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Volume 15: A Lâmina Matadora de Deuses | Passado Presente Futuro

Volume 15: A Lâmina Matadora de Deuses

Volume 15 · A Lâmina Matadora de Deuses

Obra original: Saint Seiya: Next Dimension, de Masami Kurumada. Adaptação narrativa de fã preparada por Rafael com auxílio de inteligência artificial. Projeto independente, sem vínculo oficial com os titulares da obra.

Capítulo 1 — Proteja Atena

Dentro da Casa de Serpentário, Odisseu lutava uma batalha que ninguém podia ver.

Do lado de fora, ele parecia calmo. Por dentro, dois seres disputavam o mesmo corpo — o médico que tinha dedicado a vida a salvar Cavaleiros, e o deus antigo que tinha esperado milênios no fundo de um poço.

Por um instante, o médico venceu.

— Tenma — disse Odisseu, com pressa na voz, como quem sabe que tem poucos segundos. — Escute bem. Existe uma menina em Florença. O nome dela é Sasha. Ela é a Atena desta era. Vá até lá. Proteja-a.

— O quê? Como assim?

— Não temos tempo!

E o rosto de Odisseu mudou.

Os olhos se estreitaram. A voz ficou outra — mais fria, mais antiga.

— Chega — disse Asclépio. — Outra Dimensão.

Um portal se abriu sob os pés de Tenma e o engoliu de uma vez. O garoto foi arremessado através do espaço, girando no meio do nada.

E, na última fração de segundo, uma vontade que ainda restava dentro daquele corpo interferiu — Odisseu, mesmo derrotado por dentro, mexeu no destino do portal.

Tenma caiu numa estrada de terra, machucado, tonto.

E, quando ergueu a cabeça, viu ao longe as telhas vermelhas de uma cidade que ele conhecia melhor do que qualquer lugar do mundo.

Florença.


Capítulo 2 — A Casa de Sasha

Naquele mesmo instante, na periferia da cidade, algo horrível se aproximava.

Esqueletos. Dezenas deles, soldados do exército de Hades, marchando em silêncio pelas ruas de pedra em direção a uma casa modesta.

À frente deles vinha uma mulher de armadura escura — Giulietta de Papillon, uma Espectro do Mundo dos Mortos.

— É aquela ali — disse ela, apontando para a casa. — A menina que dorme.

Lá dentro, Sasha estava deitada na cama, exatamente como Tenma a tinha visto no sonho: pálida, cansada, dormindo um sono do qual ninguém conseguia acordá-la.

Os esqueletos avançaram.

E pararam.

Pararam a alguns passos da cama e não conseguiram dar nem mais um. Uma luz suave, quase invisível, emanava do corpo da menina adormecida — um cosmo tão puro que aqueles seres feitos de morte simplesmente não conseguiam atravessá-lo.

Giulietta franziu a testa.

— Então é verdade.

Ela ergueu a mão e destruiu a casa inteira. Paredes, telhado, móveis — tudo virou pó e destroços no meio da rua.

E, quando a poeira baixou, a cama continuava lá.

Intacta. Sem um arranhão. Com a menina dormindo em cima dela, como se nada tivesse acontecido.

— Não há mais dúvida — sussurrou Giulietta. — Essa criança é Atena.

Foi então que uma voz gritou atrás dela:

METEORO DE PÉGASO!


Capítulo 3 — Rumo ao Mundo dos Vivos

Tenma varreu os esqueletos com uma rajada de socos, e todos eles se desfizeram no ar.

Depois se plantou entre Giulietta e a cama.

— Você não encosta nela.

Giulietta olhou para ele e quase riu.

— Um Cavaleiro de Bronze? É só isso que sobrou para proteger uma deusa?

— É só isso mesmo — respondeu Tenma. — E é o bastante.

Não foi.

A luta que veio a seguir foi humilhante. Giulietta era rápida demais, forte demais, e Tenma apanhou de um jeito que ele não apanhava desde criança. Cada golpe que ele dava era desviado; cada golpe que ela dava acertava.

Ele caiu.

