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Volume 11: A Flecha da Deusa | Passado Presente Futuro

Volume 11: A Flecha da Deusa

Volume 11 · A Flecha da Deusa

Obra original: Saint Seiya: Next Dimension, de Masami Kurumada. Adaptação narrativa de fã preparada por Rafael com auxílio de inteligência artificial. Projeto independente, sem vínculo oficial com os titulares da obra.

Capítulo 1 — O Sonho Egoísta de Shiryu

O tempo estava quebrado, e o Santuário já não obedecia às próprias regras.

Onde antes havia escadaria, agora havia um precipício. Um buraco escuro, sem fundo visível, cortando o caminho ao meio.

— Tem alguma coisa muito estranha vindo lá de baixo — disse Shun, recuando um passo. — Tenma, não…

Tenma já tinha pulado.

E sumiu.

Do outro lado do Santuário, Shiryu encontrou o mesmo precipício. Olhou para baixo. E saltou.

E, no meio da queda, o mundo mudou.

Shiryu abriu os olhos e estava em casa.

Nos Cinco Picos de Rozan, com o som da cachoeira ao fundo e o cheiro de comida no ar. Shunrei correndo para recebê-lo na porta. E, agarrado na perna dela, um menino.

— Papai! Papai, eu já sei escrever o meu nome!

Era Shoryu. E ele estava crescido.

Shiryu se sentou à mesa com os dois, comeu, riu, ouviu histórias do dia. O tempo passou de um jeito estranho e macio. Shoryu cresceu mais. Virou um rapaz. E, um dia, apareceu na porta com uma mala na mão.

— Vou estudar na cidade, pai. Mas eu volto.

E Shiryu abraçou o filho e ficou olhando ele se afastar pela estrada, com o coração cheio.

Era a vida mais feliz que ele poderia ter tido.

Foi exatamente por isso que ele acordou.

— Não — sussurrou Shiryu, e o mundo em volta dele começou a rachar. — Essa vida é linda. Mas não é a minha.

Ele ficou de pé no meio da ilusão que desmoronava.

— Eu não nasci para isso. Eu sou um Cavaleiro. Eu luto para proteger o amor e a justiça na Terra. E, se existe um lugar onde eu devo morrer, esse lugar é o campo de batalha.

A ilusão se desfez.

Longe dali, Shun puxou Tenma de volta do buraco com as correntes. Para Shun, tinha passado um instante. Para Tenma, uma eternidade no escuro.

— O tempo está quebrando de verdade — disse Tenma, tremendo. — A gente precisa correr.


Capítulo 2 — Écarlate do Templo do Escorpião

Shiryu chegou à Casa de Escorpião e encontrou um guardião que ele não conseguia ver direito.

O Cavaleiro estava ali — e, ao mesmo tempo, parecia não estar. Por instantes, o corpo dele ficava transparente, quase apagado, como uma imagem prestes a sumir.

— Meu nome é Écarlate — disse o guardião. — E você não vai passar.

AGULHA ESCARLATE!

A unha vermelha do Cavaleiro de Ouro perfurou o corpo de Shiryu, e uma dor absurda explodiu por dentro dele.

Depois veio a segunda agulha. A terceira. A quarta.

Écarlate ergueu as sobrancelhas.

— Você não grita.

— Não.

— Já são sete agulhas. Sete. — Ele parecia genuinamente impressionado. — Um homem normal já teria enlouquecido de dor.

A Armadura de Dragão finalmente se partiu e caiu aos pedaços no chão de mármore.

Shiryu ficou de joelhos, o sangue escorrendo por sete furos no corpo, sem armadura nenhuma para protegê-lo.

E se levantou, apoiado no cajado do Mestre Ancião — o cajado velho e simples que Dohko carregava havia duzentos e quarenta anos e que Shiryu tinha trazido consigo.


Capítulo 3 — Sangue Dourado

— Como o seu corpo fica transparente? — perguntou Shiryu.

Écarlate ficou em silêncio por um momento. E, então, contou.

