Warning: Attempt to read property "query_vars" on null in /home/u161125347/domains/passadopresentefuturo.com/public_html/wp-content/plugins/woocommerce/includes/class-wc-query.php on line 885
Volume 7: A Porta da Morte | Passado Presente Futuro

Volume 7: A Porta da Morte

Volume 07 · A Porta da Morte

Obra original: Saint Seiya: Next Dimension, de Masami Kurumada. Adaptação narrativa de fã preparada por Rafael com auxílio de inteligência artificial. Projeto independente, sem vínculo oficial com os titulares da obra.

Capítulo 1 — A Chama da Amizade

Suikyo subia sozinho as escadarias do Santuário.

Cada degrau custava mais que o anterior. A Sapuris — a armadura sombria dos servos de Hades — estava rachada em três lugares, e por baixo dela o corpo já não obedecia direito.

Mas ele continuava subindo.

Porque uma coisa tinha ficado com ele desde a colina dos mortos: o calor das mãos de Tenma segurando as suas, e a voz do moleque insistindo que ninguém no mundo conseguiria tomar a mente dele por inteiro.

— Moleque teimoso — murmurou, quase sorrindo.

Ele podia ter esperado por Tenma e Shun. Podia ter aceitado ajuda.

Não esperou. Havia uma coisa que só ele podia fazer, e um preço que só ele podia pagar — e ele não queria que ninguém pagasse junto.

Lá embaixo, na Casa de Áries, Shion sentiu o cosmo do velho amigo passar ao longe e fechou os olhos.

— Suikyo… o que você está tentando fazer?


Capítulo 2 — A Casa Vazia que se Defende Sozinha

Quando Suikyo chegou à Casa de Virgem, encontrou a coisa mais estranha de toda a subida.

Nada.

Nenhum guardião. Nenhum inimigo. Nenhuma voz. Só um salão enorme e vazio, com colunas brancas e um silêncio que não parecia natural.

— Onde está o guardião desta casa?

Ele não sabia — e ninguém no Santuário sabia — que Shijima estava preso muito longe dali, dentro do Labirinto dos Deuses, carregando a bebê Atena nos braços.

Mas a casa não estava desprotegida.

Um zumbido começou a crescer no ar. Baixo primeiro. Depois insuportável.

E aquele som não entrava pelos ouvidos. Entrava direto na cabeça — o tipo de coisa que enlouquece um homem se ele ficar tempo demais parado ali.

Suikyo cambaleou, apertando as têmporas.

— Então é assim. Você protege este lugar até de longe.

E, diante dele, a figura de Shijima se formou no ar. Não o corpo — apenas a presença dele, atravessando as dimensões desde onde estivesse preso.

— Recue — disse Shijima. — Se continuar, será destruído.

— Isso é só uma ilusão.

— É. E ainda assim vai te matar.

Suikyo avançou.


Capítulo 3 — As Quatro Portas de Buda

O chão sumiu.

Quando Suikyo abriu os olhos, estava num lugar que não existe em mapa nenhum: um vazio branco, sem chão nem teto — e, ao redor dele, quatro portais imensos girando devagar no ar, cada um com um símbolo diferente gravado na madeira antiga.

— Estas são as Quatro Portas de Buda — disse a voz de Shijima. — A Porta da Velhice. A Porta da Doença. A Porta da Vida. E a Porta da Morte.

Suikyo olhou para cada uma delas.

— Escolha uma, se quiser mesmo passar. Mas eu pergunto antes: você tem determinação suficiente para atravessar? Porque, se não tiver, é melhor recuar agora.

E Suikyo fez as contas com uma frieza assustadora.

A Porta da Velhice me envelhece até virar pó antes de chegar lá em cima.

A Porta da Doença me consome por dentro.

A Porta da Vida me deixa vivo — e vagando por essa casa para sempre, sem nunca chegar a lugar nenhum.

E, se eu ficar parado aqui, o zumbido acaba comigo do mesmo jeito.

Ele ergueu o rosto.

— Qualquer caminho que eu escolher, eu vou ser destruído.

— Sim.

— Então que seja o único que ainda me leva para a frente.

E caminhou até a Porta da Morte.

Shijima arregalou os olhos.

— Você escolheu a Morte?

— Eu prefiro morrer tentando chegar — respondeu Suikyo, sem se virar — do que viver eternamente sem chegar.

E atravessou.


Capítulo 4 — O Cosmo que Sumiu

Nas escadarias abaixo, Tenma parou de repente, como se tivesse levado um soco no peito.

— Não…

— O que foi? — perguntou Shun.

— O cosmo do meu mestre. Sumiu. Sumiu completamente.

Ele não foi o único a sentir.

Na Casa de Áries, Shion levantou a cabeça devagar. Na Casa de Leão, Kaiser cerrou os punhos. Até o Contador da Morte, lá embaixo em Câncer, ficou sério.

— Aquele homem — murmurou o guardião de Câncer — levou alguma coisa muito importante com ele.

Tenma começou a correr escada acima, com os olhos ardendo.

MESTRE!

Shun correu atrás.