E Giulietta, sem pressa nenhuma, passou por cima dele e caminhou até a cama.

— Chega de rodeios.

Ela ergueu o braço sobre a menina adormecida.

E o braço parou no ar.

Parou sozinho, tremendo, incapaz de descer nem um centímetro — porque o cosmo de Sasha, mesmo dormindo, mesmo sem saber de nada, se recusava a deixá-lo passar.

Giulietta rosnou de raiva e se virou para o garoto caído.

— Então eu começo por você. Fadas do Inferno!

Pequenas luzes surgiram no ar ao redor de Tenma — dezenas delas, bonitas como vagalumes, e cada uma delas era uma coisa que não deveria existir. Elas o envolveram, o levantaram do chão e o carregaram para longe do mundo dos vivos.

Quando Tenma abriu os olhos, estava numa colina cinzenta, sem cor nenhuma, à beira de um buraco escuro que descia até onde ninguém volta.

O Yomotsu.

E, correndo na direção contrária, alguém trombou com ele em cheio.

— MAS QUE…!

Os dois rolaram juntos e pararam bem na beirada do abismo.

Tenma ergueu a cabeça, atordoado, e se viu cara a cara com um sujeito baixinho, careca e mal-humorado.

— Você?!

— Você! — respondeu o Contador da Morte, igualmente atônito.


Capítulo 4 — Laços de Flores

Não se sabe ao certo o que os dois disseram um ao outro naquela beira de abismo.

O que se sabe é que Tenma voltou.

Voltou para Florença com um cosmo diferente do que tinha antes — mais firme, mais quente, como se alguma coisa tivesse se acendido dentro dele durante a queda.

Giulietta se virou, incrédula.

— Impossível. Ninguém volta de lá.

— Eu voltei.

Ela atacou primeiro, agarrando o punho direito dele e apertando com força suficiente para esmagar os ossos.

E foi aí que aconteceu.

Do pulso de Tenma, presa ali havia anos, uma pequena corrente de flores começou a brilhar.

Era uma coisa boba. Uma pulseira trançada de flores, dessas que crianças fazem brincando — a mesma que ele, Sasha e Alone tinham feito juntos quando eram pequenos, e que os três nunca tinham tirado.

E aquela coisa boba brilhava agora com uma luz divina.

Giulietta soltou o punho dele e recuou.

— O que é isso?!

Tenma olhou para a própria pulseira. Depois para a menina adormecida atrás dele. E o cosmo dele explodiu.

METEORO DE PÉGASO!

Dessa vez os meteoros atravessaram tudo.

Giulietta foi derrubada de uma vez só, e a armadura dela rachou de alto a baixo.

Tenma ficou de pé, ofegante, e caminhou até a cama de Sasha.

— Eu vou proteger você — ele disse baixinho, para uma menina que não podia ouvir. — Até você acordar. Não importa quanto tempo demore.

E, atrás dele, na sombra de uma parede caída, alguém observava em silêncio.

Um rapaz de cabelos claros, que não aparecia havia muito tempo.

Alone.


Capítulo 5 — A Voz do Coração

De volta ao Santuário, Asclépio subia as escadarias sem pressa nenhuma.

Ele parou na Casa de Libra, onde Dohko dormia caído no chão desde que a Hipnoterapia tinha varrido o Santuário inteiro.

Asclépio olhou para ele por um momento.

E encostou dois dedos na testa do Cavaleiro de Libra.

— Acorde.

Dohko abriu os olhos.

Era assim que aquilo funcionava. Não era uma luta. Não era um golpe. Era um homem que decidia, um por um, quem dormia e quem acordava dentro daquele Santuário — e ninguém tinha como discordar.

— Você — disse Dohko, se levantando devagar. — Você não é o Odisseu.

— Não sou mais.

E Asclépio seguiu subindo.


Capítulo 6 — A Aniquilação de Escorpião

Na Casa de Escorpião, Écarlate acordou do mesmo jeito.

— Levante-se — disse Asclépio. — Você me deve a vida. Todo o sangue que corre no seu corpo é meu. Venha comigo e ajude-me a matar Atena.

