Volume 12: O Homem que Salvou Todo Mundo

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Volume 12 · O Homem que Salvou Todo Mundo

Obra original: Saint Seiya: Next Dimension, de Masami Kurumada. Adaptação narrativa de fã preparada por Rafael com auxílio de inteligência artificial. Projeto independente, sem vínculo oficial com os titulares da obra.

Capítulo 1 — A Casa Amaldiçoada

O tremor veio primeiro.

Não foi como os anteriores. Este sacudiu o Santuário do alicerce ao topo, fez as colunas rangerem, jogou pedras das escadarias no chão.

E, entre a Casa de Escorpião e a Casa de Sagitário — no espaço vazio onde durante milhares de anos não havia absolutamente nada — o chão se abriu.

Uma casa começou a subir.

Enorme. Antiga. Coberta de símbolos que ninguém no Santuário sabia mais ler.

A Décima Terceira Casa. A Casa de Serpentário.

Os Cavaleiros de Ouro pararam onde estavam, cada um em seu templo, e olharam para aquilo com o mesmo pensamento: a lenda era verdade.

No Castelo de Hades, um mensageiro correu até Pandora.

— A décima terceira casa apareceu no Santuário!

Pandora ficou muito quieta.

— Isso não estava previsto — disse ela, finalmente. — Não ataquem. Ainda não. Vamos esperar e ver o que essa coisa é.


Capítulo 2 — Hipnoterapia

Hyoga chegou à entrada da Décima Terceira Casa carregando Atena nos braços.

E parou, porque algo estranho estava acontecendo com o corpo dele.

Os ferimentos estavam fechando. A perna furada pela flecha, os cortes, as queimaduras de gelo — tudo cicatrizando sozinho, sem que ninguém tocasse nele.

— O que…

E o sono chegou.

Não foi um desmaio. Foi um sono gentil, morno, irresistível, como o de uma criança sendo ninada. Hyoga sentiu as pernas cederem e desabou ali mesmo, do lado de fora da casa, ainda segurando a menina.

Do outro lado da Décima Terceira Casa, Shiryu chegava pelo caminho oposto — e caiu adormecido do mesmo jeito, no mesmo instante.

E não foram só eles.

Por todo o Santuário, um após o outro, os guerreiros começaram a cair no sono.

Mystoria adormeceu vendo, atônito, as feridas de Shijima se fecharem sozinhas. Cardinale, que estava à beira da morte, adormeceu curado. Kaiser caiu. Écarlate caiu. Dohko, subindo as escadarias, caiu no meio do degrau. Tenma caiu e não acordou mais.

E o Contador da Morte adormeceu com um sorriso enorme no rosto — porque, ao passar a mão pela própria cabeça antes de apagar, sentiu cabelo crescendo ali.

Aquilo tinha um nome: Hipnoterapia.

Não era um ataque. Era um tratamento. Alguém estava curando o Santuário inteiro ao mesmo tempo, e adormecendo todo mundo enquanto fazia isso.


Capítulo 3 — A Serpente Dourada

Hyoga acordou sem saber quanto tempo tinha passado — e a primeira coisa que percebeu foi que seus braços estavam vazios.

— Atena! ATENA!

Ele se levantou de um salto e viu, enrolada dentro da Décima Terceira Casa, uma serpente dourada gigantesca, com escamas que brilhavam como metal polido.

— Onde está Atena?! — gritou Hyoga.

— Aqui dentro — respondeu a serpente, calmamente. — Na minha barriga.

Hyoga viu vermelho.

PÓ DE DIAMANTE!

O golpe atingiu a serpente em cheio e não fez absolutamente nada. Nem uma escama fora do lugar.

— Acalme-se, Cavaleiro. Eu engoli a deusa para salvá-la. O veneno de Samael estava prestes a matá-la, e dentro de mim ele parou de avançar.

A serpente abriu a boca, e de dentro dela saiu um casulo translúcido, brilhante, como um ovo enorme.

E, dentro do casulo, dormia Atena — pálida, mas viva.

— Este casulo vai mantê-la respirando — disse a serpente. — Mas só isso. Curar mesmo, só uma pessoa consegue.

— Odisseu.

— Nós somos servas dele. Todas nós. — A serpente começou a se desfazer no ar, como fumaça dourada. — Durante milhares de anos nós guardamos esta casa vazia, esperando o retorno de Asclépio, o deus da medicina. E ele voltou. Ele está voltando agora mesmo. Adeus, Cavaleiro.

Ela sumiu.

E, por todo o Santuário, todas as serpentes sumiram junto com ela, ao mesmo tempo, como se alguém tivesse apagado uma luz.

No centro da Décima Terceira Casa, restou apenas uma coisa: a urna da Armadura de Ouro de Serpentário.

Ela se ergueu sozinha no ar. E voou.


