Volume 13: O Médico e a Lagarta

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Volume 13 · O Médico e a Lagarta

Obra original: Saint Seiya: Next Dimension, de Masami Kurumada. Adaptação narrativa de fã preparada por Rafael com auxílio de inteligência artificial. Projeto independente, sem vínculo oficial com os titulares da obra.

Capítulo 1 — Ressurreição Vinda da Escuridão

A Explosão Galáctica de Cain tinha acertado Odisseu em cheio.

Um golpe capaz de despedaçar galáxias, disparado à queima-roupa pelo Cavaleiro de Ouro mais forte de sua geração. O corpo de Odisseu foi rasgado em pedaços e espalhado pelo chão da Casa de Gêmeos.

Qualquer pessoa deste mundo teria morrido ali.

E foi então que os pedaços começaram a se mover.

Devagar, como peças de um quebra-cabeça se encaixando sozinhas, os fragmentos daquele corpo deslizaram pelo mármore e voltaram a se juntar. Ossos encontrando ossos. Vértebras se alinhando. Músculos, nervos, veias e artérias se costurando um no outro com uma precisão impossível.

Cain assistiu àquilo com os olhos arregalados.

— Como…?

— Eu já esperava esse poder — disse Odisseu, terminando de se remontar e se pondo de pé. — Num combate normal, esse golpe teria me aniquilado. — Ele ajeitou o ombro no lugar com um estalo seco. — Mas você esqueceu de uma coisa, Gêmeos.

— Do quê?

— Eu sou médico.

Ele tinha feito uma cirurgia em si mesmo, no meio da batalha, sem instrumentos e sem ajuda.

Cain sentiu o sono chegar.

— É a sua técnica de novo?

— Não. Eu só retirei a Lei do Despertar que tinha colocado em você. Agora o poder curativo da minha casa vai fazer o resto.

E o Cavaleiro de Ouro mais forte daquela era caiu no sono, sem um arranhão, curado.


Capítulo 2 — A Bola de Boliche

Na Casa de Leão, uma coisa redonda passou rolando pelo chão.

Goldy, o leão gigante, ergueu a cabeça, olhou para aquilo com desconfiança, e deu uma patada.

A coisa redonda saiu voando pelos ares, atravessou a escadaria inteira e foi cair de volta na Casa de Câncer.

Era o Contador da Morte.

O corpo dele continuava enrolado como uma bola desde que Vermeer o tinha torcido com a Marionete Cósmica, e ninguém tinha conseguido desenrolá-lo.

Quando Odisseu entrou na Casa de Câncer, encontrou o lugar vazio — até que a bola humana surgiu à sua frente.

— Por que o seu corpo está desse jeito? — perguntou Odisseu.

— É uma história longa. — O guardião de Câncer respirou fundo. — Eu estava esperando o senhor.

Odisseu assentiu.

— Então você vai me obedecer.

— Vou.

— Ótimo. Eu vim matar Atena.

E o rosto do Contador da Morte mudou completamente.

— O quê?! — Ele se levantou, furioso. — Não! Eu não vou permitir isso! Nem o senhor! Nem o senhor!


Capítulo 3 — Algo Belo

Odisseu ficou olhando para ele em silêncio.

E, então, os dois se lembraram do mesmo dia ao mesmo tempo.

Muitos anos antes, no Santuário, havia um garoto sentado sozinho no alto de uma pilastra, chorando.

Odisseu — que na época era apenas um Cavaleiro de Prata — subiu até lá.

— Por que você está chorando?

— Porque todo mundo é maldoso comigo — respondeu o menino, sem olhar para cima. — Eles ficam rindo. Ficam perguntando o que eu sou. — Ele apertou os joelhos contra o peito. — E o pior é que eu também não sei. Eu não sei se sou homem ou se sou mulher.

Odisseu se sentou ao lado dele.

— Escute uma coisa. Você nunca deve sentir vergonha por ser diferente dos outros.

O menino ficou quieto por um tempo. Depois perguntou, num fio de voz:

— Será que eu sou uma lagarta? Aquelas que são feias agora, mas que um dia crescem e viram borboletas bonitas, e ganham asas para voar?

E Odisseu sorriu.

— Não. Você não é uma lagarta.

O menino baixou a cabeça, decepcionado.

— Você é um guerreiro — continuou Odisseu. — Você nasceu para ser um Cavaleiro de Ouro. E, quando você atravessar todo aquele treinamento terrível que vem pela frente, você vai se tornar um grande Cavaleiro de Ouro. — Ele apontou para o céu. — E aí você vai ter asas, sim. E vai ser mais bonito do que todos os outros.

De volta ao presente, o Contador da Morte encarava o homem que tinha dito aquilo a ele.

— Eu vou obedecer ao senhor — disse, com a voz embargada. — Mas antes o senhor tem que cumprir a promessa que me fez naquele dia.


Capítulo 4 — Coração de Leão

Na Casa de Leão, Odisseu encontrou algo curioso: Kaiser e o leão Goldy continuavam acordados, mesmo com o Santuário inteiro adormecido pela Hipnoterapia.