Écarlate se pôs de pé devagar, olhando para o rosto do homem à sua frente.

E percebeu.

— Não… — sussurrou. — Você não é ele. Odisseu não está mais aí dentro, está?

Silêncio.

— Você é aquela coisa do poço. Você tomou o corpo dele.

— E daí?

Écarlate acendeu o cosmo, e as unhas da mão direita ficaram vermelhas como brasa.

Então eu vou lutar contra você.

— Contra mim? Com o meu sangue?

— Com o sangue dele — corrigiu Écarlate, com os olhos cheios d’água. — E é justamente por isso que eu preciso fazer isso. Odisseu me salvou. Odisseu deu a vida por mim quando eu era um garoto que ia sumir no ar. E ele nunca, nunca ia querer que eu obedecesse a você.

Ele avançou.

AGULHA ESCARLATE!

E foi então que aconteceu a coisa mais terrível daquela batalha.

O corpo de Écarlate começou a mudar. As pontas dos dedos ficaram transparentes. Depois as mãos. Depois os braços.

O sangue dourado que Odisseu tinha lhe dado — o sangue que o mantinha existindo havia tantos anos — estava escorrendo para fora dele, voltando para o dono.

— Não… agora não… — Écarlate cambaleou. — Eu ainda não terminei!

Ele reuniu tudo o que restava — o cosmo, a vida, a raiva, a gratidão — num único golpe final.

ANTARES!

O ataque mais poderoso do Cavaleiro de Escorpião atravessou o salão em direção ao peito de Asclépio.

E parou no ar, a centímetros dele, seguro por uma única mão.

Écarlate caiu de joelhos, e o corpo dele já era quase todo transparente.

— Odisseu… — ele murmurou, olhando para o rosto do homem que não era mais o seu salvador. — Me desculpa. Eu tentei.

E desapareceu.

Não restou corpo. Não restou nada.

Só a Armadura de Ouro de Escorpião, vazia, caída no chão de mármore.

Asclépio olhou para ela por um instante — e a destruiu com um gesto.

Depois seguiu subindo, em direção à Décima Terceira Casa.


Capítulo 7 — Além das Chamas

Dentro da Casa de Serpentário, Hyoga, Shiryu e Shun montavam guarda ao redor do casulo onde Atena dormia.

Ouviram passos.

— É ele! — disse Hyoga, se levantando. — É o Odisseu! Ele vai curar a Atena!

A figura entrou pela porta.

E os três sentiram o erro na mesma hora.

— Esse não é o Odisseu — disse Shiryu, recuando.

PÓ DE DIAMANTE!

CÓLERA DO DRAGÃO!

CORRENTE NEBULAR!

Os três golpes saíram ao mesmo tempo, de três direções diferentes, com tudo o que os Cavaleiros de Bronze tinham.

Asclépio ergueu uma mão.

E os três caíram.

Não houve troca de golpes. Não houve contra-ataque elaborado. Foi um movimento só, e os três guerreiros que tinham atravessado o tempo estavam no chão, incapazes de levantar.

Asclépio caminhou até o casulo e o partiu ao meio.

Lá dentro, a menina continuava dormindo, pálida pelo veneno, sem saber de nada.

Ele ergueu a mão sobre ela.

E uma explosão de fogo tomou conta da sala.

Das chamas, uma silhueta com asas ardentes pousou entre Asclépio e a menina adormecida.

— Você não vai encostar nela — disse Ikki de Fênix.


Capítulo 8 — A Lâmina Matadora de Deuses

Asclépio olhou para ele com algo parecido com curiosidade.

— Você. Você é o único que resistiu ao meu báculo. — Ele apontou para a mão de Ikki. — E você carrega a Espada de Khrysos. A arma que mata deuses. O Grande Mestre entregou a você.

— Entregou.

— Então use. Mate Atena, e tudo isso acaba.

Ikki olhou para a menina desacordada atrás de si.

E, então, fez uma coisa que ninguém esperava: virou a lâmina para si mesmo.

— Ikki, NÃO! — gritou Shun, do chão.

