Passado Presente Futuro · Saga de Asgard
Episódio 8: O Guerreiro Invencível

Capítulo 1 — O Último Salão
Só faltava uma safira.
Os cinco Cavaleiros de Bronze subiram os últimos degraus do Palácio Valhalla feridos, exaustos, com as armaduras rachadas em pedaços. Tinham atravessado neve, floresta, caverna de lava e o salão dos gêmeos.
E, no alto de tudo, encontraram um homem sozinho.
Ele era alto e largo, de cabelos claros compridos, e a armadura dele brilhava mais que todas as outras. No peito, a última Safira de Odin.
— Siegfried de Dubhe — ele disse, sem levantar a voz. — Chefe dos Guerreiros Deuses.
E, antes que qualquer um respondesse, ele acrescentou uma frase que não era ameaça — era só um fato.
— Vocês não vão conseguir.
Capítulo 2 — A Lenda do Dragão
Existe uma lenda muito antiga no norte do mundo.
Ela conta que houve um herói, neto do próprio Odin, chamado Siegfried. Esse herói matou um dragão gigantesco chamado Fafnir — e, quando o dragão caiu, banhou-se no sangue dele da cabeça aos pés.
O sangue do dragão tinha um poder: deixava a pele impenetrável. Nenhuma lâmina, nenhuma flecha, nenhum golpe passava.
Mas, enquanto ele se banhava, uma folha caiu de uma árvore.
Uma folha só, pequena, que grudou na pele dele e impediu o sangue de tocar aquele pedaço.
E foi ali, exatamente naquele ponto do tamanho de uma folha, que o herói lendário acabou morrendo, séculos depois.
O homem parado no salão do Valhalla dizia ser aquele herói de novo, renascido em Asgard.
E, olhando para a força que saía dele, ninguém ali duvidou.
Capítulo 3 — Um a Um
O que aconteceu depois foi difícil de assistir.
Seiya atacou primeiro.
— METEORO DE PÉGASO!
Centenas de socos acertaram Siegfried em cheio.
Ele nem se moveu.
— É essa a força de Atena? — perguntou, e não havia deboche na voz dele. Havia quase decepção.
Ele ergueu a mão, e o chão do salão se abriu.
— ESPADA DE ODIN!
Uma coluna de energia subiu do piso de pedra e envolveu Seiya inteiro, jogando-o contra a parede.
Shun avançou com as correntes — foi derrubado.
Hyoga congelou o chão — foi derrubado.
Ikki entrou em chamas — foi derrubado.
Um a um, em poucos minutos, os quatro estavam caídos no chão daquele salão, e Siegfried não tinha um arranhão.
— Levantem — ele disse. — Ou fiquem aí. Tanto faz. O gelo vai derreter de qualquer jeito.
E foi então que Shiryu, o último de pé, disse uma coisa estranha:
— A folha.
Siegfried virou o rosto na hora.
Capítulo 4 — O Ponto que o Sangue Não Cobriu
— O que você disse?
— A lenda do banho de sangue — repetiu Shiryu, arfando. — Se você é mesmo aquele herói, então tem um ponto no seu corpo onde o sangue do dragão não chegou. Um ponto só. Do tamanho de uma folha.
O rosto de Siegfried endureceu.
— Você conhece a nossa lenda.
— O Mestre Ancião me contou histórias do mundo inteiro quando eu era criança.
Shiryu se virou para Seiya, que tentava se levantar.
— Seiya! Existe um ponto! Um único ponto no corpo dele!
— E onde é?!
— Eu não sei. — Shiryu apertou os olhos. — Mas ele sabe. E a gente vai descobrir do jeito difícil.
Siegfried avançou.
E foi aí que os cinco fizeram a única coisa que ainda podia funcionar.
Capítulo 5 — Cinco de Uma Vez
Eles atacaram juntos.
Não um por vez, como tinham feito até então. Todos ao mesmo tempo, dos cinco lados, cada um com o próprio golpe.
— CÓLERA DO DRAGÃO!
— PÓ DE DIAMANTE!
— TEMPESTADE NEBULOSA!
— AVE FÊNIX!
— METEORO DE PÉGASO!
Cinco cosmos explodindo de uma vez dentro de um salão fechado.
Siegfried bloqueou três. Aguentou o quarto.