Goldy se aproximou dele e abaixou a cabeça, quase pedindo desculpas — porque tinha perdido uma coisa que carregava na boca havia muito tempo.

Odisseu olhou para o que restava do fruto e entendeu na hora.

— Ah. O Fruto de Corleone.

Era um fruto raro, capaz de bloquear efeitos que vêm de fora do corpo. Os leões o carregavam para proteger Kaiser — e era por isso que o dono deles não tinha adormecido.

E, olhando para aquele leão enorme e leal, Odisseu lembrou de outro dia antigo.

Muitos anos antes, na vila de Rodorio, o Contador da Morte tinha chegado correndo até um Kaiser ainda jovem.

— Muitos aldeões estão sendo mortos! São leões. Um bando inteiro, agrupado no Monte Neméia.

— Então eu vou lá e mato todos — disse Kaiser, já se levantando.

— Sozinho? Impossível. Eles obedecem a um líder. Chamam ele de Rei Leão, e dizem que ele não é um animal comum. — O Contador da Morte hesitou. — E tem uma lenda. Dizem que aquele que conseguir o coração do Rei Leão se torna o guerreiro mais forte do mundo.

Kaiser subiu o monte sozinho.

E, lá em cima, encontrou uma criatura imensa que o encarou sem se mexer — e falou dentro da cabeça dele, sem abrir a boca uma única vez.

"Eu sei por que você veio."

— Vocês estão matando gente da minha vila.

"Nós não estamos matando ninguém sem motivo", respondeu o Rei Leão. "Olhe para o meu bando antes de decidir."

E Kaiser olhou. E viu.

O que ele encontrou naquele monte mudou a vida dele para sempre — e é por isso que, até hoje, o Cavaleiro de Ouro de Leão do século XVIII guarda sua casa ao lado de um leão gigante que o ama como se fossem família.


Capítulo 5 — O Báculo de Asclépio

Ikki de Fênix chegou à Casa de Virgem e encontrou os Quatro Portões de Buda girando no ar, esperando por ele.

Foi Odisseu quem o avisou:

— Esse aí é o Portão da Morte. Se você abrir, você morre. Os outros são o do Tempo, o da Vida e o da Doença.

— Não me interessa — disse Ikki. — Eu sigo em frente em nome de Atena.

E Odisseu, sem saber ainda se aquele garoto era aliado ou inimigo, fez a coisa mais Odisseu do mundo: curou os ferimentos dele e devolveu a audição que ele tinha perdido.

— Por que você está me curando?

— Porque é meu dever salvar quem está ferido. — Odisseu deu de ombros. — Não importa de que lado a pessoa está.

Ikki ficou sem resposta.

— Então eu estou em dívida com você — disse, por fim.

Na Casa de Aquário, Shijima acordou e ouviu a voz de Odisseu chamando dentro de sua cabeça.

"Venha me ajudar a matar Atena."

— Não. — Shijima se levantou. — Escute o que eu tenho a dizer. É importante.

"Não me interessa."

— Atena foi envenenada por Samael! Ela está morrendo! E o senhor é a única pessoa no mundo que pode salvá-la!

"Eu vou destruir o espaço silencioso e os Quatro Portões de Buda, e seguir em frente."

Shijima quase riu.

— Ninguém destrói os Portões de Buda. Nem o senhor.

E foi então que Odisseu ergueu a mão, e uma coisa apareceu nela.

Um cajado antigo, com uma serpente enrolada nele — a arma que pertencia ao deus da medicina desde antes de existir história escrita.

O Báculo de Asclépio.

Shijima sentiu o sangue gelar.


Capítulo 6 — Passividade

— O senhor não vai conseguir destruir os Portões — insistiu Shijima. — Nem com isso.

— Eu não vou destruí-los — respondeu Odisseu, calmamente. — Eu vou abri-los. Todos. De uma vez só.

— Isso é loucura! Se o senhor abrir os quatro ao mesmo tempo, o senhor vai receber o efeito de todos eles!

— Eu sei.

E abriu.

Os quatro portais se escancararam ao mesmo tempo, e o preço veio na mesma hora.

A Porta da Doença o atingiu, e o corpo dele começou a definhar. A Porta da Velhice o atingiu, e os cabelos dele embranqueceram, a pele enrugou, as costas curvaram. O homem jovem que tinha saído do túmulo estava se desfazendo diante dos olhos de Shijima.

E ele continuou andando.

— Pare com isso! — gritou Shijima. — Eu deixo o senhor passar! Eu abro o caminho! Basta o senhor aceitar salvar Atena!

Odisseu deu mais um passo.

— Eu atravesso à força.

Shijima olhou para aquele homem se destruindo por teimosia, e algo dentro dele se quebrou.

Porque Shijima devia a vida a Odisseu, como todo mundo naquele Santuário. E Shijima era um homem que preferia não lutar; que passara mil dias em silêncio às margens do rio Ganges praticando o ascetismo justamente para não precisar erguer as mãos contra ninguém.