— Tenma, espera! Eu ainda sinto alguma coisa! Um fiozinho de cosmo, bem fraco, mas ainda está lá! A gente tem que acreditar que ele está bem!


Capítulo 5 — A Grande Luz

E Shun estava certo.

Suikyo não tinha morrido.

Ele abriu os olhos num lugar de uma beleza que ele não via desde criança: um campo enorme, banhado por uma luz dourada e quente, com árvores cujas pétalas caíam sem parar, girando no ar como neve colorida.

Ele estava vivo. Não sabia bem como.

Mas, em algum lugar do Santuário, uma bebê muito pequena tinha estendido a mão na direção dele — e a deusa que ele um dia jurou servir o poupou da morte que ele mesmo tinha escolhido.

Foi então que ele viu, parada ali no campo, uma armadura que ele conhecia melhor que o próprio rosto.

A Armadura de Prata de Taça.

A armadura que ele usava quando ainda era um Cavaleiro de Atena. Quando ainda era o mestre de um menino chamado Tenma.

Suikyo se ajoelhou diante dela, com as mãos tremendo, e olhou para a água da vida guardada em seu interior — aquela mesma água que mostra o futuro de quem se debruça sobre ela.

E não viu nada.

Nenhum reflexo. Nenhuma imagem. Nada.

Ele entendeu na hora o que aquilo significava. Um homem sem futuro não tem o que ver ali dentro.

Mesmo assim, bebeu um gole.

— Só o suficiente — sussurrou — para chegar até o fim.


Capítulo 6 — A Mensagem nas Pétalas

Foi então que Suikyo reparou nas pétalas.

Elas caíam das árvores e desapareciam no ar — e ele percebeu que não estavam apenas caindo. Estavam atravessando dimensões, viajando de um mundo para outro, como barquinhos de papel num rio invisível.

Ele apanhou algumas com cuidado.

Não tinha mais forças para lutar. Não tinha mais tempo. Mas tinha descoberto alguma coisa nessa subida — algo terrível, algo que ninguém no Santuário sabia — e precisava avisar Atena antes que fosse tarde.

Com o pouco de cosmo que lhe restava, gravou a mensagem nas pétalas e as soltou no vento.

Muito longe dali, dentro do labirinto, Shijima sentiu duas pétalas pousarem nas suas mãos.

Numa delas estava escrito: JU.

Na outra: SAN.

Ju-San. Treze.

Shijima franziu a testa.

— Treze…? Treze o quê?

E, então, o sangue gelou nas veias dele, porque a resposta veio inteira à sua mente: o Décimo Terceiro. A maldição do Santuário.

— Meu deus — sussurrou, apertando a bebê Atena contra o peito. — Se for isso, o Santuário inteiro está em perigo.


Capítulo 7 — Duas Estrelas Cadentes

Enquanto isso, no céu sobre o Santuário, duas luzes riscaram a escuridão e caíram.

— Estrelas cadentes! — disse Tenma, apontando.

Shun sorriu, e foi um sorriso de alívio de verdade, o primeiro em muito tempo.

— Não são estrelas. São eles. O Hyoga… e o Shiryu.

Longe dali, na Casa de Libra, um Cavaleiro de Ouro sentiu uma presença aparecer diante dele.

Shiryu de Dragão olhou em volta, tonto da travessia — e então viu quem estava ali.

Um sorriso enorme se abriu no rosto dele.

VELHO MESTRE!

Dohko franziu a testa.

Diante dele havia um rapaz que ele nunca tinha visto na vida, com uma armadura estranha, chamando-o de mestre.

— Eu não sou mestre de ninguém, garoto. Quem é você?

— Eu vim do futuro. Onde está a Atena?

— Isso é suspeito demais. Vá embora.

— Não vou.


Capítulo 8 — A Cólera do Dragão que Não Passou

Dohko não perdeu mais tempo.

Ele plantou os pés, ergueu os punhos e acendeu o cosmo dourado — e o chão da Casa de Libra tremeu.

CÓLERA DO DRAGÃO!

O golpe subiu do chão como um dragão de luz, rugindo, com força suficiente para atravessar a casa de ponta a ponta e derrubar as colunas atrás do alvo.

E Shiryu ergueu as duas mãos.

E o parou.

Parou no ar, na altura do peito, sem sair do lugar, sem cravar os pés no chão, sem esforço visível — como quem apara uma bola jogada por uma criança.

Dohko ficou olhando para as próprias mãos, sem entender.

— Impossível…

— Não é impossível — disse Shiryu, e havia lágrimas nos olhos dele. — É o mesmo golpe.

Ele abriu as mãos, e a luz do dragão se desfez entre os dedos.

— O senhor me ensinou este golpe. Eu conheço cada centímetro dele, porque foi o senhor quem colocou ele dentro de mim. Eu passei anos apanhando de uma cachoeira para aprender.

Dohko baixou os punhos devagar.

— Fala mais.


Capítulo 9 — Mestre e Discípulo

E Shiryu falou.

— O senhor me treinou embaixo da cachoeira de Rozan. Me obrigava a socar aquela água gelada até eu não sentir mais os braços. Tem uma moça chamada Shunrei que cuida da casa e faz um chá horrível. E, no futuro, nós dois adotamos um menino órfão. O nome dele é Shoryu.