E o quinto passou.
Ele cambaleou.
Foi só um passo para trás — mas era a primeira vez, na batalha inteira, que ele saía do lugar.
— De novo! — gritou Seiya.
E atacaram de novo. E de novo. E de novo.
Os cinco caíam, levantavam, se apoiavam uns nos outros e voltavam. Um Cavaleiro de Bronze sozinho não valia nada contra aquele homem. Cinco juntos, se recusando a ficar no chão, valiam alguma coisa.
E, no meio daquilo, Shiryu viu.
Na hora exata em que Siegfried disparava o próprio golpe mais forte — o Vendaval do Dragão, com os dois braços abertos — havia um instante, curtíssimo, em que a guarda dele abria e o peito ficava exposto.
— É AGORA! — gritou Shiryu. — SEIYA, O PEITO!
E Seiya, com o pouco que restava dentro dele, saltou.
Capítulo 6 — A Música na Janela
Siegfried caiu de joelhos.
Pela primeira vez em toda a vida, o guerreiro invencível de Asgard estava ferido de verdade.
Os cinco Cavaleiros estavam em pé — mal, mas em pé.
— Acabou — disse Seiya, ofegante. — Nos dê a safira. Nós vamos salvar a Hilda.
Siegfried ergueu o rosto.
— Salvar?
— Ela está enfeitiçada! Tem um anel maldito no dedo dela!
— Isso é mentira. Ela é a senhora de Asgard, ela…
E foi então que uma música começou a tocar.
Uma flauta. Vinda de algum lugar do lado de fora.
Todos no salão viraram a cabeça.
Numa das janelas altas, sentado na borda de pedra como quem está num piquenique, havia um rapaz de cabelos claros com uma flauta nas mãos.
Ele não era de Asgard. A armadura dele não era como nenhuma daquelas — era feita de escamas, com formas de mar, azul e prateada.
— Perdão pela interrupção — ele disse, tirando a flauta dos lábios. — Meu nome é Sorento. General Marina do Reino dos Mares.
Siegfried se virou devagar.
— Você não é de Asgard.
— Não. Eu vim de muito mais fundo.
Capítulo 7 — Quem Começou Tudo
Sorento cruzou as pernas na janela, tranquilo, como se aquele salão cheio de gente ferida fosse a coisa mais confortável do mundo.
— Já que estamos todos aqui e alguém vai morrer daqui a pouco, achei justo contar a verdade primeiro.
Ele olhou diretamente para Siegfried.
— Aquele anel no dedo da sua senhora. Você já se perguntou de onde ele veio?
Siegfried não respondeu.
— Do mar — disse Sorento. — Meu senhor o enviou. Poseidon, imperador dos oceanos.
O salão ficou em silêncio absoluto.
— Foi ele quem escolheu Asgard. Foi ele quem escolheu a Hilda, porque ela era a pessoa mais pura e mais dedicada daquela terra congelada — e um anel amaldiçoado funciona muito melhor num coração bom do que num coração ruim. — Sorento sorriu. — Vocês, Guerreiros Deuses, foram só ferramentas. Peças de um plano que não era de vocês, para uma guerra que não era de vocês, contra uma deusa que nem sabia que Asgard existia.
Ele apontou a flauta para os corpos e ruínas ao redor.
— Thor. Fenrir. Hagen. Mime. Alberich. Os gêmeos. — Ele contou nos dedos, sem pressa. — Sete guerreiros mortos para o meu senhor enfraquecer Atena sem sujar as mãos.
E Siegfried, ajoelhado, começou a tremer.
Não de dor.
De raiva.
Capítulo 8 — A Flauta que Não Se Pode Tapar
— Meus irmãos… — a voz dele saiu rouca. — Meus irmãos morreram por causa de você.
— Por causa do meu senhor. Eu só toco flauta.
E Sorento levou a flauta aos lábios.
A música começou.
Era bonita — e, três segundos depois, era horrível. Os cinco Cavaleiros caíram de joelhos segurando as cabeças, porque aquele som não entrava pelos ouvidos.
Entrava direto no cérebro.
Siegfried tapou os ouvidos com as duas mãos e não mudou nada. Nadinha.