Contou que, quando era criança, tinha uma doença que ninguém sabia curar. O corpo dele desaparecia aos poucos, ficava transparente, sumia. Os médicos disseram que não havia nada a fazer: um dia ele simplesmente evaporaria no ar e deixaria de existir.

Até que um homem apareceu.

— Eu não vou deixar você morrer — disse aquele homem ao menino doente. — Porque um dia você vai ser um Cavaleiro de Ouro, e eu preciso de todos vocês vivos.

O nome dele era Odisseu.

E ele explicou que o problema estava no sangue do garoto. Que seria preciso trocar todo o sangue dele por outro — e que quase ninguém no mundo tinha um sangue compatível com o de qualquer pessoa.

— Mas eu tenho — disse Odisseu, arregaçando a manga. — Chamam de Sangue Dourado. Uma pessoa em cada milhão nasce com ele.

— E se o senhor tirar tanto sangue assim… o senhor morre.

— Provavelmente.

— Então não faça isso!

Odisseu sorriu para o garoto.

— Vem aí uma Guerra Santa contra Hades. E, quando ela chegar, eu preciso que os doze Cavaleiros de Ouro estejam de pé. Todos os doze. Inclusive você. — Ele deitou o menino na maca. — É uma troca justa. Uma vida por doze.

Écarlate sobreviveu.

Odisseu morreu.

E, no cemitério do Santuário, todos os futuros Cavaleiros de Ouro daquela geração — todos eles ainda crianças — ficaram parados diante de uma lápide simples, onde estava escrito apenas: Cavaleiro de Prata.

— Agora você entende? — disse Écarlate a Shiryu, com a voz embargada. — Eu estou vivo porque aquele homem morreu por mim. Não existe nada neste mundo que eu não faça por ele.

ANTARES!


Capítulo 4 — Aquele Escolhido pelo Dragão

Shiryu ergueu o cajado do Mestre Ancião como escudo.

O golpe mais poderoso de Escorpião atingiu a madeira e a estilhaçou em mil pedaços.

E, no meio dos estilhaços, alguma coisa brilhou.

Uma joia. Uma pedra escondida dentro do cajado havia duzentos e quarenta e três anos, esperando.

Shiryu ficou olhando para ela sem entender — até que a tatuagem do dragão nas suas costas se moveu. Moveu-se de verdade, saiu da pele dele, esticou-se pelo ar e agarrou a joia.

E, então, ele lembrou.

Lembrou de uma frase que o Mestre Ancião tinha dito a ele quando era garoto, e que ele nunca tinha entendido:

"Quando você aprender a ter paciência, Shiryu, o Deus Dragão vai te entregar a joia dele."

Shiryu entendeu naquele instante.

Não era sobre esperar. Era sobre aquela hora, no precipício, quando ele teve nas mãos a vida mais feliz possível — mulher, filho, casa, paz — e escolheu abrir mão dela para voltar ao campo de batalha.

O Deus Dragão tinha visto aquela escolha. E o tinha reconhecido.

Écarlate baixou a mão, atônito.

— Então você é um homem que segue a justiça de verdade. — Ele fez uma pausa longa. — Escute. Suas feridas já estão abertas demais. Você vai perder os cinco sentidos e morrer aqui, e eu não quero matar um homem que foi reconhecido pelo Deus Dragão. — Ele apontou para a saída. — Vá embora. Se você for agora, você vive.

Shiryu limpou o sangue da boca e sorriu.

— Eu já recusei uma vida feliz hoje. — Ele assumiu posição. — Não vou aceitar outra.

Os dois acenderam o cosmo ao mesmo tempo.

ANTARES!

CÓLERA DO DRAGÃO!

E os dois golpes se encontraram no meio da Casa de Escorpião, com força suficiente para que Dohko, casas e casas de distância, parasse de caminhar e olhasse para trás.


Capítulo 5 — O Guerreiro de Um Único Soberano

Enquanto isso, na Casa de Capricórnio, Hyoga estava parado diante de Izô com Atena nos braços.