Dohko não disse nada por um tempo.

— …Como você sabe disso?

— Porque eu vivi isso.

— Então me diga uma coisa. — A voz de Dohko saiu estranha, quase com medo. — Como eu sou no futuro?

Shiryu hesitou. E falou a verdade.

— O senhor usa um chapéu de palha. Tem uma barba branca comprida. E fica sentado, o tempo todo, sem sair do lugar, à beira de uma cachoeira.

O silêncio que se seguiu foi pesado.

Porque Dohko já tinha visto aquela imagem antes.

Lá atrás, quando era só um garoto ferido dentro do território de Hades, ele tinha se debruçado sobre a Água da Taça e visto um velhinho de barba branca olhando de volta para ele.

E tinha rido, achando graça, e resmungado que o futuro dele era horrível.

Agora não tinha graça nenhuma. Era verdade.

— Tudo bem — disse Dohko, e assumiu posição de combate de novo. — Eu quase acredito em você. Mas "quase" não basta. Se quiser passar por esta casa, me derrote.

— Eu não posso — respondeu Shiryu, baixando os braços. — Eu não levanto um dedo contra o senhor. Nunca.

— Então eu levanto por nós dois.

E Dohko atacou.

Shiryu não revidou uma única vez.

Ele desviou, bloqueou, aparou, recuou — e não devolveu nada. Cada golpe do velho mestre ele conhecia antes de sair, porque tinha apanhado dele a vida inteira no treino.

Até que Dohko, ofegante, parou por conta própria.

— Você não vai revidar mesmo, né?

— Não.

E, então, Shiryu tirou a parte de cima da armadura e virou de costas.

Ali, tatuado nas suas costas, estava o Dragão ascendente — a marca que só um discípulo de Rozan carrega, e que só um mestre de Rozan sabe reconhecer.


Capítulo 10 — O Herdeiro

Dohko olhou para aquela tatuagem por um longo tempo.

Depois começou a rir.

Uma gargalhada enorme, sincera, que ecoou pela Casa de Libra inteira.

— Então é verdade! Você é meu discípulo mesmo!

— Sou.

— E eu vou virar um velhinho sentado numa cachoeira! — Ele riu ainda mais alto. — Que fim ridículo para um Cavaleiro de Ouro!

— Não é ridículo — disse Shiryu, sério.

Dohko parou de rir.

— O senhor vai ficar sentado ali por duzentos e quarenta e três anos. Vigiando os selos que prendem os Espectros de Hades. Sem sair do lugar um único dia. Sem envelhecer, sem descansar, sem que ninguém no mundo saiba o seu nome.

Ele engoliu em seco.

— Chama-se Misopethamenos. E é a coisa mais corajosa que eu já vi alguém fazer na vida.

Dohko ficou encarando aquele rapaz vindo de um tempo que ele nunca ia ver, e alguma coisa dentro dele mudou de lugar para sempre.

— Levanta — disse, finalmente. — Você é o herdeiro da Armadura de Libra. Não fica bem um herdeiro meu ficar de joelhos.


Capítulo 11 — O Templo Amaldiçoado

Mas nem tudo eram reencontros felizes naquela noite.

Lá em cima, no salão do Grande Mestre, Shijima enfrentava Cardinale de Peixes com a bebê Atena nos braços — ferido, cercado, e carregando um segredo grande demais para morrer com ele.

— O Décimo Terceiro — disse Shijima. — É isso que o Suikyo descobriu. É isso que está voltando.

Cardinale parou de sorrir.

— Isso é uma lenda velha. Ninguém acredita nisso.

Você acredita — respondeu Shijima, calmamente. — Todos nós acreditamos. Porque todos nós sabemos exatamente de quem estamos falando.

E o Santuário, naquela noite, deixou de ser apenas um lugar em guerra.

Passou a ser um templo amaldiçoado, guardando um segredo enterrado havia eras.

E o segredo estava começando a acordar.


O Fim do Volume 7

Este foi o volume das escolhas difíceis.

Suikyo escolheu a Porta da Morte — não por coragem cega, mas porque fez as contas e percebeu que era o único caminho que ainda o levava para a frente. E, por causa dessa escolha, uma bebê estendeu a mão e o salvou, e ele conseguiu mandar duas pétalas com uma única palavra que talvez salve o Santuário inteiro.

Guarde também a imagem da água sem reflexo. Um homem que se debruça sobre a Água da Taça e não vê nada é um homem que já sabe que não tem futuro — e que bebe um gole assim mesmo, só o suficiente para terminar o serviço.

E o Dohko escolheu acreditar num garoto que apareceu do nada dizendo ser seu discípulo. Descobriu, no processo, que o futuro dele vai ser duzentos e quarenta e três anos sentado imóvel, protegendo um mundo que nunca vai saber o nome dele.

Ele riu quando ouviu. E parou de rir quando entendeu.

Fim do Volume 7. No próximo volume, a despedida mais difícil desta história.


Boa noite, pequeno guerreiro. Amanhã a história continua.

This website uses cookies.