alcor quase ninguém percebe — e, mesmo assim, ela está lá do lado, sempre esteve, e sem ela a constelação não é a mesma coisa.

O Bud passou a vida inteira achando que era a estrela que ninguém enxergava. Achando que o irmão tinha ficado com tudo e ele com nada. E o ódio dele fazia sentido, porque foi feito uma coisa muito injusta com ele: um bebê foi deixado na neve por causa de uma superstição boba.

Mas ele estava errado numa coisa muito importante.

O irmão sabia. O irmão sempre soube, e queria procurá-lo, e tinha medo. Os pais também nunca esqueceram.

Eles perderam a vida inteira juntos por causa de um mal-entendido que uma conversa teria resolvido.

Então, se um dia você achar que alguém da sua família gosta menos de você, ou que você é a estrela que ninguém vê — pergunta. Fala. Não guarda.

Porque quase sempre a outra pessoa está do outro lado, guardando também.

Fim do Episódio 7. No próximo episódio, o guerreiro invencível de Asgard — e a verdade sobre quem começou tudo isso.


Boa noite, pequeno guerreiro. Amanhã a história continua.

Adaptação do arco de Syd de Mizar e Bud de Alcor.

Obra original: Saint Seiya, de Masami Kurumada. Saga de Asgard do anime Os Cavaleiros do Zodíaco, da Toei Animation. Adaptação narrativa de fã preparada por Rafael com auxílio de inteligência artificial. Projeto independente, sem vínculo oficial com os titulares da obra.