E não atacou.

— Por que você não me ataca? — perguntou Izô, desconfiado.

— Porque o senhor não é meu inimigo — respondeu Hyoga. — O senhor é o matador de demônios. Um homem que serve Atena. Eu não levanto a mão contra um aliado.

Serpentes começaram a brotar do chão ao redor deles.

Izô nem se virou para olhar.

EXCALIBUR!

O braço dele cortou o ar e as serpentes se partiram ao meio antes de chegarem perto.

Depois ele encostou a mão nos ferimentos de Hyoga e estancou o sangramento.

— Pode passar.

— Obrigado.

— Espere. — Izô hesitou. — Sobre o Cavaleiro de Sagitário, na próxima casa… — Ele balançou a cabeça. — Não. Deixa. Você vai entender quando vir.

E, quando Hyoga já tinha saído, Izô ficou sozinho, olhando para a porta.

— Aquele garoto — murmurou — vai enfrentar o adversário mais terrível de todos.


Capítulo 6 — O Templo do Centauro

Na Casa de Sagitário, Hyoga encontrou a Armadura de Ouro montada, de pé, sozinha — e uma flecha voando na direção do seu rosto.

Ele congelou a armadura no ar com uma rajada de gelo. Mas uma das flechas se descongelou sozinha, mudou de rota e o acertou na perna.

E foi então que ele viu.

Não era a armadura vazia. Havia alguém ali dentro.

Um homem — com o corpo de um cavalo da cintura para baixo.

— Meu nome é Gestalt — disse o Cavaleiro de Ouro de Sagitário. — E eu sou um Centauro.

Hyoga ficou sem palavras.

— Quando eu era criança — continuou Gestalt, sem esperar pergunta — eu tinha um cavalo. O nome dele era Tanya. Era a única coisa que eu amava neste mundo. E ele adoeceu e morreu.

Ele apertou o arco com força.

— Eu chorei no túmulo dele por três dias seguidos. Não treinei, não comi, não saí de lá. Até que Odisseu apareceu.

— E o que ele fez?

— Eu implorei que ele trouxesse Tanya de volta. Ele disse que não era possível, que ninguém pode ressuscitar os mortos. — A voz de Gestalt tremeu. — Mas eu insisti. Insisti tanto que ele encontrou um jeito.

Gestalt olhou para o próprio corpo.

— Ele juntou Tanya a mim. Metade dele, metade eu. Nós dois num corpo só, para sempre.

Hyoga sentiu um frio diferente de todos os que já tinha sentido.

— Odisseu vai voltar — disse Gestalt. — Vai ressuscitar como um deus. E eu vou impedir qualquer um que tente atrapalhar o retorno dele. Eu devo isso a ele. Eu devo tudo a ele.


Capítulo 7 — O Testamento

— Escute — disse Hyoga, respirando fundo. — Eu perdi minha mãe quando era criança. Ela afundou com um navio, e eu passei anos mergulhando naquela água gelada só para ver o rosto dela outra vez.

Gestalt ficou em silêncio.

— Eu fiquei preso naquela morte durante anos — continuou Hyoga. — E foi preciso muita coisa para eu aprender uma verdade que dói: os que se foram não voltam. Nunca. E amar alguém não é conseguir trazer de volta. É conseguir seguir carregando.

— Você não entende nada.

E Gestalt disparou outra flecha contra ele.

Mas a flecha não acertou.

Ela desviou sozinha no meio do ar — como se algo a tivesse empurrado de lado — e cravou-se numa parede da Casa de Sagitário.

E, da parede atingida, brotou uma luz.

Palavras começaram a se formar no ar, escritas por uma mão que ainda não tinha nascido, atravessando duzentos e quarenta anos de tempo para chegar ali.

Era o Testamento de Aiolos — a carta que um futuro Cavaleiro de Ouro de Sagitário escreveria um dia, ao fugir do Santuário carregando um bebê nos braços, acusado de traidor por todos, para confiar a proteção de Atena aos garotos que viessem depois dele.