Capítulo 4 — A Ressurreição

A armadura atravessou o céu do Santuário e pousou no cemitério.

Diante de um túmulo simples, sem enfeite nenhum, com uma inscrição modesta na lápide: Cavaleiro de Prata.

A terra se moveu.

E, de dentro dela, um homem se ergueu — jovem, sereno, com o rosto exatamente igual ao que tinha há tantos anos, como se a morte tivesse sido apenas uma pausa.

Odisseu tinha voltado.

E, quando ele pisou no chão do Santuário, todos os que dormiam sentiram, mesmo dormindo, que alguma coisa muito grande tinha acabado de acordar.


Capítulo 5 — O Dia do Vulcão

Na Casa de Áries, Shion estava de pé — um dos poucos ainda acordados. E o homem que entrou pela porta o deixou sem ar.

— Odisseu… — sussurrou. — O senhor está igual. Não mudou nada.

Odisseu sorriu e removeu parte do elmo, mostrando o rosto.

E Shion, olhando para aquele rosto, voltou a ser criança.

Lembrou de um dia em que ele e Dohko, dois moleques imprudentes, tinham resolvido subir num vulcão que era proibido.

— Não subam ali — tinha avisado Odisseu, que na época era apenas um Cavaleiro de Prata. — Os gases são venenosos. E ninguém sabe quando aquilo entra em erupção.

Eles subiram assim mesmo.

E o vulcão entrou em erupção.

Dohko desmaiou com os gases. Shion torceu o tornozelo e não conseguia andar. Os dois iam morrer ali, e sabiam disso.

Foi Odisseu quem apareceu no meio da fumaça. Pegou os dois garotos, um em cada braço, e correu ladeira abaixo com lava caindo do céu ao redor deles.

Quando chegou perto o bastante dos outros Cavaleiros, ele jogou os dois meninos na direção deles — arremessou os dois para a segurança.

E ficou para trás.

A lava o alcançou.

Quando os outros conseguiram chegar até ele, o corpo dele estava destruído. Todos ao redor choravam.

E Odisseu, no chão, queimado, disse com a voz mais calma do mundo:

— Não chorem. Essa é a minha missão. Salvar o maior número de Cavaleiros que eu conseguir. Foi para isso que eu nasci.

Shion, no presente, apertou os punhos até sangrar.

— Foi por nossa causa. Foi por minha culpa e do Dohko que o senhor…

— Não — disse Odisseu, com gentileza. — Foi minha escolha.

E, então, a voz dele mudou.

— Mas agora eu voltei por outro motivo. Eu vim matar Atena.


Capítulo 6 — A Lei do Despertar

Shion recuou um passo.

— O quê?

— Você já escolheu, não é? — Odisseu deu um passo à frente. — Você me segue… ou protege Atena?

— Eu sirvo Atena. — Shion abriu os braços. — MURALHA DE CRISTAL!

A parede transparente se ergueu entre os dois — a barreira mais resistente do Santuário, capaz de refletir qualquer golpe de volta.

Odisseu caminhou até ela e a atravessou como quem afasta uma cortina.

A muralha se despedaçou.

— Eu admiro suas palavras, garoto — disse Odisseu, sem raiva nenhuma. — De verdade. Mas o seu nível de poder não vai me deter.

Shion tentou contra-atacar — e o corpo dele simplesmente parou de responder.

Ele não conseguia mover um único dedo.

— Você deve estar se perguntando o que aconteceu — disse Odisseu. — É simples. O Santuário inteiro está coberto pela minha Hipnoterapia. Todos estão dormindo. Você estava acordado porque eu deixei você acordado.

Ele encostou dois dedos na testa de Shion.

— Isso se chama Lei do Despertar. Eu acordo quem eu quero acordar. E, quando alguém se recusa a me seguir… — Ele retirou os dedos. — Eu simplesmente devolvo essa pessoa ao sono.

As pálpebras de Shion ficaram pesadas.

— Não… eu preciso…

E o Cavaleiro de Áries caiu no chão, dormindo.

Não era necessário lutar contra Odisseu. Era pior que isso: não era possível lutar contra ele.


Capítulo 7 — De Volta à Casa de Touro

Odisseu caminhou pelo Santuário adormecido como um médico caminha pelos corredores de um hospital à noite.

E parou na Casa de Touro.

Ali, de pé no meio da entrada, em posição de combate, imóvel havia muito tempo, estava Ox — o gigante que tinha morrido guardando sua porta e que nunca tinha caído.

Odisseu olhou para ele por um longo momento.

— Claro que seria assim — disse baixinho. — Alguém como você não cairia nem morto.

Ele estendeu a mão e tocou o peito do guardião.

E Ox respirou.

O gigante abriu os olhos devagar, confuso, como quem acorda de um sonho muito comprido.

— Quem me deixou nesse estado? — perguntou Odisseu.