— Use todo o seu poder contra mim — disse Odisseu, sem parar de andar. — Chega de passividade.

E Shijima, com lágrimas nos olhos, obedeceu.

TESOURO DO CÉU!

O golpe varreu o espaço, arrancando os cinco sentidos, um por um.

E, então, Shijima pegou seu rosário de cento e oito contas, ergueu-o no ar, e usou o maior golpe que um Cavaleiro de Virgem possui.

RENDIÇÃO DIVINA!


Capítulo 7 — Depois do Sonho

O corpo de Odisseu se desfez.

A carne desapareceu. Restou apenas um esqueleto, de pé por um instante — e depois nem isso, apenas ossos sendo levados de volta para o mundo dos mortos, para onde os mortos deveriam ter ficado.

Shijima caiu de joelhos.

— Me perdoe — sussurrou, com o rosto molhado. — Me perdoe, Odisseu. Eu devo a minha vida ao senhor. Eu nunca quis erguer a mão contra o senhor. Mas eu precisava proteger Atena. Era a única coisa que eu podia fazer.

E foi então que ele percebeu que suas próprias mãos estavam desaparecendo.

Ele olhou para baixo, incrédulo. A carne dos seus próprios braços se desfazia. As pernas. O peito. Ele estava virando ossos.

E, diante dele, de pé, inteiro, sem um arranhão sequer, estava Odisseu.

— Isso… — Shijima mal conseguiu falar. — Isso foi um sonho?

— Foi.

— Mas eu usei o Tesouro do Céu! Eu usei a Rendição Divina! Eu senti os dois saírem das minhas mãos!

— Você sonhou que usou.

Odisseu se aproximou dele.

— Eu não me defendi de nada, Virgem. Eu apenas retirei a Lei do Despertar de você, e o poder curativo da minha casa fez o resto. Você adormeceu na Casa de Aquário e sonhou essa batalha inteira. Cada golpe. Cada palavra. Cada lágrima.

Shijima sentiu as pálpebras pesarem.

— Então nem lutar contra o senhor… eu consigo…

— Durma — disse Odisseu, quase com carinho. — É melhor assim. Vou acordar você quando chegar a hora certa.

E o homem mais próximo de um deus caiu no chão da Casa de Aquário, dormindo como uma criança.


Capítulo 8 — A Dívida de Ikki

Ikki acordou na Casa de Virgem, e a primeira coisa que fez foi agradecer.

— Obrigado por me curar. Eu estou em dívida com você, e eu pago minhas dívidas.

— Que bom.

— Então me diz o que você quer.

Odisseu o encarou.

— Traga-me a cabeça de Atena.

O ar mudou.

— O quê?

— Você ouviu.

— Você é maluco? — Ikki cerrou os punhos. — Eu vim do futuro para proteger a Atena! Atravessei o tempo por causa dela!

— E eu ressuscitei para matá-la.

Odisseu ergueu o Báculo de Asclépio, e a serpente enrolada nele começou a brilhar com uma luz hipnótica, girando devagar diante dos olhos de Ikki, entrando pela cabeça dele, tentando dobrar sua vontade como já tinha dobrado a de tantos outros.

Ikki sentiu a própria mente escorregar.

E resistiu.

Porque uma vez, muito tempo atrás, ele tinha atravessado sozinho a Ilha da Rainha da Morte e tinha aprendido a ser o homem mais teimoso que existe.

— Não… funciona… comigo!

O báculo perdeu o brilho.

Odisseu ergueu as sobrancelhas — genuinamente surpreso pela primeira vez desde que tinha voltado.

E, atrás dos dois, os Quatro Portões de Buda começaram a se ativar de novo, girando lentamente, se fechando ao redor deles.

— Corra — disse Odisseu, e havia quase pressa na voz dele. — Se ficarmos aqui, ficamos presos os dois.

Os dois saíram correndo juntos da Casa de Virgem — o homem que veio matar Atena e o garoto que veio salvá-la, escapando lado a lado da mesma armadilha.


O Fim do Volume 13

Guarde esta cena da história inteira, porque ela explica Odisseu melhor do que qualquer batalha:

Um menino chorando no alto de uma pilastra, perguntando se é uma lagarta que um dia vai virar borboleta. E um homem sentando ao lado dele para dizer que não — que ele é melhor do que isso, que ele vai ter asas de outro jeito, e que nunca, jamais, deve ter vergonha de ser diferente.

Aquele menino cresceu, virou Cavaleiro de Ouro, atravessou o Yomotsu, derrubou um Juiz do Mundo dos Mortos e exigiu sua peruca de volta antes de morrer, porque um guerreiro precisa estar bonito.

Odisseu fez isso. Odisseu fez isso com dezenas de pessoas.

E é exatamente por isso que ninguém, nem o mais próximo de um deus, consegue erguer as mãos contra ele sem chorar.

Fim do Volume 13. A aventura continua no próximo volume.


Boa noite, pequeno guerreiro. Amanhã a história continua.