Hyoga olhou para aquilo com os olhos cheios d’água.

— Está vendo? — ele disse. — O seu sucessor. O homem que vai vestir essa armadura depois de você. Ele morreu protegendo Atena, chamado de traidor até o último segundo. E foi ele quem confiou essa missão a nós.


Capítulo 8 — A Flecha da Deusa

Gestalt olhou para o testamento por um longo tempo.

E, então, fez a coisa mais perigosa que um Cavaleiro de Sagitário pode fazer.

Ele pegou uma flecha diferente das outras. Uma flecha que brilhava com uma luz que não era deste mundo.

— A Flecha da Deusa — sussurrou Hyoga, gelando. — Não. Você não pode…

— É a arma definitiva de Sagitário — disse Gestalt. — Ela não mata. Ela apaga. Quem é atingido por ela deixa de existir, em todos os tempos, para sempre.

Ele apontou a flecha para a menina desacordada nos braços de Hyoga.

— Se essa criança for mesmo Atena, ela vai conseguir parar a flecha. Se não for… vocês dois somem da existência.

— NÃO!

Gestalt soltou a corda.

Hyoga se virou de costas para proteger a menina e ergueu as mãos nuas contra a flecha, sabendo que não ia adiantar nada.

E, então, uma mão pequena pousou no ombro dele.

Atena estava de pé.

Ela caminhou para a frente de Hyoga, ergueu a mão, e a Flecha da Deusa parou no ar diante da palma dela — parada, tremendo, presa a centímetros da sua pele.

O silêncio na Casa de Sagitário foi absoluto.

E a menina, com os olhos meio abertos, como quem fala de dentro de um sonho, disse:

— Gestalt. Olhe para você mesmo.

— O quê…?

— Olhe de verdade.

Gestalt baixou os olhos para o próprio corpo.

E o corpo de cavalo não estava lá.

Nunca tinha estado.

— Tanya não faz parte de você — disse Atena, com uma ternura terrível. — Nunca fez. Odisseu não juntou vocês dois. Ele apenas colocou essa ideia dentro da sua cabeça, quando você era uma criança chorando num túmulo, porque era a única forma que ele encontrou de te consolar.

Gestalt caiu de joelhos.

— A ilusão foi tão forte que enganou você a vida inteira. E enganou todo mundo à sua volta, porque você acreditava nela com tanta força que os outros passaram a enxergar o que você enxergava. — A voz dela ficou mais baixa. — Você nunca foi um Centauro. Você é só um homem que amava demais o próprio cavalo.

Atena devolveu a flecha à mão dele.

— Não use isso de forma imprudente nunca mais.

E desabou.

E, no instante em que ela caiu, um tremor sacudiu o Santuário inteiro, de baixo até o topo — porque, em algum lugar entre a Casa de Escorpião e a Casa de Sagitário, uma casa que tinha sido apagada da história havia eras começava a reaparecer.


O Fim do Volume 11

Este volume inteiro é sobre uma coisa só: o que a gente faz com o amor pelos que se foram.

Shiryu teve nas mãos uma vida perfeita e inteira — e escolheu devolvê-la, porque sabia quem era.

Écarlate está vivo porque um homem trocou a própria vida pela dele, e não consegue conceber deslealdade a esse homem, mesmo que ela seja necessária.

E Gestalt passou décadas carregando metade de um cavalo que nunca esteve lá, porque preferiu uma mentira gentil à verdade de que Tanya não ia voltar.

Os três amaram alguém. Os três foram marcados para sempre. E só um deles conseguiu seguir em frente.

Repare que Odisseu ainda não apareceu uma única vez — e já é o personagem mais poderoso da história. Ele salvou todo mundo. E é exatamente por isso que ninguém consegue enfrentá-lo.

Fim do Volume 11. No próximo volume, a Décima Terceira Casa se ergue, e Odisseu volta.


Boa noite, pequeno guerreiro. Amanhã a história continua.

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