— Eu recebi essa missão e não vou cumprir — disse Ikki, com a voz firme. — Então o mínimo que eu posso fazer é pagar por isso.

Asclépio o golpeou antes que a lâmina descesse, e Ikki foi jogado longe.

Mas foi nesse momento que os quatro irmãos de armas fizeram a última coisa que ainda podiam fazer.

Shun se arrastou e agarrou uma perna de Asclépio com as correntes.

Hyoga congelou o chão sob os pés dele.

Shiryu se agarrou ao outro braço com as duas mãos, sangrando pelos sete furos das agulhas.

Nenhum dos três conseguiria segurá-lo por mais de dois segundos.

Dois segundos foi o que Ikki precisou.

Ele correu, saltou, e cravou a Espada de Khrysos no corpo de Asclépio até o cabo.

Um clarão dourado explodiu na Décima Terceira Casa.

E, muito longe dali, no Santuário do tempo presente, o grande Relógio de Fogo — que marca as horas das Doze Casas há milênios — rachou de cima a baixo.


Capítulo 9 — O Encontro Dourado

No Castelo de Hades, Pandora recebeu o relatório com o rosto duro.

— Giulietta caiu. E a menina de Florença ainda está viva.

Ela virou-se para o último de seus juízes.

— Chagall. Traga a cabeça dela.

O Espectro de Wyvern, a Estrela Celestial da Fúria, apenas assentiu e partiu.

Em Florença, Tenma sentiu o cosmo chegar antes de ver o inimigo — e soube na hora que era outra coisa. Outro nível.

METEORO DE PÉGASO!

Chagall parou a rajada inteira com um único dedo.

— Sério isso?

E jogou Tenma a vinte metros de distância com um tapa de mão aberta.

O garoto se levantou. Foi derrubado de novo. Levantou. Derrubado.

DESTRUIÇÃO MÁXIMA!

A explosão de cosmo varreu o terreno inteiro e deixou Tenma caído entre os destroços, sem conseguir se mover.

Chagall caminhou até a cama, pegou Sasha nos braços e partiu rumo ao Castelo de Hades, sem sequer olhar para trás.

E, enquanto isso, no Santuário, algo extraordinário começava a acontecer.

A Armadura de Ouro de Sagitário — que estava com Gestalt — se soltou do corpo dele por conta própria e voou para longe, cortando o céu como um cometa dourado.

E, uma a uma, todas as outras Armaduras de Ouro começaram a se mover sozinhas.

Áries. Touro. Gêmeos. Câncer. Leão. Virgem. Libra. Escorpião — a de Escorpião, que Asclépio tinha acabado de destruir, se remontou peça por peça e se ergueu no ar. Capricórnio. Aquário. Peixes.

Todas elas convergiram para a Décima Terceira Casa.

E se posicionaram ao redor da menina adormecida, formando um círculo dourado de luz — cada uma no seu lugar, exatamente como as horas de um relógio.

Asclépio parou.

Pela primeira vez desde que tinha saído do túmulo, ele parou.

— As armaduras… — ele murmurou. — Elas escolheram um lado.


O Fim do Volume 15

Este volume é sobre uma pergunta simples: o que você deve a quem salvou sua vida?

Écarlate respondeu com o próprio corpo. Ele existia só porque Odisseu tinha dado o sangue dele; e escolheu gastar essa vida emprestada lutando contra o ser que tinha roubado o corpo do seu salvador — sabendo que perderia, sabendo que sumiria no ar antes de terminar o golpe.

Ikki respondeu recusando uma ordem e apontando a faca para si mesmo.

E Tenma respondeu do jeito mais simples de todos: ficando de pé, apanhando, levantando de novo, ao lado de uma cama onde dorme uma menina que nem sabe que ele está ali.

Repare também na pulseira de flores. Uma coisa boba que três crianças fizeram brincando, muitos anos atrás, e que agora brilha com luz de deus. Guarde isso — ela ainda vai fazer muito mais do que isso.

Fim do Volume 15. Falta um volume para o fim desta história.


Boa noite, pequeno guerreiro. Amanhã a história continua.

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