Então ele fez uma coisa desesperada: usou o próprio cosmo para destruir a própria audição, para ficar surdo de propósito e escapar da música.
E não adiantou.
— Não funciona — disse Sorento, sem parar de tocar. — Não é som. É cosmo. Ele encontra a sua cabeça mesmo que você não tenha ouvidos.
Siegfried caiu para a frente, apoiado nos punhos.
E, no chão, com o mundo girando, ele tomou uma decisão.
Capítulo 9 — O Último Voo
Ele se levantou.
Cambaleando, ferido de morte, com o rosto molhado de sangue — mas se levantou.
E caminhou na direção de Seiya.
— Cuidado! — gritou Shun. — Ele vai atacar!
Seiya não se moveu.
Siegfried chegou bem perto, ergueu a mão… e apenas encostou os dedos no peito do garoto.
Quando afastou a mão, havia uma pedra azul ali.
A sétima Safira de Odin.
— Salve a senhorita Hilda — ele disse, e a voz saiu num fio. — Eu não fui capaz de proteger ninguém. Nem os meus irmãos. Nem ela.
— Siegfried…
— Faça o que eu não fiz.
E, então, ele se virou para a janela.
Sorento parou de tocar, e pela primeira vez o rosto dele mudou.
— O quê…
Siegfried atravessou o salão num salto e agarrou o general marinho com os dois braços, prendendo-o contra o próprio peito com uma força que não deveria mais existir naquele corpo.
E pulou pela janela.
Os cinco Cavaleiros correram até a borda a tempo de ver.
O guerreiro mais forte de Asgard subindo pelo céu com o inimigo preso nos braços, cada vez mais alto, cada vez menor, em direção às estrelas da Ursa Maior — até virar um pontinho de luz e depois nada.
Ele não gritou. Não pediu nada.
Só levou embora o homem que tinha destruído a terra dele.
Capítulo 10 — Sete
O salão ficou em silêncio por um bom tempo.
Seiya olhou para a pedra azul na palma da mão.
— Sete — ele disse. — Estão todas aqui.
Ikki se apoiou na parede, olhando para a janela vazia.
— Ele achava que estava lutando contra a gente esse tempo todo.
— Todos eles achavam — disse Hyoga.
Shun ficou olhando para o chão.
— Sete guerreiros. Sete safiras. Sete histórias inteiras.
Ele ergueu os olhos.
— E o culpado nunca esteve nem em Asgard.
Lá fora, o vento levantava neve pelas janelas do palácio.
E, no andar de cima, atrás de uma última porta, uma mulher com um anel maldito no dedo esperava sozinha, sem saber que estava prestes a acordar.
O Fim do Episódio 8
Esse episódio tem uma revelação que muda a história inteira que você ouviu até agora.
O verdadeiro culpado por tudo isso nunca pisou em Asgard.
Foi Poseidon, do fundo do mar, que escolheu a pessoa mais boa daquela terra e colocou um anel maldito no dedo dela — justamente porque um coração bom, quando é enganado, é a arma mais poderosa que existe.
E aí morreram sete guerreiros. Sete pessoas com nome, com passado, com gente que gostava delas. O Thor que roubava comida para os pobres. O Fenrir dos lobos. O Hagen que treinou num vulcão. O Mime da harpa. Os gêmeos que se reencontraram tarde demais.
Nenhum deles chegou a saber por que estava lutando de verdade.
Repare no que o Siegfried faz quando finalmente descobre: ele não se vinga, não desiste e não se lamenta. Ele entrega a safira ao inimigo que acabou de derrotá-lo e pede: “faça o que eu não fiz”.
Às vezes é isso que sobra para uma pessoa fazer de melhor. Não consertar tudo sozinha — mas garantir que alguém consiga consertar depois.
Fim do Episódio 8. No próximo episódio — o último —, a espada, a armadura e a mulher que precisa ser salva.
Boa noite, pequeno guerreiro. Amanhã a história continua.
Adaptação do arco de Siegfried de Dubhe e da revelação de Sorento.
Obra original: Saint Seiya, de Masami Kurumada. Saga de Asgard do anime Os Cavaleiros do Zodíaco, da Toei Animation. Adaptação narrativa de fã preparada por Rafael com auxílio de inteligência artificial. Projeto independente, sem vínculo oficial com os titulares da obra.