Ox olhou para as próprias mãos, depois para o homem à sua frente, e a memória voltou de uma vez.

— Suikyo… — ele murmurou. — Garuda. As lanças de gelo.

E, no rosto de Odisseu, passou uma sombra — a única coisa parecida com dor que aquele homem demonstrou desde que voltou.

Porque cada nome daquela lista era alguém que ele tinha salvado. E cada um deles, de um jeito ou de outro, tinha acabado se destruindo mesmo assim.


Capítulo 8 — Duas Almas, Um Corpo

Mas foi na Casa de Gêmeos que Odisseu fez a coisa mais impressionante de todas.

Cain estava ali, de pé. E, com ele — como sempre — a outra voz.

— Quem é você? — perguntou Odisseu, olhando para o rosto que às vezes tomava o corpo de Cain.

— Eu sou Abel — respondeu a voz. — E eu me rebelei contra Atena. Então é melhor você me matar logo.

Odisseu balançou a cabeça devagar.

— Você não é maligno.

— O quê?

— Escute. — Odisseu se aproximou. — Quando uma pessoa nasce, ela carrega cerca de cento e cinquenta milhões de células que deveriam morrer antes do nascimento. É natural. O corpo limpa o que não vai usar.

Ele apontou para Cain.

— No seu caso, essas células não morreram. Elas sobreviveram por um milagre. E, com o tempo, elas formaram uma segunda mente dentro de um corpo só.

Cain arregalou os olhos.

— Então o Abel…

— O corpo humano tem um jeito natural de perceber o que é estranho dentro dele e eliminar — continuou Odisseu. — Então o destino de Abel sempre foi ser expulso do seu corpo, um dia. E ele sabia disso. Ele sempre soube. — A voz de Odisseu ficou mais suave. — Uma pessoa que cresce sabendo que vai ser apagada aprende a odiar. Foi isso que aconteceu com ele. Não foi maldade. Foi medo.

Ele estendeu a mão.

— Todos os seres humanos nascem bons. Todos, sem exceção. Você também, Abel.

E completou o processo que a natureza tinha deixado pela metade.

Abel começou a se desfazer.

E, no último instante antes de sumir — o irmão maligno, o que tinha lançado o Satã Imperial em Suikyo, o que tinha exigido a morte de Ikki — disse a única coisa que ninguém esperava:

— Cain. Protege a Atena.

E se foi.

Cain ficou parado no meio da própria casa, sozinho pela primeira vez na vida, sem saber o que fazer com o silêncio.


Capítulo 9 — Sob uma Constelação Afligida

— Por quê? — perguntou Cain, quando conseguiu falar. — Por que você voltou?

— Já disse. Para matar Atena.

Cain acendeu o cosmo, e a Casa de Gêmeos tremeu.

OUTRA DIMENSÃO!

O portal se abriu no ar — o golpe que arranca qualquer inimigo deste mundo e o joga em outra dimensão, do qual nem seres incorpóreos escapam.

E o portal girou no lugar, hesitou… e se virou contra o próprio Cain.

O Cavaleiro de Ouro mais forte de sua geração foi engolido pelo próprio golpe.

— Não fique orgulhoso de mim — disse Odisseu, olhando para o espaço vazio onde Cain estava. — Isso não aconteceu por causa do meu poder.

Ele ergueu os olhos para o céu do Santuário, onde as estrelas continuavam saindo das órbitas, lentamente, uma a uma.

— Aconteceu porque o espaço e o tempo deste lugar estão rachados. As leis do universo já não funcionam direito aqui. Golpes se voltam contra quem os lança. Caminhos levam a lugar nenhum.

Ele começou a subir as escadarias, sozinho, no meio de um Santuário inteiro adormecido.

— E é exatamente por isso que ela precisa morrer.


O Fim do Volume 12

Este é o volume mais difícil da história inteira, e é bom dizer isso em voz alta antes de fechar o livro: Odisseu não é um vilão.

Ele salvou Shion. Salvou Dohko. Salvou Écarlate com o próprio sangue. Salvou Gestalt da tristeza do jeito errado, mas por amor. Curou o Santuário inteiro numa noite só, sem pedir nada em troca. Ele morreu, uma vez, correndo dentro de um vulcão com duas crianças nos braços.

E agora ele voltou dizendo que precisa matar uma menina.

Repare no motivo, porque ele é o mais assustador de todos: ele não quer poder, não quer vingança, não odeia ninguém. Ele acha, com toda a sinceridade do mundo, que essa é a única forma de salvar todo o resto.

O inimigo desta história não é um monstro. É o homem mais bondoso que já pisou naquele Santuário — e é justamente por isso que ninguém consegue detê-lo.

Fim do Volume 12. A aventura continua no próximo volume.


Boa noite, pequeno guerreiro. Amanhã a história continua.